O Jornal da Manhã publicou no dia 30 de abril artigo, Coluna Debates, cujo título merecia ser "o direito de nenhum" ou então, "Professores sob a ótica do carrasco". O comentário é extenso e o Jornal deu cordas ao algoz da educação. Erros ou artimanhas propositais das ideologias autoritárias que menosprezam a luta dos professores por condições dignas de trabalho, melhores condições de sala de aula, renovação de valores humanísticos na sociedade e preservação da saúde de docentes e trabalhadores da educação são constatáveis no comentário. O autor inventou um "sindicato local" de professores, considera as reivindicações dos colegas injustas e falsas, nega-lhes o direito de manifestação e greve, garantidas pela Constituição Federal de 1988, é conhecedor de rostos e competências, pois não encontrou em Ponta Grossa, professores à altura dos colegas paulistas, deve ter assistido aulas de todos, pois os considera dispensáveis pelos diretores. Deve ter confundido diretor com educador. É impressionante o uso da palavra tradicional na fala do autor, clara demonstração dos interesses que ingênua ou conscientemente defende. Criminaliza o movimento professoral por suposto serviço prestado ao Governo Federal e exime-se da responsabilidade e da imbecilidade de estar defendendo um nefasto governo na esfera estadual, que não só desmonta a educação básica. Os professores são corruptos em sala de aula, afirma a filosofia do grande literato, autor de best seller. Depois formula perguntas que qualquer estudante do nível primário, com mínimo de leitura responderia com êxito. Vamos ao artigo fascistóide em relação ao professorado paranaense.
Qual o pano de fundo desse tipo de análise, serviçal de governos neoliberais, de ideologias do darwinismo social? Imaginemos que durante a Segunda Grande Guerra alguns judeus colaboraram com Hitler e Mussolini no extermínio de judeus e minorias, ou que, gays colaborem com os gabinetes de Bolsonaro e Malafaia contra os de mesma condição. Isso é possível. Nesse sentido o comentarista presta excelente serviço aos seus colegas professores, que tendo-o como algoz, poderiam dispensar governantes como o Governador Campos Salles (PR, 2012-2016) conhecido por defender que funcionários públicos não devem se organizar nem estudar.
Os professores não são tolos, sabem que em seu meio, nem todos buscam melhor educação, como sabem que em seu meio, há os que gostariam de ver os colegas em situação pior, que gostariam de vê-los calados e subservientes ao poder público anti-educação. Mas, não é interessante ver que não é por qualquer motivo que um grupo de professores resolve dar a cara para bater, sujeito a violência policial ou verbal dos felinos do governo pela imprensa, enquanto defende não apenas o seu contracheque mas o dos colegas que não aderem à greve?
A esclerose intelectual, pior das doenças ideológicas, não permite a um professor perceber que, na história da sociedade brasileira, nenhuma conquista aconteceu sem violência, conforme escreve o historiador Nelson Werneck Sodré. Esperar que governantes que patrocinam o obscurantismo e promovem seus interesses pessoais concedam benefícios e mudanças à educação te nome, subserviência e traição ao povo.
O autor foi atrevido em julgar a luta de seus colegas pelo juízo que faz de si próprio, ora se achando o melhor dos professores, ora juiz das causas sociais, quando estas dependem do nível de leitura que e espera de um professor consciente e responsável. Não fica bem negar o direito de concepções políticas aos companheiros, quando fica nítido num texto fascistóide a sua própria, o antipetismo.
O texto é extenso com tanta bobagem e frustração. Vale recordar que a revista VEJA ou o Mickey não são a Bíblia do professorado. Enquanto a leitura do último serve para infantes a do outro para quem não preza por qualidade no que lê, embora ser enganado também seja um direito humano. Os professores não apreciam isto.
O autor destas linhas acompanha o movimento sindical estadual e a luta de todo o funcionalismo público do Paraná para que tenhamos escolas mais equipadas, professores com aperfeiçoamento contínuo, professores com melhor saúde física e mental, com salários dignos de quem aguenta um cotidiano enlouquecedor, numa época em que a sociedade capitalista sacrifica e transfere para o docente todas as atribuições suas como a de ser pai e mãe, polícia, mentor religioso, educador social e outras. Lutamos para que se tenha um SAS (serviço de atendimento à saúde do servidor público do Paraná) de qualidade, com consultas mais frequentes nas especialidades. E tem havido melhorias, mas graças as lutas, aos buzinaços, a pressão na Assembléia Legislativa, na frente do Palácio Iguaçu, das Escolas. A luta é o motor da história. Aqueles que nasceram para viver agachados que respeitem nosso direito de andar de cabeça erguida. Somos militantes pela educação e o seremos até o fim.