domingo, 25 de novembro de 2012

Münchenfest: uma pretensa tradição

Em épocas de Münchenfest, como a que vem chegando, é inevitável a reflexão sobre as pseudo-tradições ponta-grossenses que afloram concomitantes à festa.
Em A invenção das tradições (Hobsbawm, Ranger, 1997.) Eric Hobsbawm estabelece a diferença entre tradição inventada, tradição genuína e costumes. A primeira constitui-se de um conjunto de ritos de natureza simbólica que se estabelece pela repetição visando uma continuidade com o passado. A segunda também, mas com a diferença de que tem sua origem indefinível no tempo. Já os costumes são formados por práticas sociais que podem se inovar, mantendo vínculo de permanência com o antecedente, mas sem consolidação de um aparato simbólico ou ideológico.
Em Ponta Grossa, tem-se o costume de todo ano realizar uma festa que tenta incutir, insatisfatoriamente, uma tradição germânica inventada para a mesma.
É fato que não houve exclusividade da imigração alemã na cidade. É claro que ela aconteceu e foi expressiva, mas ela foi tão significativa (e não mais significativa) quanto as de outras etnias, como a dos poloneses, por exemplo. Por isso, é improvável conceber a festa, que tenta ser de tradição unicamente alemã, como genuinamente tradicional da região.
É claro que não é necessária uma veemente descendência na cidade para se ter uma festa de tradição alemã. Contudo, é difícil identificá-la também como a invenção de uma tradição. Os elementos simbólicos utilizados para caracterizar a festa como tradicional alemã não conseguem por si só lhe sustentar essa identidade. As dancinhas e os floridos vestidos das sorridentes candidatas à rainha e as bandinhas, cujos integrantes usam suspensórios e calções verdes, (e quem frequenta o pavilhão nas noites de festa sabe que além de algumas músicas de cunho germânico elas tocam também samba, pagode, pop etc.), são alguns dos rituais simbólicos utilizados para dar o clima germânico à folia, mas que sucumbem frente ao frenesi que gira em torno dos mega shows de artistas de fama nacional. No ano passado, por exemplo, não havia um adorno na cidade que fizesse referência a um evento de cunho alemão acontecendo em Ponta Grossa, e quase todo o material de divulgação da festa fazia alusão aos shows que estariam ocorrendo. Isso porque os organizadores precisam atrair público para o centro eventos (um espaço distante do centro urbano), e é natural que foquem o material de marketing nos principais atrativos da München, ou seja, os shows.
Outros pequenos detalhes também desfiguram a festa de sua pretensa identidade. Experimentem comer um chucrute na München. Até se pode encontrá-lo, escondido em algum restaurante dentro do centro de eventos. Mas é mais fácil, e é também economicamente mais viável, deliciar-se de um X-pernil (desses vendidos em vários trailers pela cidade).
Alguns conterrâneos se referem de forma nostálgica às primeiras edições da festa, conforme idealizada e realizada por Jan Strassburger (particularmente, o autor desse texto não viveu esses momentos para comparar e opinar). Mas, segundo Hobsbawm, os costumes têm como característica irem se renovando, mantendo vínculos apenas com o momento antecessor, não com a história ou com o passado.
Por esses motivos, a Münchenfest caracteriza-se mais como um costume do que como uma tradição, seguindo, é claro, as conceitualizações de Hobsbawm.
Por fim, salienta-se que esse texto não é uma crítica e, por esse mesmo motivo, não apresenta sugestões, mas apenas uma reflexão sobre as questões identitárias da Münchenfest. Afinal, é uma festa, e o que realmente importa não são as questões de tradições que giram em torno dela, mas que as pessoas possam se divertir com seus amigos ou com suas famílias, com segurança, uma boa estrutura e um preço acessível.
Jeverson Nascimento - jeversonnascimento@gmail.com
(http://www.jmnews.com.br/noticias/ponta%20grossa/42,27392,21,11,munchenfest:-uma-pretensa-tradicao.shtml)

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Intelectuais e escritores da região - 2012

1. Ciências sociais, política e cidadania

Isonel Meneguzzo - filho do nacionalista Ivan Meneguzzo, falecido e ex-professor de Problemas brasileiros da UEPG. Professor concursado do Paraná, entrou na UEPG em 2012, como efetivo no Departamento de Geociências, minitrando aulas para diversos cursos. Além das aulas que são elogiadas por alunos e colegas, doutorando na UFPR, intervém com frequência na imprensa escrita, cujos artigos, cartas e comentários, destacam a importância do povo e da cidadania.


Renoaldo Kaczmarech - funcionário do corpo técnico da Universidade. Ex-professor temporário da UEPG, biólogo com vasta experiência em Herbários, é o mais relevante historiador pontagrossense, especializado em alto nível, no Império Romano (medievalista). Suas preocupações com a eficiência da educação escolar é das mais dignas de menção, mesmo que em alguns pontos se discorde de suas conclusões. Defensor da educação antiga, dos métodos tradicionais de ensino, da disciplina rígida na escola e na importância do exercício professoral independente do salário que se receba. No âmbito da historiografia é dos que se posicionam contra a história regional e é ardoro defensor do patrimônio histórico.


2. Nas letras

Maria Ines Cordeiro - funcionária pública estadual na Universidade. É artista plástica. Escritora consagrada. Tem publicado um livro de poesias que traduzem as paixões mais intensas da alma. Maior parte de sua produção está divulgada na internet e, infelizmente, não publicada no mercado editorial. No Recanto das Letras estão disponibilizadas suas especulações.


3. Na pesquisa e nas ciências

Giovani Marino Favero - Uma das marcas das faculdades e da universidade local é ausência de professores vinculados a vida, à existência humana, ao social. Se constitui naqueles personagens que entram na universidade em busca de emprego e sobrevivência, aproveitando-se da condição de graduado ou pos-graduado. Estes comparecem apenas para sua aulas, vão pra casa, cuidar de filhos e animais de estimação. Não são capazes de produzir qualquer idéia, abstração ou texto sobre o cotidiano.
Desde que ingressou na Universidade, mediante concurso público, aproximadamente uns quatro anos atrás, Giovani se revelou um professor preocupado com a filosofia da ciência, com o exercício mental e intelectual a respeito das razões sociológicas da pesquisa acadêmica. Nessa articulação entre o saber sistematizado e a vida cotidiana o fez incursar pelo caminho das letras, da produção literária, que não nasce apenas com o seu primeiro livro editado comercialmente, "O terceiro olho e outras histórias", lançado pela Editora Ithala com os gastos realizados pelo próprio autor. O primor do texto garante que renderá edições posteriores e sucesso de crítica.

2012 - História e cultura

1. Fatos positivos

(1) Eleição de Fernando Haddad (PT) prefeito de São Paulo. Ex-professor da USP, Ministro da Educação, corajosamente favorável a publicação do polêmico kit gay para as escolas, vinculado ao governo Lula e Dilma, significa a derrota do serrismo/PSDB em São Paulo. Governará São Paulo de 2013-2016. As eleições de segundo turno ocorreram em 4/11/2012.

(2) Vitória de Maurício Fruet (PDT) prefeito de Curitiba, no segundo turno. Representava a aliança entre PT, Governo Dilma e PDT paranaense. A derrota do lernismo e do modelo de governo de Beto Richa. Sinal de que haverá nova interrupção da linha neoliberal no Paraná. Governará Curitiba entre 2013-2016.


2. Fatos negativos

(1) Eleição do humorista Marcelo Rangel para a prefeitura de Ponta Grossa. O nível de compreensão política e intelectual do candidato eleito, pode ser averiguada numa entrevista dada por ele ao jornalista Emmanuel Fornazari, Jornal da Manhã, de 4/11/2012. Rangel representa a continuidade dos latifundiários dos Campos Gerais no poder, associado aos resquícios semi-feudais do PR, apoiado por Beto Richa. Governará de 2013-2016.


3. Fatos culturais

(1) Morre Regina Dourado, das mais belas e competentes atrizes. Será lembrada quando da novela ficou famoso com o personagem Salgadinho. 28/10/2012.

(2) Lançamento do livro "O terceiro olho e outras histórias" - do Professor Giovani Marino  Favero, Editora Ithala, de Curitiba. O livro será apresentado ao público no dia 7/11/2012, às 19.30 hs. Em Ponta Grossa.

Quem é o governador do Paraná - Campos Salles (2010-2013)

Duas palavras minhas:
1. Muita gente da UEPG anda junto com Campos Salles, limpando as cuspidas dele;
2. O prefeito eleito de Ponta Grossa (2013-2016) orgulha-se de ter o apoio de Campos Salles;



Porque afastei-me do comando do PSDB-PR
Afastei-me do comando do PSDB do Paraná porque coerência é respeito à população. Não poderia apoiar no Estado o que combato com veemência em Brasília. O modelo promíscuo de governo instituído em Brasília foi transplantado para o Paraná. Nepotismo, fisiologismo escancarado e loteamento sem escrúpulos engordando a estrutura da administração publica e comprometendo sua eficiência. Esse é o sistema vigente no país e que combato. Instala-se o balcão de negócios para a cooptação dos partidos políticos a pretexto de se garantir a propalada governabilidade. Rima-se governabilidade com promiscuidade. Com isso limita-se numericamente a oposição reduzindo a fiscalização, a crítica e a denúncia. Os governantes ficam confortáveis para errar. Gastam fortunas em publicidade enganosa para iludir a opinião pública e angariar popularidade. O povo paga caro por isso! Não compactuo e continuarei combatendo. Fiquei quase dois anos em silêncio esperando por mudança de postura. Quem governa o Paraná não mudou. Não posso mais ficar calado!

http://www.esmaelmorais.com.br/2012/11/tucano-x-tucano-alvaro-dias-detona-governador-beto-richa/

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Novos vereadores - 2013-2016

-Adélia Aparecida Souza (PSD)
Solteira
46 anos
Adélia irá exercer o cargo de vereadora pela primeira vez. Natural de Ponta Grossa, Adélia possui o Ensino Médio Completo e concorreu às eleições pela coligação 'Coração Ponta-grossense'. Ao lado de Ana Maria de Holleben (PT), Adélia será a segunda representante das mulheres na Casa com a saída da parlamentar Alina de Almeida César.

-Aliel Machado Barrk (PCdoB)
Casado
23 anos
Aliel é uma liderança que vem do movimento estudantil em Ponta Grossa e disputou pela primeira vez, neste ano, a eleição a um cargo público. Natural de Ponta Grossa, ele possui Ensino Superior Incompleto e concorreu pela coligação 'Viva Ponta Grossa'. Aliel apresentou propostas afinadas com os anseios da juventude e também integrou mobilizações relacionadas à luta pelo transporte público de qualidade. Atuou ainda na ParanáEsportes e foi assessor parlamentar na Assembleia Legislativa do Paraná. Foi o segundo vereador mais votado na cidade.

-Altair 'Taico' Nunes Machado (PTN)
Casado
55 anos
Taico é comerciante, possui Ensino Superior completo e se elegeu pela coligação 'União por Ponta Grossa', ligada à Frente Popular. Taico já havia disputado a eleição de 2008 e agora obteve votação suficiente para assumir mandato na Câmara. Durante a campanha, sempre enfatizou sua origem humilde e que seu primeiro trabalho foi como engraxate.

-Antonio Aguinel Ferreira Batista (PCdoB)
Solteiro
36 anos
Aquinel, como é mais conhecido, nasceu em Imbituva (PR) e disputou a eleição pela coligação 'Viva Ponta Grossa'. Motorista do transporte de cargas, Aquinel obteve destaque depois de ser demitido de uma empresa de transporte coletivo local por liderar uma greve. Possui Ensino Médio completo e disputou cadeira na Casa em 2008 e a eleição para deputado estadual em 2010.

-Antonio Laroca Neto (PDT)
Casado
51 anos
Natural de Ponta Grossa, Laroca possui Ensino Superior incompleto na área do Direito. Concorreu à eleição pela coligação 'Ponta Grossa pode mais', sendo que já havia disputado a eleição municipal de 2008. Laroca é bastante conhecido pelo trabalho que desempenhou como gerente da Agência do Trabalhador em Ponta Grossa. Integra o PDT, partido que não contava com representação na Casa nesta última legislatura.

-Daniel Anderson 'Milla' Fracaro (PSDB)
Casado
29 anos
Empresário de uma rede de panificadoras com Ensino Superior Completo, Daniel é natural de Pato Branco, no Sudoeste do Paraná. Daniel concorreu à eleição pela coligação 'Socialistas Democratas' e possui Ensino Superior Completo. 'Milla', como é mais conhecido, obteve destaque na presidência da União dos Empresários do Santa Paula e Região (Unespar) que brigou por conquistas para a região, a exemplo da garantia de implantação da 2ª Companhia da Polícia Militar. Daniel não exerceu nenhum mandato anteriormente.

-Ezequiel Marcos Ferreira Bueno (PRB)
Casado
36 anos
Ezequiel é pastor da Igreja do Evangelho Quadrangular em Ponta Grossa, mesma cidade em que nasceu. Possui Ensino Superior completo e também declarou ser servidor público estadual. Disputou a eleição pela coligação 'União por Ponta Grossa'.

-Jorge Rodrigues Magalhães (PDT)
Casado
41 anos
Mais conhecido como o 'Jorge da Farmácia', é nascido em Querência do Norte (PR) e possui Ensino Superior Incompleto. Empresário, Jorge disputou a eleição municipal de 2008 e é reconhecido por prestar assistência às pessoas que necessitam de atendimento médico dentro e fora da cidade. Concorreu à eleição pela coligação 'Ponta Grossa pode mais'.

-Luiz Bertoldo da Silva (PRB)
Casado
48 anos
Nascido em Carangola (MG), Luiz Bertoldo é pastor da Igreja Universal do Reino de Deus e disputou a eleição municipal pela coligação 'União por Ponta Grossa'. Luiz declara ser formado em radiodifusão, tendo atuado como apresentador de rádio e televisão. Em Ponta Grossa, atua fortemente na evangelização, possui programas de rádio, além de coordenar o PRB nos Campos Gerais.

-Marcelo Aparecido de Barros (PT)
Casado
35 anos
Mais conhecido como 'Marcelo Capoeira' ou 'professor Careca', Marcelo possui Ensino Médio Incompleto e concorreu à eleição pela coligação 'Viva Ponta Grossa'. Colocou-se em evidência ao organizar movimento de moradores da região do Santa Marta e Ouro Verde em busca de melhorias relacionadas à conservação de vias, saneamento básico e instalação de equipamentos públicos. Deverá integrar o bloco da oposição.

-Pietro Arnaud Santos da Silva (PTB)
Casado
29 anos
Ex-coordenador do Procon Municipal, Pietro concorreu à eleição pela coligação 'Ponta Grossa em Ação', ligada à Frente Popular. Com Ensino Superior completo em Direito, Pietro nasceu em Ponta Grossa e está estudando ainda, também em nível superior, a prática da Gestão Pública Municipal. Pietro irá exercer seu primeiro mandato na Câmara.

-Rogério Mioduski (PPS)
Casado
55 anos
Rogério já foi vereador em Ponta Grossa, é natural de Palmeira (PR) e disputou a eleição pela coligação 'Coração Ponta-grossense'. Possui Ensino Superior Incompleto e entre as lutas em que esteve envolvido recentemente está a reivindicação por melhorias relacionadas à segurança na Avenida Souza Naves. Ele esteve à frente de manifestações e reuniões convocadas para discutir o tema com autoridades na cidade.

-Romualdo Camargo (PSDC)
Casado
48 anos
Contador, nascido em Manoel Ribas (PR), Romualdo Carmago -o 'contabilista Camargo'- preside o PSDC em Ponta Grossa, foi pré-candidato a prefeito no Município e disputou a eleição pela coligação 'Humanista Cristã'. Foi diretor da Câmara Municipal e já havia concorrido à vaga na Casa na eleição municipal de 2008.

-Valdenor Paulo do Nascimento (PSC)
Casado
47 anos
Conhecido como 'Paulo Cenoura', é nascido em Palmeira (PR) e possui o Ensino Médio completo. Comerciário, Cenoura já havia disputado cadeira na Câmara na eleição municipal de 2008. Disputou o pleito pela coligação 'Humanista Cristã' e deverá integrar o bloco da situação na Casa.
http://www.diariodoscampos.com.br/politica/conheca-os-novos-vereadores-de-pg-61371/

domingo, 4 de novembro de 2012

Nível intelectual de um prefeito eleito pela maledicência

Passada uma semana da eleição mais disputada da história de Ponta Grossa, o prefeito eleito com 50,48% (88.611 mil votos), Marcelo Rangel (PPS), concede à reportagem do Jornal da Manhã uma entrevista exclusiva, pela qual o novo administrador municipal promete lançar o ‘Cartão Transporte’ até o segundo semestre de 2013 e contratar médicos para implantar de imediato o atendimento em regime de plantão nas unidades de saúde.
Rangel também comenta a estratégia de campanha e as críticas à administração de Péricles de Mello (PT), concorrente na disputa à Prefeitura, e que já governou Ponta Grossa entre 2001 e 2004. “Nós fizemos isso da maneira mais correta politicamente falando”, avalia.
O novo prefeito acredita que o governador Beto Richa (PSDB) dará prioridade a Ponta Grossa devido às derrotas em outras grandes cidades do Estado e afirma que vai transformar a Prefeitura em uma “grande usina de bons projetos” para contar também com o apoio do governo federal. Confira abaixo os principais trechos da entrevista exclusiva com Marcelo Rangel. A íntegra da reportagem está disponível no portal JMNews.
JORNAL DA MANHÃ: Prefeito, vamos começar por um dos seus atuais ambientes de trabalho. O senhor vai conciliar a Prefeitura com a rádio?
MARCELO RANGEL:
Talvez eu não consiga estar na rádio todos os dias, mas eu pretendo continuar fazendo este trabalho porque eu acho importante as pessoas terem contato com o prefeito e eu poder escutá-las. Vou colocar muitos ouvintes no ar, para falar sobre os problemas nos bairros e nas comunidades.
JM: Pretende fazer do rádio quase uma ouvidoria?
MARCELO RANGEL: Sem dúvida. É isso mesmo! Porque o rádio é assim mesmo. Esse contato próximo é muito interessante. As pessoas querem ter um contato mais íntimo com o prefeito e eu acho que através do rádio a gente pode continuar esse vínculo.
JM: Agora passada a eleição, como o senhor avalia a campanha?
MARCELO:
A disputa enriquece as propostas, as ideias e o bom debate. Eu acabei aprendendo muito com essa campanha. Foi uma campanha de muita cobrança para os candidatos. Eu fui muito cobrado, principalmente, em relação aos debates, as entrevistas e também nas reuniões com a sociedade organizada. Eu tive reuniões com praticamente todos os setores que representam secretarias do município, com entidades, em associações e nos bairros, ouvindo as pessoas e também recebendo os reclames e as cobranças. Isso acabou me ilustrando muito e hoje eu me sinto muito mais preparado para exercer o cargo de prefeito justamente por ter passado por uma campanha tão difícil como essa.
JM: Qual foi o momento mais difícil da campanha?
MARCELO:
Durante todo o processo nos tivemos momentos de muito estudo, de mudanças de estratégias, debatendo as propostas que tiveram melhor aceitação pública, mas eu acredito que o segundo turno foi muito mais emblemático. A partir do momento que nós recebemos a pesquisa do Ibope que não condizia com a verdade, sentimos que houve uma mudança, inclusive, no posicionamento do eleitorado. A campanha se tornou muito mais difícil, porque quando saiu o Ibope com 49% [Péricles] a 40% [Marcelo], com nove pontos de diferença, aquilo naquele momento não condizia com a verdade. As nossas pesquisas mostravam completamente ao contrário, mostravam que nós estávamos na frente. Aquilo tornou a eleição bastante difícil, porque o eleitorado acabou comprando a ideia. O candidato Péricles subiu e eu caí em virtude da pesquisa. Ficou muito justa a diferença e durante a semana nos notávamos que estávamos muito próximos um do outro, mas em nenhum momento em nossas pesquisas nós ficamos atrás do outro concorrente.

JM: Como se deu a decisão de começar a criticar o Péricles, lembrando da administração dele entre 2001 a 2004?
MARCELO:
No segundo turno é preciso estabelecer diferenças. O eleitor precisa conhecer o seu candidato, inclusive, pelas suas diferenças administrativas, de personalidade e de ideologia. Então, eu tomei a decisão de que precisávamos também falar um pouco sobre a administração passada [do Péricles], sobre os erros que aconteceram e sobre o meu desempenho na Assembleia Legislativa que era diferente do meu adversário. Meu desempenho como deputado foi muito mais produtivo. Eu achava que isso precisava ser demonstrado, que a população precisava saber que estaria escolhendo um candidato com uma personalidade e um estilo de trabalho diferente. No debate isso ficou mais evidenciado ainda porque eu usei um estilo mais firme, com maior personalidade, para demonstrar que eu tinha mais vontade e, acima de tudo, por eu ter a primeira oportunidade de mostrar o meu trabalho e pelo fato do meu concorrente já ter sido prefeito e ter errado em muitas áreas. Esses erros as pessoas não lembravam mais.
JM: A postura que o senhor escolheu assumir no debate foi decisiva?
MARCELO:
Eu acredito que sim. Numa campanha que se decide por 1,6 mil votos, tudo é importante. Desde uma carreata, uma reunião, um apoio, tudo acaba fazendo a diferença no final da eleição, porém o que mais vai ficar evidenciado para os eleitores é o debate que, segundo as pesquisas, nós fomos mais firmes e os eleitores ponta-grossense creditaram a nós um melhor posicionamento.
JM: Se tivesse que apontar o mérito da campanha para ter saído vencedor, qual seria?
MARCELO: É uma soma de coisas e eu seria até injusto se apontasse só uma. A escolha do meu vice foi fundamental, o empenho do Sandro Alex [deputado federal (PPS)] foi fundamental, principalmente na televisão. Ele foi o meu coordenador de campanha. O apoio do deputado Plauto [Miró (DEM)] também foi fundamental, porque toda a estratégia de campo também era coordenada pela equipe dele. A adoção da nossa estratégia de campanha do resgate do amor pela cidade de Ponta Grossa, as crianças que se envolveram também, fazendo o símbolo [coração] e o nosso programa de TV, que sempre foi considerado o melhor por todas as pesquisas qualitativas, também foram fundamentais. Então, realmente é um conjunto de vários fatores que levaram a essa vitória. A popularidade que nós temos através do rádio, a popularidade que o Dr. Zeca tem através da medicina, os nossos apoiadores que deram suporte... A nossa campanha era a campanha que tinha os menores recursos entre os três, por incrível que possa parecer. Menos que a do Márcio [Pauliki (PDT)], menos que a do Péricles, que contou com os recursos vindos do próprio Partido dos Trabalhadores (PT). Então, nós tínhamos recursos menores, mas sabíamos melhor administrá-los e isso contou muito também para que conseguíssemos chegar a essa vitória.
JM: A disputa no segundo turno focou bastante os votos do Pauliki, já que no primeiro turno ele fez mais de 53 mil votos. Como que o senhor analisava esta situação?
MARCELO:
Por ele não ser político, no primeiro momento, acabou também recebendo muitos votos daquelas pessoas que estavam decepcionadas com política, como aconteceu em todo o Brasil. Muitos eleitores buscaram uma alternativa e ele foi a alternativa, no primeiro momento. No segundo turno, me parece que o envolvimento da vice [Leontina Stadler (PMDB)] demonstrou que o grupo dele estava mais ligado ao candidato Péricles. Muitos que estavam junto a ele [Pauliki] apoiaram o Péricles. Então, eu vejo da seguinte maneira. Foi bom para o debate, mas de qualquer maneira mudou o perfil da eleição pelos ataques que eu sofri no primeiro turno com jornais e a panfletos apócrifos, mudando o perfil da eleição no primeiro turno e deixando a eleição mais acirrada e mais disputada.
JM: Como funcionou a escolha das táticas de campanha, não utilizando muito o mensalão, mas indo ao ataque...?
MARCELO:
Eu sempre tive uma opinião de que tudo que foi falado sobre o mensalão ficou muito claro nos meios de comunicação e todo mundo sabia que o mensalão envolvia o PT e pessoas que tinham um envolvimento partidário com o candidato [Péricles]. Isso era evidente, então não adiantava eu levar para um programa eleitoral algo que todo mundo já sabia, mas se a população não ‘linkou’ isso ao candidato, não seria eu quem iria forçaria isso. Então, eu resolvi não utilizar essa questão. Eu acho que nós tínhamos que trabalhar mais numa diferença administrativa porque no passado a população não aprovou a administração do PT em Ponta Grossa e isso acabou sendo esquecido por grande parte da população. Então, nós tínhamos que demonstrar porque grande parte da população no passado não aprovou e optou pela candidatura do Pedro Wosgrau [quando Péricles tentou a reeleição em 2004]. Tínhamos problemas na saúde, com os servidores públicos, a cidade estagnou com relação ao processo industrial, enfim, isso precisava ser mostrado de uma forma, extremante serena, com responsabilidade, sem nenhum tipo de ataque vil, e nós fizemos isso da maneira mais correta politicamente falando.
JM: Quais são as prioridades para quando assumir a Prefeitura?
MARCELO:
O início é a contratação de mais médicos, o trabalho com os CAS em horário estendido. Eu estarei pessoalmente visitando as unidades de saúde já no início do meu mandato para acompanhar os problemas de fila e de falta de atendimento. Eu e o meu vice, o Dr. Zeca, já estabelecemos um acordo de mutirão para trabalhar nessa área de saúde, que é o problema mais grave hoje na cidade de Ponta Grossa e eu também estou solicitando um acréscimo no orçamento para obras de infraestrutura, porque nos precisamos investir em pavimentação. O meu programa é ousado, mas factível, e nós temos que iniciar já com este trabalho, com parceria com o governo do estado e também em infraestrutura ambiental.
JM: Dá para ter uma noção de quantos médicos precisam ser contratados no começo do governo para tenta amenizar esse problema?
MARCELO:
É difícil dizer um número para solucionar o problema, porque nós precisamos ter uma avaliação da saúde financeira do município por completo. Hoje é investido de 19 a 20% do orçamento na saúde, que já é um bom número, só que me parece que a gestão disso tudo ainda tem alguns problemas e por isso que nós precisamos organizar o que já temos e fazer investimento pelo menos nos CAS e em algumas unidades de saúde que estão mais vulneráveis e onde as filas são maiores. Queremos iniciar o que nós oferecemos como proposta que são os plantonistas. Através dos plantonistas depois das 18h, nós vamos começar a regular a demanda, só que isso passa por licitação e demora certo tempo. Então, o que nós queremos nesse momento é aumentar a participação da FAUEPG para que possamos contratar mais médicos para os CAS [Centro de Atenção à Saúde] e trazer mais médicos para fazer este trabalho nos postos.
JM: Na primeira conversa com o prefeito Pedro Wosgrau Filho (PSDB), o senhor sentiu que será uma transição tranquila ou haverá entraves, até por conta de uma disputa anterior na eleição passada [quando Wosgrau disputou contra Sandro Alex]?
MARCELO:
Olha! Nós temos perfis completamente diferentes e na nossa primeira conversa isso ficou bastante evidenciado, mas eu trabalho com muito respeito a tudo aquilo que se constroi, tudo aquilo que é realizado. Nesse primeiro momento, eu acredito que a transição está ocorrendo de maneira extremamente tranquila. Solicitei alguns ajustes [no orçamento] ao prefeito. Eu gostaria que neste momento cessassem, por exemplo, algumas ideias que ele cogitou. Eu gostaria que ele deixasse isso para o ano que vem, mesmo porque, nós temos que trabalhar já com a administração nova, com todos os secretários de acordo, então fazer isso nos dois últimos meses, não me parece ser o correto, com relação à nomeação de médicos e PSF. Eu acho que temos que deixar para janeiro e fevereiro. Com relação ao transporte, também solicitei a ele que não mexa nesse contrato até o final do ano, porque no ano que vem pode acontecer a renovação e nós temos que avaliar se a empresa cumpriu realmente com todos os detalhes estabelecidos no contrato. É importante dizer que esta renovação é praticamente de maneira automática. Os detalhes que estão ali no contrato são muito amplos. É preciso cumprir alguns objetivos, mas são objetivos muito vagos. Na Justiça, eles poderiam ser questionados, mas certamente a empresa também teria argumentos dizendo que cumpriu. O que nós precisamos fazer são uma consulta pública e cobrança e fiscalização. Se o contrato for renovado automaticamente, que a fiscalização e os investimentos na qualidade do serviço sejam colocados imediatamente em prática.
JM: Por causa deste entrave em relação ao transporte, como o senhor vê a viabilidade da proposta do Cartão Transporte. Ela é possível?
MARCELO:
Ela é possível e eu acredito que nós vamos fazer no ano que vem, porque a estrutura já tem. A questão do cartão eletrônico já é possível, o conselho municipal de transporte já tem a proposta toda formatada e já passou pela análise dos técnicos. Existe a viabilidade, não existe nenhum tipo de impacto no IPK [Índice de Passageiros por Km rodado], basta apenas saber se nós vamos conseguir fazer algum tipo de reformulação neste contrato. Se não houver nenhuma reformulação, nós vamos implantar até o segundo semestre do ano que vem.
JM: Não vai precisar de subsídio da Prefeitura?
MARCELO:
Em hipótese nenhuma. Não se cogita nenhum tipo de subsídio.
JM: O senhor teme dificuldades por ter um orçamento que não vai ser o senhor que vai planejá-lo?
MARCELO:
Temo, temo dificuldades, sim, principalmente porque a Prefeitura tem uma divida muito grande, mais de R$ 200 milhões. Tenho uma responsabilidade fiscal a ser cumprida e com os servidores públicos nós estamos chegando ao limite e isso tem que ser avaliado. Tenho alguns receios nesse sentido com relação à peça orçamentária. Eu pedi aos vereadores um tempo para que a gente possa fazer algumas alterações. Como nós temos algumas prioridades muito fortes na nossa comunidade, que é a questão da saúde e também com relação ao trânsito, infraestrutura e planejamento, nós vamos focar nessas áreas, mas sem esquecer esporte e lazer. Então, eu pedi também para que a gente pudesse fazer um investimento maior, principalmente, com relação a campos e com a possibilidade de já iniciar o trabalho investindo em parques.
JM: Apoio do legislativo. Como que o senhor está vendo a eleição da Mesa no dia 01 de janeiro?
MARCELO:
Eu estou realmente muito satisfeito com a participação dos vereadores eleitos já colaborando com sugestões, boas ideias e efetivamente com a administração pública. Nós temos 12 vereadores eleitos da nossa coligação, mas também estamos conversando com os outros vereadores que já demonstraram simpatia ao nosso governo e acredito que nós podemos avançar no sentido de termos mais vereadores na situação e isso vai ser importante para o início do governo. Ter o apoio da Câmara é fundamental. Não estou me envolvendo, neste momento, na eleição da Câmara. Já está caminhando naturalmente, porque existe um bloco de 12 que são muito unidos, muito amigos, e eu estou apenas acompanhando. Acho que vamos ter uma eleição tranquila e a participação no Poder Legislativo é fundamental para que possamos aprovar esses projetos de início de gestão.
JM: Há nomes dentro do Legislativo que possam contribuir no Executivo?
MARCELO:
Isso precisa ser discutido. Existem, sim. Existem bons nomes. Todos que foram aprovados pela população através do voto são pessoas que já receberam aval dos ponta-grossenses para assumirem responsabilidades na administração pública. Para escolher um secretário, ele precisa ser técnico, entender da área, mas também ter responsabilidade política e ser aprovado pela população. Os vereadores, no caso, já têm também a aprovação da população, mas isso precisa ser debatido também com os próprios vereadores, porque numa Câmara muito rica em sua diversidade depende muito do vereador querer sair do Legislativo para ocupar uma vaga no Poder Executivo.
JM: Ponta Grossa pode ser priorizada pelo governo estadual por causa da derrota que o governador Beto Richa (PSDB) teve um Curitiba. Esta relação pode ficar mais forte por conta dessas conjunturas?
MARCELO:
Eu não tenho dúvida de que a relação do governo do Estado com Ponta Grossa ficará ainda mais forte. Primeiro porque o Beto participou do meu plano de governo. Nós fizemos muitas propostas juntos, principalmente, com relação ao PAI, que é o programa de Pronto Atendimento Infantil, ao Centro de Especialidades e para a capacitação dos jovens, então, tudo isso foi estudado em conjunto com o governador. O fato de Ponta Grossa ter tido uma vitória para o governo e ser uma cidade importante para o Estado acaba fortalecendo este vínculo. Em Curitiba não houve a vitória do vereador e em Londrina também. Mesmo o candidato lá em Londrina tendo uma boa relação com o governador, ele estava na oposição. Então isso acaba fortalecendo este vínculo de parceria e isso vai ser importante para a cidade de Ponta Grossa, não tenho dúvidas.
JM: E relação com o governo federal, como que o senhor vê?
MARCELO:
Eu vejo que nós teremos, sim, o apoio do governo federal, porque nós temos um representante [Sandro Alex] em Brasília que já está mantendo contato com os ministros que estiveram aqui em Ponta Grossa e com a ministra-chefe [Gleisi Hoffmann (PT)] e tem o respeito do congresso por ser um deputado muito aguerrido e ter se destacado já no primeiro ano. Como ele é o nosso representante, acho que esse elo vai ser bastante importante. E a Prefeitura será uma grande usina de bons projetos. Quando se apresenta projetos importantes, os recursos federais automaticamente são liberados porque há a necessidade do governo federal investir em bons projetos. Então, a diferença da nossa administração será nesse sentido. Nós teremos um departamento para a produção de bons projetos em todas as áreas e tendo um deputado federal que cobre realmente o cumprimento das propostas e, principalmente, dos ministérios, eu acho que nós vamos avançar muito nisso.
JM: O prefeito eleito em Ponta Grossa, geralmente, se torna um líder regional. O PPS, partido do senhor, conseguiu cinco prefeituras na região. Como que o senhor está vendo essa inserção regional por conta do partido e por ser o futuro líder de Ponta Grossa?
MARCELO:
O partido realmente se engrandeceu com essas conquistas, principalmente com relação a Telêmaco [Borba] e Castro. E eu acho que a AMCG [Associação dos Municípios dos Campos Gerais] vai se fortalecer. Ainda não sei bem ao certo como se dará a composição da diretoria, principalmente, com relação à eleição. Respeitando os outros prefeitos da região, se houver a possibilidade também estarei me candidatando a presidência da AMCG. Ainda não formatei essa ideia, mas Ponta Grossa, realmente, é o grande centro, o grande polo da região. Se os outros prefeitos do PPS tiverem essa vontade de que eu esteja à frente, eu estarei à disposição.
http://jmnews.com.br/noticias/politica/5,26884,04,11,prefeitura-de-ponta-grossa-sera-uma-grande-usina-de-bons-projetos.shtml

IMPRESSÕES DE UM VETERANO


O dia amanheceu nublado e com temperatura amena, embora sentindo a ausência de uma maior insolação (o que daria maior disposição), parto para a prova do ENEM! Eu e meu filho. Sim, mesmo depois da já ter passado dos 50 ainda encontro ânimo para novos desafios!
Meu garoto buscando se redimir do fato de ter abandonado seu curso de Letras no último ano e eu, apesar de já possuir uma graduação, busco na pontuação da prova um acréscimo na nota do vestibular que irei prestar no próximo mês para uma vaga no curso de Direito; meu sonho, aliás, de muitos anos.
O transito até as proximidades do centro flui tranquilo, porém, ao adentrar a Santos Dumont complica um pouco. Aproveito que estou adiantado em relação ao horário do início da prova para quitar uma mensalidade do famigerado, mas infelizmente necessário plano de assistência funerária, e também uma prestação das ultimas roupas adquiridas no tradicional centro de compras de Ponta Grossa; empresa que, por sinal, faz parte da história recente dos Campos Gerais.
Cumprido esses deveres inadiáveis, rumamos para o local da “sangria”: o bom e velho Colégio Regente Feijó. É cedo ainda, dá tempo de sentar num dos bancos da praça sob a sombra das velhas e frondosas árvores onde pombos, pardais, sabiás e outras espécies arrulham, chilreiam e gorjeiam alegremente.
Enquanto conversamos sobre amenidades aproveito para observar os transeuntes e frequentadores da “Barão do Rio Branco”; identifico um individuo de má aparência e, ao que parece de más intenções, que circula por ali aparentemente em busca de uma vítima para sabe-se lá o que.
A viatura policial que estava estacionada sobre a calçada em frente ao colégio saiu logo quando da nossa chegada ao local, dessa forma não existe segurança nenhuma no perímetro da praça, fato que pode favorecer a malandros e oportunistas em seus intentos contra o cidadão.
O senhor José Joaquim da Silva Xavier esta lá, num dos lados da praça, imponente apesar da corda sobre o seu pescoço, e na base do pedestal a frase que se tornou imortal: “Se dez vidas eu tivesse, dez vidas eu daria”. Fico pensando se a grande maioria dos jovens que participará do exame tem consciência da importância da imolação daquele brasileiro para a história do país.
Chega a hora do sacrifício, adentramos o velho colégio, a movimentação de garotos e garotas é intensa, os fiscais estão por toda parte orientando e direcionando os candidatos, porém alguns, marinheiros de primeira viagem, estão mais perdidos que os meninos não sabendo sequer indicar a numeração das salas. Parecem estar ali somente para ganhar uns trocados extras no final de semana.
Quando chego ao local onde irei torrar meus neurônios, ele já se encontra tomado pela maioria dos concorrentes e com alegria percebo agora mais claramente que não são só jovens que estão ali, mas também gente acima dos 30 e até dos 40 anos. Sinal dos tempos! Percebe-se que a necessidade imperiosa de se escolarizar começa a surtir efeito entre a classe mais madura da população.
Apesar da natural apreensão por encarar o novo e o diferente, a idade e experiência de vida me deixam muito mais tranquilo do que a maioria e dessa forma enfrento essa nova peripécia como mais um degrau a ser vencido na escada da vida. O tempo para resolução das questões nessa primeira etapa é de 4 horas e meia; três horas depois de iniciado, entrego meu cartão de respostas e o caderno de questões e saio da sala com a sensação de haver cumprido com o meu dever.
Talvez não tenha me saído tão bem quanto espero, mas nem tão mal quanto possa ter pensado que seria. Aprendi através de uma antiga citação que: mais valem as lágrimas da derrota do que a vergonha de não haver lutado, e assim volto para o aconchego do meu lar cansado, com um pouco de dor de cabeça pelo esforço de raciocínio, mas satisfeito por poder mais uma vez ter colocado em prática tudo que a vida e a escola me ensinaram nesses meus cinquenta e poucos anos.

Eliomar Pupo

O autor é graduado em Geografia pela Universidade Estadual de Ponta Grossa
eliopupo@gmail.com

Quando a ideologia encobre o real


 
A vitória de Marcelo Rangel (PPS) teve muitos méritos os quais já foram explicitados por este mesmo articulista, visto que superou obstáculos como: a posição ambígua de Pedro Wosgrau Filho de não aderir à sua campanha; a performance do novo e sedutor candidato Márcio Pauliki (PDT); o empenho do próprio Péricles de Holleben Mello e do PT que procuraram arregimentar forças mais à esquerda; a ausência do apoio do governo federal na figura de Lula, Dilma, Gleisi, Paulo Bernardo e, por fim, o Ibope que dava como certa a vitória de Péricles por uma margem que chegava a quase 10%.
Não é pouco para um político conseguir tudo isso praticamente sozinho. Isto é uma coisa e representa um processo político prático e democrático. Mas, outra coisa é entender o seguinte: quem votou majoritariamente no candidato?. Marcelo Rangel jamais esteve sozinho e sua vitória pode ser creditada à essência – ou à quintessência eleitoral - do pensamento conservador. É um voto cativo, ativo, fanatizado, encorpado, por vezes escamoteado, mas, imutável. Antes da atual questão material e patrimonial existe um pensamento atávico pré-existente. O jornalista e amigo Edgar Hampf utilizando sua afiada prosa não admite este processo e tenta descaracterizar em seu blog uma verdade efetiva. O dilema do neoconservadorismo princesino é abandonar quase 200 anos de história e pensar que a eleição para cargos públicos implicaria numa automática mudança de paradigma ideológico, passando a ser ‘novos’, ‘revolucionários’, ‘progressistas’ e quem sabe até mesmo ‘socialistas’. São os lances cinematográficos quando não alienados dos nossos ‘emergentes’ da política.
Na esteira do célebre Barão de Münchhausen procuram perpetrar fugas e transformações impossíveis a tal ponto de escapar do pântano – neste caso da incomoda alcunha de conservadores que os acompanha – mediante a ação de puxar os próprios cabelos para cima. Há, pois, uma necessidade urgente em Ponta Grossa de entender o alcance e a raiz antropológica do conservadorismo. Quem sabe o novo prefeito Marcelo Rangel que com todo merecimento abriu seu caminho pela via da eleição democrática possa iniciar este exercício intelectual e pedagógico que deve levar em conta as profundezas do inconsciente, a estrutura superegóica da consciencia que encobre o entendimento da antropologia conservadora nos Campos Gerais.
Nem sempre é fácil perceber a ação longitudinal dos aparelhos privados de hegemonia da classe dominante (Gramsci) que explicariam a manutenção de um calidoscópio de ideologias eternizadas e que atravessam todo o tecido social e cuja origem está na infraestrutura econômica, tal como descrito por Marx, que inclui o sistema de Sesmarias e a aristocracia autoritaria. A contribuição deste articulista será produzir um livro onde se poderá construir hipóteses visando explicitar algumas idéias sobre estes processos. Por enquanto, Ponta Grossa está de parabéns pois, nem sequer o prefeito tomou posse e já se instala uma discussão importante para a compreensão de sistemas culturais específicos, que incluem expressões linguisticas, percepções antropológicas, valores ideológicos, crenças sociais e práticas sociológicas arraigadas e ainda à espera de explicações pela via da pesquisa qualitativa.
Fabio Anibal Goiris, cientista político e professor da Uepg.
fgoiris@hotmail.com

Promessa do Vereador Daniel Milla - outubro 2012

Quem é Daniel Milla Fracaro




Nasceu na cidade de Pato Branco Paraná, filho de agricultores, morou em Vitorino até os 15 anos de idade, vindo residir junto com sua família na cidade de Ponta Grossa, onde concluiu seus estudos, formado em Técnico Agrícola, pelo Colégio Agrícola de Ponta Grossa, e em seguida ingressou na faculdade de bacharel em Direito pela faculdade Cescage de Ponta Grossa. Hoje casado com Karina Laroca Fracaro, e tendo um filho Giuseppe Rafaello, residem no Núcleo Santa Paula, desde que chegou nessa cidade com sua família, trabalhando ao lado de seus pais em seu comercio.
Hoje Daniel vivencia todos os dias as necessidades e dificuldades do povo Pontagrossensse, a segurança pública abandonada, a saúde sem recursos e a educação sem condições de oferecer um estudo de qualidade para o aluno, vê o trabalhador sofrer com as ruas sem uma pavimentação adequada, para poder trafegar com tranqüilidade , vê os mais necessitados sem uma oportunidade de uma vida melhor.
Daniel é um homem do bem um homem sem passado político, sem compromisso político com ninguém, é um homem limpo, com sua consciência tranqüila e com sua vida pessoal, um homem acima de qualquer desconfiança. Um homem que não precisa da “carreira” política para viver, principalmente porque ser político não é opção não é uma profissão que você escolhe seguir, ser político e ser a esperança e ser agraciado com confiança da sua comunidade, dos cidadãos e de bem que escolhe o seu nome para representá-lo durante 4 (quatro) anos, de mandato para fiscalizar o que seus olhos não podem fiscalizar, para trabalhar e lutar pelos direitos da população, é ter pulso firme para ir contra tudo aquilo que venha a prejudicar os sonhos de uma vida melhor para as pessoas .
Quando Daniel se propôs a concorrer a uma cadeira junto a Câmara Municipal de Vereadores, seu único pensamento foi em contribuir para a solução desse de tantas outros problemas que a nossa população vive, assim como já faz no Núcleo Santa Paula, onde trabalha incansavelmente em prol da sua comunidade!