sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

 

MARIA BUENO


Com olhos rasos de interesse, Curitiba vem assistindo ao “fiat” de uma Santa, isto é, a metamorfose em Santa de uma pobre mulher assassinada.

A canonização popular não se delonga, porém, na tartaruguice da outra; é mesmo mais expedita que a equipolente do ritual eclesiástico, faz justiça á moderua: encurta os largos prasos intelocutórios e salta os degráos hierarquicos conducentes ao definitivo incenso no radioso nicho.

Rapido o processo agiologico de Maria Bueno. Na caligem de torva noite de Janeiro de 93 a infeliz tombou quasi degolada, a punhal, pelo sinistro amasio, soldado de cavalaria. Dentro em pouco apareceu a luz de pelejante vela no baldio, que fôra palco da tragédia, na Rua Campos Geraes, ora Avenida Vicente Machado. Preito de saudade de algum parente, de alguma sócia de boemia ou desobriga da primeira promessa? Seguiram-se outros cirios, saudosos ou votivos, já agora acompanhados de flores naturaes e de artificio, modestas corôas de papel. Joelhos em terra companheiras da assassinada, em compungida prece.

O numero foi crescendo e com variações epidermicas: não mais só mulatos e pretos, também brancos e louros. Homens e mulheres.

No “Sistema dos Mitos” assevera Oliveira Martins que “por toda a parte são as mulheres as depositarias das superstições”. É querer eximir o sexo forte de uma fraqueza, em que da mesm’arte incorre. O mausoléo de Maria Bueno foi paga de milagre financeiro; o comerciante, assim pontual nos compromissos, haveria talvez de safar-se da borrasca da falência por força da própria correção, sem adjutorio extra-terreno. Os menos apulentos saldam os debitos com toscos ex-votos, rôxas palmas de glicinias; ramalhetes pobres; de preferencia velas e tantas são que o tumulo e adjacencias resplandecem em luminaria, perene como a pira das Vestaes. A crendice, porem, não se contenta: ha fitas baratas e ricas com franjas de ouro, papeluchos com gatafunhos, cartões de agradecimento, bilhetes a lapis, mão tremula no marmore funebre…

“Obrigada, ele já voltou”

_ “Santa Maria Bueno faças que minha ferida feche-se. Salve rainha Mãe de misericordia”…

Ao lado triste portadora de cancer entrega-se à miraculosa terapeuta prometendo um rosario, isto é, nada menos de 15 padres-nossos, e 150 ave-marias. “Fazei que me case com a pessoa que mais amo no mundo”. Outra pede, aflita: “Tenho fé. Que meu marido viva comigo”. Alem: “Ponho a Zizi sob vossa proteção”. En fim, inumeras suplicas relativamente aos mais variados interesses. Até estudantes! “Fazei que eu passe no exame, que acendo uma vela”. Predomina, porém, o peditorio sobre assunto de amores. Deve ser a especialidade da santa. Decoram o mausoléo duzias e duzias de placas de marmore com agradecimentos, anonimosou com iniciaes.

Pouco se lhe dá, ao beaterio maribuenense, a objurgatoria da Egreja ou que Santo Agostinho, fosse desentusiasta do cultodos mortos, com a intolerancia: “se eles viveram mal, quem quer que seja, não deve ser adorado”. A decaída apunhalada continua, entanto, objeto de adoração fetequista. Não preocupa a cohorte dos seus fieis que S. Gregorio Nazianzeno duvidasse as almas, mesmo as santas, “pudessem ouvir estas coisas”, as suplicas dos vivos, ou que teologos e exegetas, saturados das Escrituras, afirmem que os anjos e os santos não são intermediários junto de Cristo; a santa Maria Bueno permenace inacessível em seu supersticioso altar. Mas, enfim, que fez ela para que a veneração animista da arraia social se dilatasse, subindo em halo, até contagiar as camadas superiores?

Sabe-lo-iamos se a canonisação fosse catolica, em cujo processo há sobre a vida do candidato esmerilhador debate entre o Advogado de Deus, procurador da Sacra Congregação, e o promotor Advogado do Diabo.

Sabe-se ao certo que Maria Bueno, filiação desconhecida (pelo menos de Antonio José Gomes que fez as declarações no Registro Civil) era uma parda de 30 anos quando foi vítima do punhal do amasio, sendo inhumada a 29 de Janeiro de 1893 no cemiterio municipal, sepultura n. 3.903.

Do registro de obito a 30 desse mez pelo escrivão Jeronimo Gomes de Medeiros, consta: “Faleceu em consequencia de hemorragia devido a ferimentos profundos do pescoço, hontem das 2 para as 4 horas da manhã, nesta cidade”. Atestado medico: dr. Antonio Rodolpho Pereira de Lemos.

A vivissima atualidade de que gosa Maria Bueno dá impressão de ser de ontem o caso, entretanto são passados 46 anos e já se acham embaralhadas as versões. Alferes do 8º regimento de cavalaria, ao tempo, o sr. major Alcebiades Plaisant escreveu que o criminoso se chamava José Diniz, aspeçada desse corpo, a vitima era marafona e navalha a arma empregada. Escrivão do crime, o sr. Otavio Secundino informa: Maria Bueno lavadeira á rua Saldanha Marinho, assassinada a punhal pelo amasio, cabo Diniz da Silva, de profissão civil barbeiro. Deste pormenor talvez aquela substituição do punhal pela navalha. Fóra de duvida: a mancebia e o assassinio; a controversia nos detalhes não destrói a essencia da lenda.

Ao que se assegura, a fama de Maria Bueno nasceu com a descoberta do assassino, e que foi rara obra de sortilegio. Para logo a suspeita da autoria do crime recaíra no amante, mas o cafuz nordestino escudou-se em invulnerável alibi: praça do 8º regimento de cavalaria, José Diniz na noite criminosa estivera de guarda na caserna, sem faltar aos brados d’armas na rendição dos quartos. Nada mais convincente. Esmagador. Aconteceu, entretanto, que uns recrutas fachineiros lidando no poço, movida a roldana, içam o velho balde, cuja beirola largo uso rendilhara de bicos aos quaes se enroscara pequena trouxa. Admirados, abrem-na; envolvia ensaguentado punhal, uma gondóla azul-ferrete, ás costas certo numero em algarismos brancos. Era o numero do soldado. Confessou. Vestira a gondóla por sobre o uniforme; noite alta, saira sorrateiro ajustando contas de ciúmes com a amasia e voltara, tudo em acelerado. Graças a essa intervenção divina, foi condenado ao trintenio da pena máxima. O impressionante passe de taumaturgia restara incontrastavel, se outro (e este fóra da lenda) não viesse por sua vez beneficiaro réu: pouco depois, no ano seguinte, a cidade é tomada pelos Federalistas, que desaferrolham as portas da cadeia. E o assassino de Maria Bueno respira, impune, as auras da liberdade. Aliás por breve tempo: reincide logo no crime perpetrando um homicidio no Pilarzinho; a justiça revolucionaria, embora incoherente pois soltara a fera, foi pronta: Diniz, de joelhos junto ao portão do quartel, recebe a descarga mortal.

Para os fanáticos de Maria Bueno este desfecho não entra em linha de conta: o que vale é aquela liberdade com o escancarar das portas presidiarias, exatamente o primeiro milagre da nova santa, atendendo-se a que a desgraça, apesar-de-tudo, amava o bandido…

1939


Euclides Bandeira – Cronicas locaes. Tipografia da Escola de A. Artifices, Curitiba, 1941

sexta-feira, 16 de agosto de 2024

A ideologia como resistência

Fabio Anibal Goiris 

O linguista britânico, Norman Fairclough, professor emérito da Universidade de Lancaster, no seu livro “Discurso e mudança social” (2016), cunhou a palavra comoditização para se referir não à tradicional produção de mercadorias (commodities), mas, a certas formas particulares de produção, distribuição e consumo. O autor cita os cursos de língua inglesa. Não há mais a preocupação pelo ensino essencialmente cultural e cientifico da língua inglesa, mas, pelo seu uso utilitário (no sentido de visar a produção de valor agregado e lucro dentro do sistema de produção).

O mesmo fenómeno parece estar ocorrendo com a ideologia política. No passado, era possível ver as pessoas chegarem às cabines de votação com a mais sincera convicção ideológica de votar a favor dos princípios democráticos que, pelo menos em tese, norteavam o partido e o seu candidato. Deste cenário surgiram importantes correntes e movimentos ideológicos: o getulismo, o ademarismo, o janismo, o malufismo, o brizolismo e especialmente o lulismo (ver “Os sentidos do Lulismo”, de André Singer, Companhia das Letras, 2012). O único movimento que permanece ideologicamente vivo, pelo menos até o momento, é o lulismo, entendido como de esquerda ou de centro esquerda. O lulismo com seu pragmatismo sindical, vanguardismo político e realinhamento eleitoral, conseguiu alterar (inclusive a seu favor) as relações entre democracia e capitalismo no Brasil.

A ideologia é um termo de vários sentidos. Por um lado, pode ser apenas o estudo de um conjunto de ideias (Destutt de Tracy), por outro, pode transformar-se numa terrível e sub-reptícia hegemonia que visa manipular, dominar e controlar as pessoas e a própria realidade natural e social (Karl Marx). Hoje, a ideologia, particularmente aquela que representa as convicções ideológicas dos eleitores, vem perdendo espaço para o neologismo comoditização (ou mercantilização) da política. A luta desenfreada pelo poder político está cada vez mais valorizada comparativamente à desvalorização da ideologia política. Assim, as convicções ideológicas foram sendo substituídas pelas coligações partidárias que não obedecem a nenhum critério ideológico. Agremiações políticas que defendem programas de esquerda se coligam abertamente a partidos com programas partidários de direita. A antiga verticalização era uma tentativa jurídica que obrigava a aliança de partidos com identidades ideológicas semelhantes. Porém, foi mais

uma ideia que não foi adiante, inclusive porque a Emenda Constitucional, EC, 52/2006, desobrigou a vinculação das alianças estaduais às coligações partidárias nacionais. Um avanço eleitoral e democrático ocorreu com a introdução das federações (Lei nº 14.208/2021) que normatiza a reunião de partidos, com duração de 4 anos, evitando a extinção de partidos menores e barrando, em tese, as alianças fisiológicas. São exemplos de federações: Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), Federação (PSDB- Cidadania) e Federação (PSOL-Rede). Não obstante, a finalidade da união de partidos, mesmo dentro das federações, continua sendo a mesma: traz vantagens para as campanhas eleitorais, como mais tempo de televisão e a possibilidade de receber verbas dos outros partidos integrantes. Nada mais do que isto. No fim das contas, as ideologias políticas, em especial aquelas que defendem os direitos humanos, continuam praticamente excluídas do processo. Assim, percebendo a ausência das ideologias (em especial as ideologias progressistas), o eleitor é compelido a pensar que todos os partidos políticos (e seu líderes) procuram unicamente um objetivo: obter cargos públicos, desde os eletivos até os de nomeação, de confiança e até os de nepotismo (como os Nepo babies).

É possível entender que os confrontos e polarizações, que tem por base a comoditização e a mercantilização da política, conseguem favorecer muito mais as ideologias de direita (como o próprio bolsonarismo), uma vez que são correntes que têm usado e abusado do discurso autoritário e populista de direita (leia-se fake news). Além disso, o conservadorismo político se conecta vivamente às religiões pentecostais (ramificações do evangelismo e adeptos da teologia da prosperidade), visando formar uma frente de direita. Esta é a origem da Bancada BBB no Congresso Nacional: bancada da bala, do boi e da bíblia.

É preciso lembrar que a extrema direita (ou ultradireita) a cada dia tenta encontrar o seu espaço no espectro da direita tradicional. A deputada francesa Marine Le Pen, do partido Reunião Nacional (agremiação de perfil racista e xenófoba), chegou a surfar nessa onda. Este tipo de ideologia de direita é a que vem sendo combatida permanentemente por ideologias progressistas e de resistência e pelas filosofias humanistas (que defendem os direitos humanos e a democracia). O escritor Bernardo Carvalho, usando uma metáfora da economia (valor nominal x valor real), diz que o grande perigo do mundo contemporâneo é a chamada normalização da extrema direita, onde, esta ideia, é vendida na mídia, através do conservadorismo, pelo seu valor nominal (sem inflação, sem perigo), escondendo, entretanto, o seu valor real (inflacionado, atroz e ameaçante).

O século 21 vem mostrando que as posturas e ideologias de esquerda passaram a assumir um papel de relevância (e de resistência) na sua luta a favor da mudança social. Cabe enfatizar que mudanças sociais ocorrem graças aos esforços coletivos de pessoas que atuam em movimentos sociais para mudar a política social ou a própria estrutura do governo. Um exemplo recente são os resultados das eleições legislativas na França onde se verificou a vitória da coalizão Nouveau Front Populaire (Nova Frente Popular, NFP), formada pelos quatro maiores partidos de esquerda e centro-esquerda no país. Com estes resultados eleitorais evitou-se a consolidação da ultradireita na França. O papel da ideologia de esquerda é justamente defender alguns valores democráticos que a ideologia da ultradireita recusa ou abandona.

Nesse contexto, recentemente, Wilson Gomes, publicou um artigo intitulado “Normalizar a ultradireita é inevitável”, onde o professor faz uma defesa da extrema direita como sendo uma corrente democraticamente legitima e a luta contra esse movimento, diz o autor, deveria ser dada pelo voto, nas urnas. Para o professor, a extrema direita veio para ficar. Ao mesmo tempo, o autor estigmatiza aqueles que porventura se refiram à direita como “fascismo”.

Contrariamente, em excelente réplica, o professor de filosofia da USP, Vladimir Safatle, escreveu o artigo “Extrema direita já foi normatizada pelos políticos e pelos formadores de opinião”, no qual denuncia a gravidade do fato de (os adeptos do conservadorismo e da direita) recusarem ou desconsiderarem a existência de um movimento catastrófico global (promovido pela ultradireita) de essência autoritária e representando uma espécie de esgotamento terminal das ilusões da democracia.

A ‘normalização da extrema direita’ nunca foi realizada pelos eleitores (pelos cidadãos comuns, especialmente aqueles das classes subalternas). O que se verifica é que amplos setores da classe média conservadora (em conluio com a classe burguesa), representa o núcleo central da ultradireita. Não se pode negar, entretanto, que um setor das classes proletárias tem votado em candidatos da direita e da extrema direita. A alienação do homem, fenômeno inerente ao capitalismo, é a que estaria genealogicamente incitando esses votos na ultradireita.

A ideologia burguesa e a alienação (na concepção de Marx e Gramsci), produzem a ‘mistificação da realidade’ e representam a influência (hegemônica) exercida (por um grupo ou classe social) visando moldar a cultura e a identidade de uma sociedade. A

alienação, já foi referida por Marx como o estranhamento do homem em relação a si mesmo e aos outros indivíduos. Na alienação a pessoa perde a real noção de sua identidade e de seu valor como indivíduo. Marx argumenta que, sem alienação, os trabalhadores teriam controle sobre o processo de produção e o próprio produto, impossibilitando a apropriação do valor excedente (mais valia) pelo capitalista. A alienação (ou falsa consciência), por um lado, e a naturalização (por meio da hegemonia da classe dominante) das desigualdades sociais, por outro, têm como resultado os votos para a extrema direita.

Vladimir Safatle concluiu o seu artigo dizendo: “Pois, aos que pregam a normalização da extrema direita eu diria que há tempo ela já esteve normalizada. Não pelos eleitores [das classes proletárias], mas pelos políticos [de direita e de extrema direita] e formadores de opinião liberais (jornalistas, educadores, professores universitários, sociólogos, politólogos e intelectuais, do espectro direitista). Há uma aliança objetiva entre os dois grupos [políticos de direita e formadores de opinião]”.

Cabe apontar para o fato de que a ‘normalização da extrema direita’ já faz parte da agenda do debate político e isto é extremamente ameaçador, especialmente para os grupos mais vulneráveis: imigrantes, pobres, mulheres, negros, indígenas e a própria esquerda ideológica. Neste contexto, é sempre positiva para a democracia e os direitos humanos a presença vigilante das ideologias, particularmente aquelas progressistas e de resistência. O pensador argentino Ernesto Sabato (1911-2011), em sua obra La Resistencia (Editora Seix Barral, Buenos Aires, 2000), convoca os cidadãos a se posicionarem criticamente diante das ideologias hegemônicas e reacionárias, encarnando uma consciência crítica e humanizada.

No Brasil, já houve tempo em que a ideologia política exercia um papel democrático importante. Direita e esquerda já se digladiavam desde o império. Abolicionistas e republicanos contra a monarquia. Integralistas contra comunistas e ambos contra o Estado Novo. Carlos Lacerda e a UDN contra Vargas, Juscelino Kubistchek e Jango. Arena versus MDB, e, por fim, na Nova República, desde 1985, PSDB, de centro direita, e PT, de esquerda. Hoje, contrariamente, o aspirante a cargo eletivo não é mais identificado pela sua ideologia. O candidato coloca apenas o seu nome de batismo e a sigla do seu partido. Neste quadro, dois prefeitos candidatos à reeleição, João Campos (PSB) e Eduardo Paes (PSD), respectivamente prefeitos do Recife e do Rio

de Janeiro, disparam nas pesquisas sem que tenham posto suas posições ideológicas no tabuleiro.

Pode-se concluir que a coerção, a exclusão, a violência e a desigualdade podem fazer parte de qualquer sociedade civil (na bela e civilizada Itália nasceu o fascismo e a grande República de Weimar deu origem e sustentou o nazismo). Esses processos ideológicos reacionários devem ser resistidos e contestados em nome de valores aderentes à democracia e aos direitos humanos.

O autor é professor da UEPG, Universidade Estadual de Ponta Grossa. Graduado em Direito pelo Cescage. Mestre em Ciência Política pela UFRGS, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Realizou curso de Sociologia Política na Universidade de Londres, Inglaterra. Escreveu diversos livros como “Estado e política: a história de Ponta Grossa”, 2015.n - Contato: fgoiris@hotmail.com

sábado, 22 de setembro de 2018

Neofascistas ponta-grossenses dão as caras

22 de setembro de 2018 - sábado, 11 horas, fascistas e neonazistas ponta-grossenses fazem carreata pela Avenida Vicente Machado, começando pela Balduino Taques encerrando no Parque Ambiental. Poucos carros, muito barulho. Na carroceria jovens, rapazes e moças dançam. Jovem locutor repete o tempo todo a única frase que consegue entender "Bolsonaro: para mudar o Brasil de verdade". Ponta Grossa é o cú do mundo. Sempre se prestou a esses papéis, embora tenha uma praça do Expedicionário. Aqui monarquistas, senhores feudais, se unem com órfãos de Aécio Neves, paladino direitista e udenista da moral e do suposto combate à corrupção. Símbolo da esperança, do juízo, do interesse popular, da contradição, a presença da Professora Hebe Gonçalves do Curso de jornalismo da Universidade local, sempre atuante e combatendo as forças retrógradas que infestam o cenário nacional em suas múltiplas manifestações (locais, regionais, nacionais ou externas), que transitava pela parte que antecede a escadaria do Terminal Central.

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Muita gente arrependida do voto. Desde as eleições majoritárias à escolha do Diretor da Escola. Reconhecimento de que abraços, linguiçadas, almoços parceiros, visitas, promessas em panfletos, eram apenas parte de um teatro ideológico e enganador. A Direita venceu em todas as esferas. Nas campanhas humildes cordeirinhos pediam nosso voto nos corredores, nas praças, na mídia. Eleitos ou usurpando o poder, marcamos a conversa e encontramos, quando encontramos, uma alcatéia.

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Erramos ao votar em indivíduos que não construíram história de lutas pelo povo, pelo país ou pelo funcionalismo público ou pela nossa classe. Elegemos personalidades que aparecem apenas em épocas de eleições e somem nos quatro anos que se seguem, ou que do nada apareceram. Quem dá a cara para bater nas lutas pelos direitos dos trabalhadores? Quem está nas greves e manifestações sociais? Somos tão idiotas que é nestes que, definitivamente não votamos. Consideramos ser radical demais lutar pelos nossos direitos.
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sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Lula à altura de Getúlio Vargas


Fabio Anibal Goiris

Corria o ano de 1945 e o Estado Novo, ou Terceira República, instaurado por Getúlio Vargas chegava ao fim. Iniciar-se-ia no Brasil um período mais democrático. O ex-presidente Vargas estava deposto do poder, mas, não foi mandado ao exílio, não teve seus direitos políticos cassados e tampouco estava resepondendo a qualquer processo judicial. Expulso do Palácio do Catete, Vargas refugiou-se em sua estância em São Borja, numa espécie de auto-exílio.
Vargas tinha a seu favor uma corrente popular chamada ’queremista’. Ou seja, ‘queremismo’ era um movimento político cujo slogam era ‘Queremos Getúlio’, considerado ‘o pai dos pobres’. As eleições presidenciais de 1945 estavam próximas e Getúlio Vargas, fora do poder, tencionava apoiar o general Eurico Gaspar Dutra. Faltando apenas cinco dias para o fim da campanha eleitoral Getúlio Vargas pronunciou a célebre frase: “Votem em Dutra”.
Não obstante, a grande dúvida era se Getúlio Vargas era capaz de transferir seus votos para o candidato Eurico Gaspar Dutra (que era do seu partido o PSD – Partido Social Democrático). A história demontrou que sim e Dutra foi eleito presidente da Republica com 55% dos votos. Foi a única vez na historia do Brasil em que se conseguiu fazer transferência de votos em um curto espeço de tempo com grande sucesso para eleger um presidente.
Qualquer semelhança com Luiz Inácio Lula da Silva do Partido dos Trabalhadores (PT) não será mera coincidencia. Lula, como de alguma forma Getúlio Vargas, em apenas 8 anos, transformou o Brasil. Iniciou programas sociais de sucesso como o Bolsa Familia e o Minha Casa Minha Vida, aumentou o salário mínimo e tirou pelo menos vinte e cinco milhões de brasileiros da extrema pobreza. Com a operação Lava Jato foi acusado e condenado sem provas e, hoje, preso em Curitiba, detêm mais de 37% das intenções de voto para Presidente da Republica. Da mesma forma que Getúlio Vargas tinha o ‘queremismo’, Lula tem a seu favor o fiel e agudíssimo movimento político denominado por André Singer como Lulismo.
Saliente-se que o quadro atual de candidatos a presidente é ubíquo e inexpressivo, especialmente à direita do espectro político. Percebe-se que os candidatos a presidente apresentam defeitos graves em seus discursos e plataformas. Jair Bolsonaro diz defender valores militares, mas, o seu discurso não condiz, por exemplo, com a natureza da coragem ligada à defesa da pátria, própria dos militares. Bolsonaro, na verdade, defende ideias autoritárias. Geraldo Alckmin e Ciro Gomes se apresentam apenas como gestores e administradores de crises, mas, jamais como paradigmas de popularidade ou como lideranças que pensam o Brasil como um todo. Somente Lula encarna os anseios e valores populares de um país profundamente oprimido, explorado e subjugado pelo capitalismo selvagem. Nestas eleições de 2018 se observa, pois, uma ausência de lideranças políticas expressivas no campo da direita. Uma direita que gosta de ser chamada de centro, mas, que é reacionária e alimenta o fascismo.
Assim, não será nenhuma novidade se Lula transferir seus votos para Fernando Haddad, hoje com 4% das intenções de voto. Do mesmo modo que Getúlio Vargas transferiu seus votos para o candidato do seu próprio partido, o general Dutra (PSD), Lula certamente irá impulsar a candidatura de Haddad também do PT. Em quaisquer perspectivas: 1) Lula não sendo candidato por interferência autoritária da justiça (denunciada inclusive pela ONU) e 2) Fernando Haddad sendo candidato a presidente (como substituto de Lula) e tendo como vice Manoela D’Ávila (PC do B), o que se vislumbra no futuro é um segundo turno das eleições com a presença de um representante do PT. Preparemo-nos para uma guerra democrática e sem quartel.
O autor é cientista político, Professor Doutor da Uepg, autor de "Estado e Política: a historia de Ponta Grossa, Paraná" - Endereço: fgoiris@hotmail.com

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Médicos versus Dentistas: a luta pela estética facial

Fabio Anibal Goiris
            A mudança de paradigma é uma expressão utilizada por Thomas Kuhn no seu livro Estrutura das Revoluções Científicas (1962) para descrever uma transformação que ocorre nas concepções tradicionais, dando lugar a novas perspectivas dentro da ciencia dominante. A Odontologia, por exemplo, vem passando por uma mudança de paradigma no que se refere à estética facial. Mas, uma troca de paradigma carrega consigo também fatores ou elementos sociais, políticos e pessoais (subjetivos), pois, caso contrário, não haveria necessidade da substituição de um paradigma por outro.
            Tradicionalmente a Odontologia não incorporou no seu arsenal terapêutico a questão da harmonização ou estética facial. Apenas os médicos, especialmente os especialistas em cirurgia plástica, poderiam atuar nesta área. Este era o paradigma. Mas, a Resolução 176/2016 do Conselho Federal de Odontologia (CFO), autoriza que a utilização de toxina botulínica (botox) e de outros preenchedores faciais e inclusive de Lifting facial com fios de sustentação de formação de colágeno e tração mecânica podem ser realizados para fins estéticos pelo cirurgião-dentista, desde que não extrapole sua área anatômica de atuação. 
            Como resposta a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) entrou na justiça para impedir que a classe odontológica possa realizar os procedimentos. Um inquérito foi aberto e uma audiência está marcada para 11 de dezembro na 5ª. Vara Federal, no Rio Grande do Norte, para tentar resolver a questão. É preciso esclarecer que não existe relação de hierarquia entre os conselhos federais de cada classe.
            A grande arma na mão dos médicos é que eles possuem a Lei do Ato Médico (Lei 12.842), aprovada em Brasília em 2013, a qual determina que a execução de procedimentos invasivos é de competência médica. Isto significa também que a utilização de cirurgias estéticas é de exclusividade dos médicos. Mas, a aprovação desta lei teve problemas. Por exemplo, o projeto de lei transformaria a prática da acupuntura em privativa dos médicos, o que iria contra a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares do Sistema Único de Saúde. A presidenta Dilma Rousseff, na época, vetou este trecho em favor dos acupunturistas.
            Os cirurgiões-dentistas argumentam que após 5 anos estudando a anatomia e histologia da face, teriam conhecimento suficiente para a aplicação de terapias estéticas. Alguns dentistas afirmam que atia restrição feita pelos médicos está relacionada muito mais a uma reserva de mercado e não necessariamente a uma questão técnica. Por seu lado, os médicos argumentam que o mais importante é a segurança dos pacientes, particularmente nos casos de possíveis complicações. Eles afirmam que tem aumentado os casos de pacientes com problemas relacionados a operações de harmonização facial. As complicações podem ir de alergias até isquemias (obstrução de vasos sanguíneos), o que pode levar à necrose da região.
            Algumas conclusões podem ser pensadas em face deste novo paradigma: 1) Existe uma necessidade de o cirurgião-dentista ter cursos de capacitação extensivos e sempre legalizados pelos CFO e CRO; 2) É importante iniciar aulas específicas nos cursos de graduação, pois, são procedimentos que fogem à sua formação profissional; 3) Sem dúvida os médicos tem mais capacitação para diagnosticar e tratar os casos de complicações; 4) Cada país tem regras diferentes o que dificulta um consenso (nos EUA apenas em parte é permitida a realização pelos cirurgiões-dentistas); 5) Haverá de existir um dia entendimento para a multidisciplinariedade? e 6) Os grandes perdedores por enquanto são os pacientes que não sabem a quem recorrer. São dilemas do surgimento de novos paradigmas que somente a passagem inteligente do tempo poderá dissipar.
           
                                   O autor é professor adjunto do Curso de Odontologia da UEPG; especialista, mestre e doutor em Periodontia. Mestre em Ciência Política. Endereço: fgoiris@hotmail.com

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Menos, por favor!

"Grande parte da imprensa de Ponta Grossa se esmera na bajulação em relação à atual vice-prefeita da cidade, Elizabeth Schimit. Inclusive dias atrás li em uma revista de fofocas local, que a mesma "é uma unanimidade". É para rir ou chorar? Elizabeth é mais uma remanescente do grupo do ex-prefeito Wosgrau Filho, que em 2012 tornou pública críticas pesadas em relação ao então candidato Marcelo Rangel, chegando ao ponto de se desligar do DEM, quando este partido declarou apoio ao candidato do PPS. Além de ter reproduzido um e-mail nada honroso contra Sandro Alex na campanha de 2008, quando disputavaa o segundo turno contra Wosgrau. Por essa e por outras que a política exige estômago de aço e hipocrisia em dia. A imprensa local precisa parar com a mania de rasgar seda e ver as coisas como elas são. Elizabeth não é a primeira prefeita da História. Ela foi eleita vice. Menos, por favor".
Sandro Ferreira - publicado no Diário dos Campos, de Ponta Grossa, no dia 18 de janeiro de 2017, página 2A.



[Elizabeth Schimidt, Vice Prefeita de Ponta Grossa, História de Ponta Grossa, Marcelo Rangel, Prefeitura de Ponta Grossa]

sábado, 5 de novembro de 2016

triste retorno do fascismo no Brasil

. Aqueles que residem em Ponta Grossa (PR) por trabalho ou por estudo e não transferiram seus títulos, não votaram, são responsáveis pela eleição lamentável do mais mediocre dos prefeitos do Brasil. Gestão 2017-2020. É claro que ele representa uma cultura que deixou de melhorar na região. É o resultado de uma escola que não ensina, ao gosto dos defensores da Escola sem partido, preferida pela legião de analfabetos funcionais que povoam o Brasil. Representa o fracasso de um ensino superior completamente alienado das necessidades da população. Com certeza, somos o município dos celulares, whatzaps, menos dos livros e da leitura.