Ponta Grossa é uma cidade que dá vergonha ao país, apesar de falso moralista, como ficou demonstrado pelo resultado das eleições presidenciais aqui.
Quem assistiu o Jornal Estadual, segunda edição, do primeiro dia de dezembro de 2014, pode calcular as façanhas dos oportunistas de nossa cidade, pseudo-cientistas:
1. A reportagem não percebeu, mas acertou em denominar "Hospital Regional" ao invés de "Hospital Universitário". A criação do hospital transitou entre o estelionato eleitoral do DEMO/UDN para a exacerbação vaidosa de pequenos dirigentes universitários, sedentos de cultuar suas próprias personalidades, o que não conseguiriam pela produção do pensamento filosófico ou da cultura impressa. Quem não tem idéia e destes o ensino superior dos campos gerais está cheio, precisa de placas de inauguração. São lidas mas não discutidas. Não circulam de mão em mão.
2. Todas as reportagens sobre o Ospital Regional exibem um número chamativo de "Diretores". Deve ter mais diretor que funcionários atendendo a população. Tem diretor de torneiras, diretor de vassouras, diretor de vacinas, diretor de injeções, diretor de doenças renais, diretor de doenças sexualmente transmissíveis, diretor de acendimento de lâmpadas fluorescentes, diretor de acendimento de lâmpadas externas, diretor técnico, diretor não técnico. Seria bom o Ministério Público pensar bem na utilidade de tantas direções. Me pergunto como estes diretores articulam a jornada de trabalho, já que alguns estão vinculados a outros afazeres. Quanto efetivamente cumprem em "benefício da saúde popular" e quanto em outros locais de trabalhos seus.
3. E o Ospital entra em férias coletivas.
4. Lugar de professor universitário é em sala de aula.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
Vitória gigante do povo humilde
Fabio
Anibal Goiris
O dia 26 de outubro de
2014 marca uma efeméride extraordinária para a democracia brasileira e para a
luta do seu povo mais simples. Em noite apoteótica as massas populares saíram
às ruas do imenso Brasil para enaltecer um Coração Valente: Dilma Rousseff foi
reeleita Presidenta. Se doze anos atrás o Partido dos Trabalhadores teve de fazer
campanha para que a esperança pudesse vencer o medo agora fez uma cruzada para que
a esperança vença o ódio.
Dilma
Rousseff teve de enfrentar uma dupla e aterrorizante situação: no Primeiro
Turno afrontou a desonestidade intelectual onde os programas econômicos e
sociais eram impunemente distorcidos e, no Segundo Turno, a desonestidade
moral, onde ataques pessoais encarnados pelos próprios meios de comunicação
predominantes, revistas e rádios conservadores tentaram minar sua
personalidade. Os ataques pessoais sobre Lula e Dilma foram desferidos,
contudo, por donos de telhados de vidro. Inclusive pelos fascistas de gabinete
da Internet que batem boca sem se levantar da cadeira. Daí que o povo passou a
não acreditar mais nos Goebbels da direita brasileira.
A
verdade é que o povo incorporou no seu subconsciente o seguinte: o mal
remediado cidadão (da desigual sociedade brasileira) quer proteção do
Estado. Ao mesmo tempo em que exige um
salário digno e um equilíbrio nas condições de disputa do mercado de trabalho.
O governo do PT vem caminhando em forma inflexível nessa direção. O povo
incorporou este conceito teórico e colocou sobre ele bases práticas: o sufrágio
universal depositado nas urnas eletrônicas.
Mas,
para pensar assim (e para votar assim) o povo humilde, e os cidadãos sensíveis
à democracia distributivista, tiveram de entender que no subsolo da vitória da
esquerda brasileira estavam os programas sociais de grande alcance como o bolsa
família e as realizações habitacionais. Mais ainda, compreenderam que foi um
esforço gigantesco do governo do PT instituir e aumentar o financiamento
federal do ensino básico, catapultar o Prouni e o crédito universitário, além de
deslanchar o magnífico programa de ensino profissional, o Pronatec. Além disso,
depois de 2002 mais de dezoito novas universidades federais foram inauguradas. Contrariamente,
durante os oito anos do governo do PSDB de Aécio Neves o país não inaugurou nenhuma
(há de se sublinhar nenhuma) universidade federal.
Não
há como dissuadir a ideia de que o governo de Dilma Rousseff vem combatendo as
causas da desigualdade de renda. A luta contra a desigualdade no Brasil começou
com Lula em 2003 onde a inclusão social virou política irrenunciável de Estado.
Por estas razões, em 2003 começou a se acirrar também o ódio contra o PT vindo
de uma classe média direitista e conservadora que não consegue se compadecer do
drama social dos seus compatriotas empobrecidos. Diante disto a vitória de
Dilma representou uma conquista daquele cidadão desprotegido que espera apreensivo
o braço estendido do Estado. Por fim, já se disse que um grama de exemplos vale
mais que uma tonelada de lamúrias inúteis.
O
autor é cientista político e professor da UEPG.
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
Ponta Grossa e seus 191 anos: hipocrisia das comemorações de sempre
O barulho causado pela bateção de latas e de espécimes carnavalescas na Avenida Vicente Machado, neste 15 de setembro de 2014, perturbam o sossego. Os desfiles são totalmente destituídos de sentido em nossos dias, com exceção dos países e governos onde demonstram força militar e espírito nacionalista.
Tudo o que lermos nestes dias de feriado (edições e notícias de domingo passado a terça-feira) sobre o município é descartável, mentiroso, fantasioso, ideológico e sem qualquer correspondência com a realidade. É falsa a idéia paga de que somos uma cidade que progride a passos largos. Deixamos de crescer, perdemos os rumos da industrialização, do emprego digno, da valorização dos trabalhadores-cidadãos. As eras Ciro Martins e Jocelito Canto (Herculano Lisboa) se passaram depressa demais. A periferia da cidade está abandonada, entregue a miséria, as casas de papelão, ao narcotráfico, a estrada sem asfalto, as filas da saúde (apesar do vice-prefeito, candidato a deputado estadual, ser da área médica). Somos uma cidade com política de violência moral contra o povo humilde, contra a juventude que deseja transformações de alto nível, contra os pobres, negros e desempregados, expressa nas falas e pronunciamentos da ACIPG que nega cidadania ao povo pobre e menos escolarizado e que se empenha em negar o princípio de totalidade na politica, que rejeita o fato de que somos nação, povo, país e não um feudo, nas práticas milicianas da Guarda de Patrimônio Público criada pelos petistas, uma das mais ufanistas e autoritárias milícias do interior, fortalecida em seu comportamento reacionário pelos coronéis do pseudo socialismo pepessista. Somos uma sociedade violenta que estupra a população com programação radiofônica, televisiva e impressa de má, distorcida, enganosa e propositadamente ideológica programação.
Temos buracos mortais na educação, do ensino pré-escolar ao doutorado. Nossas escolas padecem de estruturas físicas, bibliotecas fechadas, salas de informáticas em desuso, por preguiça e falta de convicção; professores desincentivados, doentes, avessos aos estudos, porque nas licenciaturas aprenderam que o importante é receber o canudo, atravessaram longos quatro anos em salas de aula, sem ter construído uma boa biblioteca, sem escrito um artigo ou comentário que contribuísse para discussão e edificação do ensino e da educação nos Campos Gerais. A violência e as drogas adentram ao recinto das escolas sem que os professores consigam fazer alguma coisa. A escola está sendo um campus da atuação policial porque as famílias se desobrigaram de educar seus filhos.
O ensino universitário é uma pocilga. Oscila entre a mercantilização do conteúdo e do ensino facilitando a aquisição fácil e segura do diploma de curso superior, sem os pré-requisitos da leitura, da pesquisa universitária, da atividade de extensão séria e popular. Assim quem não obtém êxito na imbecilidade do vestibular em escola pública, entra com facilidade nas faculdades que se multiplicam como lojas de formação acadêmica. Do ensino universitário público não há mais, em 191 anos de nossa história o que esperar. Os concursos públicos contratam elementos para fazer tudo, menos ensinar. As políticas docentes obrigam e estimulam que o professor de menos aula, se prepare menos, leia quase nada e que atue em áreas para a qual não possui sequer a mínima competência, vejam o caso das licenciaturas e o quadro nefasto em que se encontra a escola pública em nossa região. Uma coisa comprova a outra. A universidade se tornou o feudo de tecnocratas, fracassados no campo da política e do serviço social e popular. Temos uma universidade com mais de 40 anos porém, destituída de expressão intelectual, seja em termos de quadro de pensadores, quanto em intervenção na cidade. Se tornou um grande centro que propicia lucros a uma centena de oportunistas que se assenhoreou da burocracia.
Portanto, uma cidade que fisicamente não é atraente. Está cheia de buracos, trânsito assassino, doentes abandonados, sem política de saúde mental pública e suficiente, sem fiscalização de trânsito, falta policiamento nas ruas e bem preparado. Nossas escolas estão com a aparência externa horrorosa que revela o quadro cadavérico em que se encontram internamente. Aqui nomeia-se para cargos administrativos, quem mais se destaca na burrice, caso da Prefeitura e da Universidade exemplificam isto. Quanto mais idiota a figura mais alto o posto.
Falta ao município políticas que incentivem o valor e o respeito dos trabalhadores. Nossos supermercados contratam um funcionário que é, ao mesmo tempo, açogueiro, limpador de chão e caixa. Nossa empresa de ônibus explora pessoal mesclando a função de motorista com a de cobrador. Portanto, uma cidade cruel. Milicianos existem, que ao invés de serem informados sobre as raízes sociais da pobreza e da marginalidade, se envaidecem por terem uma suposta missão de exterminar o que denominam "escórias da sociedade".
As eleições em Ponta Grossa para tudo são vencidas por homens e mulheres comprometidos com as forças mais atrasadas da história do país. O udenismo varre a cidade com violência, tanto em sua versão arenista ou petista, aquele mesmo que viabilizou a vitória da ofensiva reacionária no ensino universitário.
O que comemorar numa cidade em que a Biblioteca Pública tem livros descartados e não encontra quem os queira?
Tudo o que lermos nestes dias de feriado (edições e notícias de domingo passado a terça-feira) sobre o município é descartável, mentiroso, fantasioso, ideológico e sem qualquer correspondência com a realidade. É falsa a idéia paga de que somos uma cidade que progride a passos largos. Deixamos de crescer, perdemos os rumos da industrialização, do emprego digno, da valorização dos trabalhadores-cidadãos. As eras Ciro Martins e Jocelito Canto (Herculano Lisboa) se passaram depressa demais. A periferia da cidade está abandonada, entregue a miséria, as casas de papelão, ao narcotráfico, a estrada sem asfalto, as filas da saúde (apesar do vice-prefeito, candidato a deputado estadual, ser da área médica). Somos uma cidade com política de violência moral contra o povo humilde, contra a juventude que deseja transformações de alto nível, contra os pobres, negros e desempregados, expressa nas falas e pronunciamentos da ACIPG que nega cidadania ao povo pobre e menos escolarizado e que se empenha em negar o princípio de totalidade na politica, que rejeita o fato de que somos nação, povo, país e não um feudo, nas práticas milicianas da Guarda de Patrimônio Público criada pelos petistas, uma das mais ufanistas e autoritárias milícias do interior, fortalecida em seu comportamento reacionário pelos coronéis do pseudo socialismo pepessista. Somos uma sociedade violenta que estupra a população com programação radiofônica, televisiva e impressa de má, distorcida, enganosa e propositadamente ideológica programação.
Temos buracos mortais na educação, do ensino pré-escolar ao doutorado. Nossas escolas padecem de estruturas físicas, bibliotecas fechadas, salas de informáticas em desuso, por preguiça e falta de convicção; professores desincentivados, doentes, avessos aos estudos, porque nas licenciaturas aprenderam que o importante é receber o canudo, atravessaram longos quatro anos em salas de aula, sem ter construído uma boa biblioteca, sem escrito um artigo ou comentário que contribuísse para discussão e edificação do ensino e da educação nos Campos Gerais. A violência e as drogas adentram ao recinto das escolas sem que os professores consigam fazer alguma coisa. A escola está sendo um campus da atuação policial porque as famílias se desobrigaram de educar seus filhos.
O ensino universitário é uma pocilga. Oscila entre a mercantilização do conteúdo e do ensino facilitando a aquisição fácil e segura do diploma de curso superior, sem os pré-requisitos da leitura, da pesquisa universitária, da atividade de extensão séria e popular. Assim quem não obtém êxito na imbecilidade do vestibular em escola pública, entra com facilidade nas faculdades que se multiplicam como lojas de formação acadêmica. Do ensino universitário público não há mais, em 191 anos de nossa história o que esperar. Os concursos públicos contratam elementos para fazer tudo, menos ensinar. As políticas docentes obrigam e estimulam que o professor de menos aula, se prepare menos, leia quase nada e que atue em áreas para a qual não possui sequer a mínima competência, vejam o caso das licenciaturas e o quadro nefasto em que se encontra a escola pública em nossa região. Uma coisa comprova a outra. A universidade se tornou o feudo de tecnocratas, fracassados no campo da política e do serviço social e popular. Temos uma universidade com mais de 40 anos porém, destituída de expressão intelectual, seja em termos de quadro de pensadores, quanto em intervenção na cidade. Se tornou um grande centro que propicia lucros a uma centena de oportunistas que se assenhoreou da burocracia.
Portanto, uma cidade que fisicamente não é atraente. Está cheia de buracos, trânsito assassino, doentes abandonados, sem política de saúde mental pública e suficiente, sem fiscalização de trânsito, falta policiamento nas ruas e bem preparado. Nossas escolas estão com a aparência externa horrorosa que revela o quadro cadavérico em que se encontram internamente. Aqui nomeia-se para cargos administrativos, quem mais se destaca na burrice, caso da Prefeitura e da Universidade exemplificam isto. Quanto mais idiota a figura mais alto o posto.
Falta ao município políticas que incentivem o valor e o respeito dos trabalhadores. Nossos supermercados contratam um funcionário que é, ao mesmo tempo, açogueiro, limpador de chão e caixa. Nossa empresa de ônibus explora pessoal mesclando a função de motorista com a de cobrador. Portanto, uma cidade cruel. Milicianos existem, que ao invés de serem informados sobre as raízes sociais da pobreza e da marginalidade, se envaidecem por terem uma suposta missão de exterminar o que denominam "escórias da sociedade".
As eleições em Ponta Grossa para tudo são vencidas por homens e mulheres comprometidos com as forças mais atrasadas da história do país. O udenismo varre a cidade com violência, tanto em sua versão arenista ou petista, aquele mesmo que viabilizou a vitória da ofensiva reacionária no ensino universitário.
O que comemorar numa cidade em que a Biblioteca Pública tem livros descartados e não encontra quem os queira?
domingo, 13 de julho de 2014
Copa ou eleição: qual a maior desilusão do brasileiro?
COPA
OU ELEIÇÃO: QUAL A MAIOR DESILUSÃO DO BRASILEIRO?
A derrota catastrófica do
Brasil numa semifinal de copa do mundo, em pleno território brasileiro, causou
decepção generalizada a todos nós brasileiros. Jamais esperávamos um desfecho
como esse. Se o objetivo de nossa seleção era entrar para a história, pode-se
dizer que conseguiu. Sofreu um vexame histórico. A maior goleada até então aplicada
à seleção brasileira em seus cem anos de existência. Contudo, minha esperança é
a de que a desilusão de nosso povo resuma-se ao universo futebolístico.
A mídia, no último mês,
apostou suas fichas na copa do mundo. Os demais acontecimentos foram relegados ao
olvido. Todavia, nem só de futebol viverá o homem, mas prioritariamente de
política, a qual influencia diretamente a vivência de cada um de nós. As vésperas
das eleições um desapontamento muito maior do que aquele percebido na copa pode
advir das urnas.
Não podemos mais ser
derrotados por candidatos que nos vendam ilusões, que nos prometam mundos e
fundos e que afirme em alto e bom tom ter a solução para todos os problemas da
nação. A impressão que tenho, a mesma partilhada pelo teólogo Jacques Ellul em
seu livro “Anarquia e Cristianismo”, é a de que a política não tem conseguido
mudar nada de substancial em nossa sociedade e que o sistema de governo
funciona exclusivamente em benefício da classe política. As melhorias, se é que
elas existem, têm caminhado a passos de tartaruga.
Se nos debruçarmos sobre as
origens da palavra “candidato” é bem possível que encontremos luz no fim do
túnel. Do latim candidus refere-se a
alguém sincero e puro. Todo candidato, a meu ver, necessita ter um
comportamento absolutamente cândido. O que me faz pensar que eles deveriam ser suficientemente
sinceros a ponto de não prometerem em campanha aquilo que de antemão, caso
eleitos, não serão capazes de cumprir.
Destarte, escrevo a fim de
sugerir que votemos em candidatos ética e ideologicamente preparados; não
obstante, que nada prometam, pois quem assim age demonstra boa fé e sinceridade
diante da complexidade do sistema e das dificuldades impostas pela triste
realidade. O candidato ideal não é aquele que apresenta carisma e boa lábia,
mas o sujeito que em sua humildade mostra-se comprometido com o bem-estar
social.
Não suportaremos mais uma desilusão.
Desta feita, quem necessita sagrar-se vitorioso não é o candidato “a”, “b” ou
“c”, e, sim, o povo, a democracia, a saúde e a educação.
Nosso povo tão sofrido merece
alegria maior do que a de ser campeão mundial de futebol.
André Jorge Catalan
Casagrande é pastor presbiteriano, mestre em Ciências da Religião e autor do
livro “Jesus na ótica da literatura”. - jorgecatalan@bol.com.br
quinta-feira, 10 de julho de 2014
Cotidiano de luta: 10/07/2014
Cresce o número de motoristas de Ponta Grossa são educados. Andando pelo centro os vejo parando antes da faixa de pedestre mesmo quando teriam a preferência e convidam o pedestre a atravessar em segurança. Pena que não posso anotar a placa e enviar-lhes os parabéns!
As ruas de Ponta Grossa hão de ser conhecidas como campeãs de buracos. As calçadas cheias de oscilações e desníveis, se tornam uma arapuca para idosos e desatenciosos. Temos que caminhar olhando para o chão. Um secretariado municipal que não circula pelo município, que abandona a infraestrutura da cidade e dos distritos. Mas aqui está tudo fora de lugar, tem farmacêutico que atua na área de Engenharia, humorista que se senta na cadeira de administrador público.
Uma das coisas belas que Ponta Grossa possui é o Calçadão da Coronel Cláudio. Aqueles vendedores ambulantes simbolizam o esforço para vencer o desemprego e o autoritarismo nas relações de trabalho, são sinônimo de alegria e de enfrentamento contra o comércio dos privilegiados que os combatem. Eles dão vida ao centro da cidade. Lamenta-se quando precisam sair correndo diante das invistidas da Vigilância Armada que o PT criou contra a população ou dos policiais, alguns, profundamente doentes da mente que derrubam tudo, agridem.
As ruas de Ponta Grossa hão de ser conhecidas como campeãs de buracos. As calçadas cheias de oscilações e desníveis, se tornam uma arapuca para idosos e desatenciosos. Temos que caminhar olhando para o chão. Um secretariado municipal que não circula pelo município, que abandona a infraestrutura da cidade e dos distritos. Mas aqui está tudo fora de lugar, tem farmacêutico que atua na área de Engenharia, humorista que se senta na cadeira de administrador público.
Uma das coisas belas que Ponta Grossa possui é o Calçadão da Coronel Cláudio. Aqueles vendedores ambulantes simbolizam o esforço para vencer o desemprego e o autoritarismo nas relações de trabalho, são sinônimo de alegria e de enfrentamento contra o comércio dos privilegiados que os combatem. Eles dão vida ao centro da cidade. Lamenta-se quando precisam sair correndo diante das invistidas da Vigilância Armada que o PT criou contra a população ou dos policiais, alguns, profundamente doentes da mente que derrubam tudo, agridem.
quarta-feira, 9 de julho de 2014
Inocentes do vício
Agostinho Rocha
Agora me contem, será que esses meninos são culpados? Será que eles tem cara de meninos de rua? Voces acham, mas eu não! Se você sofre, eles também.
A maioria são analfabetos, não sabem um A.
Mas não é por isso que vamos abandoná-los, deixar eles nesse mundo do medo da marginalidade. Vamos lutar com garra!
São viciados, sim, claro são. Mas você não é, não? Ah é! E aquele cigarro que você fuma uma carteira por semana, aquele whisky que você é acostumado a tomar todo dia. Após o trabalho, aquela cerveja que você toma todos os domingos, aquele refrigerante que você toma 3x por semana, aquele adocil que você põe no café sem falar no café com leite que você não pode passar o dia sem tomar um golinho de manhã.
São vícios, por isso pense 10x antes de chamar qualquer um de viciado. Não os leve por trás e sim pela realidade que a vida trás, não são marginais são apenas um começo. Ah! mas ele assaltou minha loja. Sim, mas como eu falei, eles não passam de analfabetos, o jeito é roubar, pois é mais fácil.
Vamos acabar com isso, desde esse momento. Vamos lutar para que no futuro todos nós saiamos lucrados. E que esses meninos tenham casa, comida, escola, trabalho e direitos de liberdade, para que não passem de escravos. Enfim, tudo o que um jovem tem direito.
Esses meninos são vítimas da violência dos pais e da polícia, espancados e maltratados como se fossem cachorros, será que eles merecem isso? Não. Eles são seres humanos como nós.
Obrigado pela atenção de todos.
Agostinho A da Rocha - Ex-menino de rua
-----------------------------------------
Segue um comentário feito por alguém, que não assinou.
"No 1º encontro foi dado o título de "Vítimas ou culpados", eu até achei bom o texto mas acontece que vítimas e culpados somos todos nós. Eles são vítimas por não terem uma colocação para esses meninos, culpados por não arrumarem algo pra fazer mais difícil em vez de ficar por aí entrando na propriedade dos outros.
Nós somos vítimas por sermos assaltados por esses meninos, culpado por nós não arrumarmos casa para esses meninos, dizem que a SOMA vai sair, agora já deram o terreno, agora desculpa é que não tem verba, mas e para o Operário tem 50 milhões tem.
-------------------------------------------
Tenho a cópia original do texto do Agostinho, feito numa das aulas de datilografia do Projeto de Extensão Redescobrindo o Mundo, que envolvia meninos e meninas de rua. Esse projeto era coordenado pela Professora Carmencita de Holleben Mello Ditzel e foi uma das mais nobres realizações da UEPG. Tive o privilégio de participar junto com a acadêmica Edicleia Aparecida dos Santos, hoje, pedagoga da Prefeitura Municipal de Ponta Grossa. O Agostinho demonstra uma riqueza de idéias e sua caminhada demonstrou como se tornou vencedor num mundo hostil aos que sofrem. O texto dele e da pessoa que comentou vem dos anos de 1992.
quinta-feira, 19 de junho de 2014
Péricles de Holleben Mello: segura essa esperança - 1990
PÉRICLES NA CÂMARA
Defesa dos interesses populares e denúncias dos privilégios.
PRINCIPAIS PROJETOS DE LEI APRESENTADOS:
- Tribuna Popular: Permite as lideranças populares utilizarem a tribuna da Câmara uma vez por mês;
- Passe livre aos Estudantes: concede 50 passes de ônibus gratuitos por mês para estudantes de 1ª a 8ª série, cujas famílias têm renda inferior a 3 salários mínimos;
- Imposto progressivo sobre os lotes vagos dos grandes especuladores imobiliários;
- Criação dos Conselhos Municipal de Saúde, Educação e Meio Ambiente com caráter deliberativo;
- Proibe e penalize os hospitais conveniados com o INAMPS pela cobrarnça de serviços médicos prestados a população mais pobre;
- Obriga a Prefeitura Municipal a fornecer gratuitamente o levantamento topográfico e mapas necessários para efeito de Usucapião do solo urbano.
PRINCIPAIS DENÚNCIAS
- Elevação artificial das tarifas de transporte coletivo pela Viação Campos Gerais;
- Contratação ilegal de Servidores Municipais sem concurso público;
- Utilização de máquinas da Prefeitura por grandes fazendeiros e grandes empresários;
MOVIMENTO POPULAR
- Auxílio a criação de diversas Associações de Moradores;
- Luta ao lado dos moradores da Vila Coronel Cláudio e Boa Vista pela conquista da terra.
Defesa dos interesses populares e denúncias dos privilégios.
PRINCIPAIS PROJETOS DE LEI APRESENTADOS:
- Tribuna Popular: Permite as lideranças populares utilizarem a tribuna da Câmara uma vez por mês;
- Passe livre aos Estudantes: concede 50 passes de ônibus gratuitos por mês para estudantes de 1ª a 8ª série, cujas famílias têm renda inferior a 3 salários mínimos;
- Imposto progressivo sobre os lotes vagos dos grandes especuladores imobiliários;
- Criação dos Conselhos Municipal de Saúde, Educação e Meio Ambiente com caráter deliberativo;
- Proibe e penalize os hospitais conveniados com o INAMPS pela cobrarnça de serviços médicos prestados a população mais pobre;
- Obriga a Prefeitura Municipal a fornecer gratuitamente o levantamento topográfico e mapas necessários para efeito de Usucapião do solo urbano.
PRINCIPAIS DENÚNCIAS
- Elevação artificial das tarifas de transporte coletivo pela Viação Campos Gerais;
- Contratação ilegal de Servidores Municipais sem concurso público;
- Utilização de máquinas da Prefeitura por grandes fazendeiros e grandes empresários;
MOVIMENTO POPULAR
- Auxílio a criação de diversas Associações de Moradores;
- Luta ao lado dos moradores da Vila Coronel Cláudio e Boa Vista pela conquista da terra.
sábado, 3 de maio de 2014
O dito professor é a mais poderosa arma contra o professor
O Jornal da Manhã publicou no dia 30 de abril artigo, Coluna Debates, cujo título merecia ser "o direito de nenhum" ou então, "Professores sob a ótica do carrasco". O comentário é extenso e o Jornal deu cordas ao algoz da educação. Erros ou artimanhas propositais das ideologias autoritárias que menosprezam a luta dos professores por condições dignas de trabalho, melhores condições de sala de aula, renovação de valores humanísticos na sociedade e preservação da saúde de docentes e trabalhadores da educação são constatáveis no comentário. O autor inventou um "sindicato local" de professores, considera as reivindicações dos colegas injustas e falsas, nega-lhes o direito de manifestação e greve, garantidas pela Constituição Federal de 1988, é conhecedor de rostos e competências, pois não encontrou em Ponta Grossa, professores à altura dos colegas paulistas, deve ter assistido aulas de todos, pois os considera dispensáveis pelos diretores. Deve ter confundido diretor com educador. É impressionante o uso da palavra tradicional na fala do autor, clara demonstração dos interesses que ingênua ou conscientemente defende. Criminaliza o movimento professoral por suposto serviço prestado ao Governo Federal e exime-se da responsabilidade e da imbecilidade de estar defendendo um nefasto governo na esfera estadual, que não só desmonta a educação básica. Os professores são corruptos em sala de aula, afirma a filosofia do grande literato, autor de best seller. Depois formula perguntas que qualquer estudante do nível primário, com mínimo de leitura responderia com êxito. Vamos ao artigo fascistóide em relação ao professorado paranaense.
Qual o pano de fundo desse tipo de análise, serviçal de governos neoliberais, de ideologias do darwinismo social? Imaginemos que durante a Segunda Grande Guerra alguns judeus colaboraram com Hitler e Mussolini no extermínio de judeus e minorias, ou que, gays colaborem com os gabinetes de Bolsonaro e Malafaia contra os de mesma condição. Isso é possível. Nesse sentido o comentarista presta excelente serviço aos seus colegas professores, que tendo-o como algoz, poderiam dispensar governantes como o Governador Campos Salles (PR, 2012-2016) conhecido por defender que funcionários públicos não devem se organizar nem estudar.
Os professores não são tolos, sabem que em seu meio, nem todos buscam melhor educação, como sabem que em seu meio, há os que gostariam de ver os colegas em situação pior, que gostariam de vê-los calados e subservientes ao poder público anti-educação. Mas, não é interessante ver que não é por qualquer motivo que um grupo de professores resolve dar a cara para bater, sujeito a violência policial ou verbal dos felinos do governo pela imprensa, enquanto defende não apenas o seu contracheque mas o dos colegas que não aderem à greve?
A esclerose intelectual, pior das doenças ideológicas, não permite a um professor perceber que, na história da sociedade brasileira, nenhuma conquista aconteceu sem violência, conforme escreve o historiador Nelson Werneck Sodré. Esperar que governantes que patrocinam o obscurantismo e promovem seus interesses pessoais concedam benefícios e mudanças à educação te nome, subserviência e traição ao povo.
O autor foi atrevido em julgar a luta de seus colegas pelo juízo que faz de si próprio, ora se achando o melhor dos professores, ora juiz das causas sociais, quando estas dependem do nível de leitura que e espera de um professor consciente e responsável. Não fica bem negar o direito de concepções políticas aos companheiros, quando fica nítido num texto fascistóide a sua própria, o antipetismo.
O texto é extenso com tanta bobagem e frustração. Vale recordar que a revista VEJA ou o Mickey não são a Bíblia do professorado. Enquanto a leitura do último serve para infantes a do outro para quem não preza por qualidade no que lê, embora ser enganado também seja um direito humano. Os professores não apreciam isto.
O autor destas linhas acompanha o movimento sindical estadual e a luta de todo o funcionalismo público do Paraná para que tenhamos escolas mais equipadas, professores com aperfeiçoamento contínuo, professores com melhor saúde física e mental, com salários dignos de quem aguenta um cotidiano enlouquecedor, numa época em que a sociedade capitalista sacrifica e transfere para o docente todas as atribuições suas como a de ser pai e mãe, polícia, mentor religioso, educador social e outras. Lutamos para que se tenha um SAS (serviço de atendimento à saúde do servidor público do Paraná) de qualidade, com consultas mais frequentes nas especialidades. E tem havido melhorias, mas graças as lutas, aos buzinaços, a pressão na Assembléia Legislativa, na frente do Palácio Iguaçu, das Escolas. A luta é o motor da história. Aqueles que nasceram para viver agachados que respeitem nosso direito de andar de cabeça erguida. Somos militantes pela educação e o seremos até o fim.
Qual o pano de fundo desse tipo de análise, serviçal de governos neoliberais, de ideologias do darwinismo social? Imaginemos que durante a Segunda Grande Guerra alguns judeus colaboraram com Hitler e Mussolini no extermínio de judeus e minorias, ou que, gays colaborem com os gabinetes de Bolsonaro e Malafaia contra os de mesma condição. Isso é possível. Nesse sentido o comentarista presta excelente serviço aos seus colegas professores, que tendo-o como algoz, poderiam dispensar governantes como o Governador Campos Salles (PR, 2012-2016) conhecido por defender que funcionários públicos não devem se organizar nem estudar.
Os professores não são tolos, sabem que em seu meio, nem todos buscam melhor educação, como sabem que em seu meio, há os que gostariam de ver os colegas em situação pior, que gostariam de vê-los calados e subservientes ao poder público anti-educação. Mas, não é interessante ver que não é por qualquer motivo que um grupo de professores resolve dar a cara para bater, sujeito a violência policial ou verbal dos felinos do governo pela imprensa, enquanto defende não apenas o seu contracheque mas o dos colegas que não aderem à greve?
A esclerose intelectual, pior das doenças ideológicas, não permite a um professor perceber que, na história da sociedade brasileira, nenhuma conquista aconteceu sem violência, conforme escreve o historiador Nelson Werneck Sodré. Esperar que governantes que patrocinam o obscurantismo e promovem seus interesses pessoais concedam benefícios e mudanças à educação te nome, subserviência e traição ao povo.
O autor foi atrevido em julgar a luta de seus colegas pelo juízo que faz de si próprio, ora se achando o melhor dos professores, ora juiz das causas sociais, quando estas dependem do nível de leitura que e espera de um professor consciente e responsável. Não fica bem negar o direito de concepções políticas aos companheiros, quando fica nítido num texto fascistóide a sua própria, o antipetismo.
O texto é extenso com tanta bobagem e frustração. Vale recordar que a revista VEJA ou o Mickey não são a Bíblia do professorado. Enquanto a leitura do último serve para infantes a do outro para quem não preza por qualidade no que lê, embora ser enganado também seja um direito humano. Os professores não apreciam isto.
O autor destas linhas acompanha o movimento sindical estadual e a luta de todo o funcionalismo público do Paraná para que tenhamos escolas mais equipadas, professores com aperfeiçoamento contínuo, professores com melhor saúde física e mental, com salários dignos de quem aguenta um cotidiano enlouquecedor, numa época em que a sociedade capitalista sacrifica e transfere para o docente todas as atribuições suas como a de ser pai e mãe, polícia, mentor religioso, educador social e outras. Lutamos para que se tenha um SAS (serviço de atendimento à saúde do servidor público do Paraná) de qualidade, com consultas mais frequentes nas especialidades. E tem havido melhorias, mas graças as lutas, aos buzinaços, a pressão na Assembléia Legislativa, na frente do Palácio Iguaçu, das Escolas. A luta é o motor da história. Aqueles que nasceram para viver agachados que respeitem nosso direito de andar de cabeça erguida. Somos militantes pela educação e o seremos até o fim.
domingo, 27 de abril de 2014
Queima de livros em Ponta Grossa
Queima de livros em Ponta Grossa
Fabio Anibal Goiris
Corria o ano de 1933 quando em
várias cidades alemãs foram organizadas em praças as famosas queimas públicas de
livros, com a presença da polícia, bombeiros e outras autoridades. O objetivo da cremação literária era destruir
todo o material que fosse crítico ou se desviasse dos padrões impostos
pelo regime nazista. Era a Bücherverbrennung promovida pelo nazismo. Obras
de autores célebres como Thomas Mann, Walter Benjamin, Bertold
Brecht, Albert Einstein e Sigmund Freud foram reduzidas a cinzas. O poeta
Heinrich Heine disse uma frase premonitória: "Onde se queimam livros,
acaba-se queimando pessoas”.
Antes
mesmo, as primeiras escritas em tabletas de argila
produzidas pelos sumérios já sofrearam processos de queima e destruição como
resultado de ações de guerra. A mais célebre biblioteca da Antiguidade, na
cidade egípcia de Alexandria, que albergou as obras de Euclides, Arquimedes,
Platão e Galeno, também acabou destruída. O Mestre Jorge Luis Borges em sua
obra ‘Outras inquisições’ relata também o caso do imperador chinês que ao mesmo
tempo em que ordenou a edificação da gigantesca muralha mandou queimar todos os
livros anteriores a ele.
A
verdade é que os livros são objetos tão importantes quanto frágeis. Suscetíveis mesmo a diversas ameaças sejam naturais – traças,
inundações, incêndios – como também oriundas do descaso e da indiferença dos
homens e ainda das mais destrutivas paixões como o fanatismo religioso e a
censura ideológica. É isto que diz o ensaísta venezuelano Fernando Báez no seu
livro ‘História Universal da
Destruição dos Livros’ no qual trata do tema da aniquilação de
bibliotecas ou ‘biblioclastia’ que o autor denomina também de ‘memoricídio’.
O
que estarão pensando Castro Alves, Machado de Assis, Euclides
da Cunha, Lima Barreto, Graciliano Ramos, Cecília Meireles, Carlos Drummond de
Andrade, Clarice Lispector entre tantos outros sobre o fato de uma biblioteca
pública da cidade de Ponta Grossa estar prestes a incinerar mais de 20.000
livros. Pesa sobre estes livros a acusação de estarem contaminados por fungos
perigosos à saúde, originados certamente em razão do descaso
e da impassibilidade humanas. Não custa lembra que o período do prefeito
Pedro Wosgrau filho que governou de 2005 a 2012 representou um tempo obscuro e
pouco iluminado para a cultura da cidade.
Por fim, o que diria o paranaense
Paulo Leminski?. Em sua obra ‘Catatau’ Leminski louvava o poder da leitura e da
cultura e indiretamente defendia as ideias modernistas de Oswald de Andrade (Manifesto Antropófago, 1928).
Catatau satirizava o colonizador como também o espírito desagregador dos ‘doutos
escolásticos’ transportados para terras selvagens. Leminski dizia que os livros
podem ser queimados, mas não as ideias. Resta lembrar um
provérbio de Paulo Leminski: “bolor não pega na pedra que vira”.
O
autor é cientista político e professor da Uepg. Endereço: fgoiris@hotmail.com
Poetas pontagrossenses: Fernando Cheres - 2ª Parte
Poetas de Ponta Grossa: uma interpretação (Parte II)
Fabio
Anibal Goiris
O jornal Diário dos Campos entrevistou em
comemoração ao ‘Dia Nacional da Poesia’ quatro poetas pontagrossenses – Amália Max, Sérgio Monteiro Zan, Kleber Bordinhão e Luis Fernando Cheres. A poetisa
Amália Max já foi citada no artigo anterior. O segundo entrevistado foi o
professor do curso de letras da Uepg Sérgio Monteiro Zan.
Herdeiro
do simbolismo, Zan, incorpora em sua obra poética alguns elementos como: pouca
ênfase no realismo e no naturalismo e grande ânimo aplicado em
temas místicos, imaginários e subjetivos. O poeta pontagrossense publicou em
2001 o livro de sonetos As horas
sonâmbulas, publicado pela
editora da Uepg. Na entrevista Zan afirma que é preciso que haja poetas. Não há civilização que
não os tenha, porquanto eles são sempre a voz maior, a interpretação suprema de
um povo e de uma cultura.
Na sua obra há nuanças da
corrente individualista (ou intimista), inclusive como herança de um simbolismo
sui generis como no trecho abaixo:
Signo que irrompe a espaços e imprevisto
Permeia a plúmbea contrição bendita
Da mente, ilhado claustro
em que persisto.
Mas,
como todo poeta, Sérgio Zan não esconde a vertigem de certo romantismo que não
abandona completamente seu trabalho, como pode ver-se no seguinte soneto:
Absorvo o fixo afago silencioso,
O sereno fulgir glauco e
amoroso
Desses olhos de outrora,
que me fitam.
A poesia de Sérgio Zan se alinha à erudição do
próprio autor. Poliglota e literato Zan não pretende simplificar seus versos,
antes incorpora um léxico por vezes complexo, mas, que denota a busca daquilo
que simplesmente pode chamar-se de intuição. Sérgio Zan é um ícone desta forma
de construir poemas que mistura mitos, ilusão e simbologia:
Por infindáveis, tétricos in-fólios,
O ultraje imemorial de
altos espólios,
Fraude ou verdade antiga,
sua e alheia,
Escoam-lhe na noite fria
e quieta,
Mortas, à sombra enorme
da ampulheta,
As
horas e as palavras com a areia...
O terceiro entrevistado pelo Diário dos Campos foi o jovem poeta
Kleber Bordinhão que certamente encontrou no bardo concretista Décio Pignatari
sua primeira inspiração. Aliás, a expressão
‘poesia concreta’, a rigor só surgiu em 1955, criada por Augusto de Campos e
compartida pelo seu irmão Haroldo. A obra de Kleber pode ser entendida como
pós-moderna não no sentido ideológico, mas, quanto à sua complexidade
discursiva que mistura poemas concretos, haicais e epopeias contemporâneas.
Outra inspiração de Kleber foi certamente o extraordinário
poeta paranaense Paulo Leminski que defendia no seu ‘Catatau’ a ideia
romanceada de que Descartes poderia ter vivido nos trópicos. Kleber Bordinhão afirma que entre seus poetas
preferidos estão Alice Ruiz (esposa de Leminski), Arnaldo Antunes, Luiz Antônio
Solda, além de Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira.
Em 2010 Kleber publicou o livro ‘Distancias do mínimo’
(mais recentemente publicou ‘Ano Neon’), onde pode ler-se um belo poema no qual o autor faz uma construção
de palavras e conceitos (do cotidiano) tendo como pano de fundo o próprio
tempo:
Ontem quis escrever
uma dor
mas
fosse hoje, já não podia
hoje,
virou alegria
e
quando tocar o papel
será
heresia
será
escândalo
será
poesia,
não
há dia que eu não tema
ficar
lembrando da vida
sem
viver um poema
Por fim, Kleber Bordinhão, vencedor
do Concurso Nacional de Poesia, da editora Taba Cultural, com o poema “Pecados
Essenciais”, envereda sua arte sob forte influencia da poesia concreta
brasileira, dos haicais leminskianos e certamente do urbanismo pós-moderno.
O
quarto e último poeta pontagrossense entrevistado pelo Diário dos Campos foi Luis Fernando Cheres. Formado em Letras e
Direito pela Uepg, Luiz Cheres incursiona numa forma de poesia ficcional que
utiliza elementos realistas intelectivos e os combina com valores do cotidiano,
tal como pode notar-se no ‘modelo’ ou arquétipo que o autor propõe para
‘construir’ um poeta. Especificamente para erigir as pernas do poeta o autor
recomenda:
Faça-as como as dos antílopes, das
pulgas,
das formigas. Teça-as com raízes de
árvores.
Poeta não precisa de pernas para
viajar.
E
eis aqui o segredo de sua criatura:
o poeta tem pernas nos olhos, tem
pernas na língua.
Tão fácil tecer um poeta.
Luis
Fernando Cheres afirma que teve influencias inicialmente dos poetas Manuel
Bandeira e Carlos Drummond de Andrade dos quais aprendeu a arte de ‘ler
poesia’. Depois vieram Fernando Pessoa e Manoel de Barros. Na prosa, Machado de
Assis, João Guimarães Rosa, Luis Vilela, Dalton Trevisan... Há ainda o grande
escritor paranaense Miguel Sanches Neto, autor muito próximo de Cheres, que se
destaca tanto na prosa quanto na poesia (como em Venho de um país obscuro, 2000).
O poeta Luis Cheres entende,
corretamente, que a linguagem da poesia atravessa uma crise. Para o autor a
poesia -e o poeta- recebe valorização apenas de ‘uma
pequena elite intelectual’. Isto não significa, porém, que a poesia seja uma
arte erudita. Ariano Suassuna, por exemplo, apresenta uma poesia comprometida
com a cultura popular. Além disso, diz Luis Cheres, a linguagem poética é muito
mais ‘difícil’ que as demais linguagens, ou seja, trata-se de uma linguagem (ou
discurso) com características próprias que acaba dificultando um pouco sua
compreensão’.
Finalmente, a homenagem aos quatro
poetas pontagrossenses representa um tributo aos muitos outros poetas da
cidade: experientes e jovens, homens e mulheres. Todos eles certamente procuram
transformar a arte poética num discurso não apenas aprazível, mas, inspirador,
democrático e popular.
O autor é cientista
político e professor da Uepg. Endereço: fgoiris@hotmail.com
Poetas pontagrossenses - 1ª parte
Poetas
de Ponta Grossa: uma interpretação (Parte I)
Fabio
Anibal Goiris
O jornal Diário dos Campos estampou na sua capa
do dia domingo 16 de março uma justa e bela homenagem a todos os poetas da
cidade. Entrevistando quatro poetas pontagrossenses de diferentes estilos e tendências – Amália Max,
Sérgio Monteiro Zan, Kleber Bordinhão e Luis Fernando Cheres – o jornal prestou sua homenagem ao ‘Dia Nacional
da Poesia’, que se comemora a cada 14 de março.
Do ponto de vista das Ciências
Sociais e Políticas a poesia é uma das expressões artísticas mais populares,
embora sujeita também a interpretações ideológicas. A poesia desconhece classes
sociais (pode nascer em qualquer contexto), fazendo parte, sobretudo, da
cultura popular. Permeada por seu lirismo característico, arrebata leitores de
todos os níveis e penetra em diferentes contextos sociais e econômicos. Mesmo
temas reais e pragmáticos, como as guerras e revoluções, podem originar um
poema e comover pessoas.
O Brasil é prodigo em poetas. Castro Alves, por
exemplo, que nasceu em 1847 na Bahia, talvez tenha sido o mais brilhante e
genuíno representante do romantismo que, em alguns poemas, incorpora uma
preocupação social. Em ‘O navio negreiro’, por exemplo, Castro Alves descreve
assim este quadro social:
São os filhos do deserto, onde a terra esposa a luz.
São
os guerreiros ousados que com os tigres mosqueados combatem na solidão.
Ontem
simples, fortes, bravos. Hoje míseros escravos. Sem luz, sem ar, sem razão...
Não é por acaso que Carlos Drummond
de Andrade no seu poema ‘De mãos dadas’ escreve sobre
o valor da poesia, na forma de um signo, que combina o conceito (significado) e
a imagem acústica (significante), como um paradigma do presente:
Não
serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.
Assim,
os poetas da cidade de Ponta Grossa cantaram (e cantam) o presente e certamente
apontam para o futuro. Por exemplo, Anita Philipovsky (1886-1976), poetisa
pontagrossense deixou em ‘Os poentes da minha terra’, uma das mais belas expresão
liricas dedicadas à cidade:
Os poentes da minha terra
São belos,
Tão belos,
Mas tão belos
Como nunca ninguém viu fora daqui.
Uns são roxos... outros amarelos...
Outros de bronze com pedrinhas de
rubi...
A poetisa Amália Max, descendente de imigrantes do Volga,
nasceu em Ponta Grossa em 1929 e fez emergir sua obra na condição de trova
(integrou a obra
Antologia de Trovadores no Paraná, publicado em 1984). Aliás, a antiga trova era cantada pelo trovador ou vate (isto é
válido também para a cultura espanhola) e hoje é composta geralmente de um poema
de quatro versos. Amália Max ganhou centenas de prêmios em concursos de trovas
chamados de ‘Jogos florais’. Na Antiguidade
Clássica as competições literárias eram feitas em homenagem à deusa Flora: os
vencedores ganhavam pedras preciosas com formato de flores. A obra de Amália Max, segundo a própria autora, é permeada pela saudade, um dos temas
mais presentes nas suas trovas. Assim, sob o impacto do
realismo, mas, com elementos marcantes do romantismo a autora descreveu em
verso o arco-íris:
O arco-íris tão bonito
e
de tão finos arranjos
é
só o varal do infinito
secando
a roupa dos anjos!
Amália Max mostra sua
sensibilidade e feminilidade num poema que demonstra todo seu talento para
descrever o seu tema favorito, a saudade:
Meus olhos azuis se embaçam,
acabando
por chorar,
quando
meus braços se abraçam
por
não ter quem abraçar.
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