entrevista concedida pelo delegado geral do estado do Paraná, o Dr. Marcus Vinícius Michelotto causou polêmica. Porém, devemos respeitar e, acima de tudo, levar em consideração as palavras de quem entende do assunto e atua nesta área com experiência e competência.
Campanhas de abrangência nacional incentivaram muitas pessoas a se desarmarem nos últimos anos. O governo pagava valores irrisórios por armas, independente de marca ou estado de conservação. Até hoje não se sabe ao certo qual a real intenção do estado nacional quando tomou esta medida. Independente disso, para um cidadão civil possuir uma arma nos dias de hoje é praticamente impossível, senão o for. Nossa segurança ficou única e exclusivamente sob os auspícios do estado, detentor de polícias carentes de recursos materiais, infraestrutura e efetivo para atuarem nas ruas.
Nesse contexto, muitas pessoas de bem ainda possuem armas em suas residências. Penso que vivemos num estado democrático onde teoricamente deveríamos ser livres para portarmos armas de fogo. Evidente que, para que isto ocorresse, deveríamos passar por testes psicológicos rigorosos, possuir o porte e o registro da arma e, acima de tudo, termos sido culturalmente treinados para portar algo que deve (ria) nos trazer segurança e não como foi num passado recente, um objeto de fazer justiça com as próprias mãos.
Somos bombardeados por noticiários trazendo tragédias (assaltos, seqüestros, assassinatos) que ocorrem todos os dias em todo o Brasil. Será que se andássemos armados, isto não geraria um “sentimento” que pudesse frear as atitudes errôneas de criminosos? Estes estão cada dia mais ousados. E o pior, continuam de dentro de presídios “deitando e rolando”!
Ao ver pais e mães tendo seus filhos mortos por criminosos e, por vezes anos, décadas se passarem até julgamentos ocorrerem, um cidadão de bem andar armado pode não ser algo temeroso, como muitos apontam. Vejamos os exemplos de outros países do mundo onde o porte de armas é liberado. Creio que esteja na hora de o debate ser feito de forma ampla, pois temos um estado cada vez mais ausente em termos de segurança. Ausente e ineficiente! Nas entradas e saídas de algumas escolas de nossa cidade as drogas andam rolando soltas entre nossos jovens, algo temerário para um país que se diz ser sério. Isto é fato!
Cabe ao estado, repensar o desarmamento. Afinal, as pessoas de bem estão cansadas de pagar tributos e mais tributos e os serviços de segurança pública estarem cada dia menos eficientes. Para os que abominam a idéia de andar armado sugiro: blindem seus carros, contratem segurança residencial e quando saírem às ruas, rezem. Os que não creem em Deus? Torçam e contem com a sorte!
Prof. Isonel Sandino Meneguzzo - imeneguzzo@hotmail.com
terça-feira, 24 de setembro de 2013
De quem é a culpa?
O fato ocorrido no domingo dia 27 só vem evidenciar aquilo que há tempos ocorre nos mais diferentes segmentos sociais que permeiam nossas vidas: a incompetência dos diferentes profissionais que existem em todas as profissões.
Além desta incompetência, diria que o jeitinho brasileiro também contribui para esta situação de caos que encontramos em todo o país. Na saúde, na educação, nas engenharias e em outros tipos de setores os erros grotescos ocorrem em demasia.
O que ocorreu na cidade gaúcha de Santa Maria é única e exclusivamente o reflexo de nossa educação e de nossa cultura. Digo educação e cultura porque enquanto nossos educandos continuarem a ser “enxotados” das escolas sem as mínimas condições para que exerçam uma profissão com um mínimo de qualidade e o tal jeitinho brasileiro continuar existindo fatos como estes sempre existirão, infelizmente.
De meses em meses ocorre uma catástrofe: queda de avião, deslizamentos de solos em encostas onde não deveria haver nenhum tipo de residência, explosões em restaurantes, shopping alocado em área de antigo aterro, dentre outros. Se analisarmos friamente as causas, veremos que, aspectos técnicos envolvem a origem destas catástrofes. E os aspectos técnicos deveriam começar a ser trabalhados onde? Primeiramente nas escolas, onde os professores deveriam desenvolver suas atividades a contento e os alunos e pais levarem a sério a educação. Uma relação de reciprocidade entre educandos, educadores, pais, alunos e comunidades escolares em busca de QUALIDADE. Isto certamente geraria um efeito dominó: boas aulas em escolas sérias, alunos aprendendo de verdade, e, conseqüentemente tendo a continuidade de seus estudos de uma forma honesta e digna com boa formação, seja ela técnica ou acadêmica.
A sociedade está cansada de incompetência e todas as pessoas, com um mínimo de bom senso clamam para que legislações sejam realmente efetivadas. De nada adianta termos boas leis (na teoria) se na prática não temos estrutura física e corpo técnico devidamente qualificado para aliar teórica e prática de forma adequada.
Solicito aos nossos gestores (vereadores, prefeitos, deputados e senadores) que abram seus olhos para a verdadeira mazela brasileira, estadual e pontagrossense: um processo educacional falho atrelado ao jeitinho brasileiro são as causas das principais degraças brasileiras.
A moda agora é fechar as baladas irregulares. Mas até quando este procedimento louvável continuará a ocorrer? Passam-se algumas semanas e tudo volta na mesma, incompetência e vistas grossas para os erros.
Além desta incompetência, diria que o jeitinho brasileiro também contribui para esta situação de caos que encontramos em todo o país. Na saúde, na educação, nas engenharias e em outros tipos de setores os erros grotescos ocorrem em demasia.
O que ocorreu na cidade gaúcha de Santa Maria é única e exclusivamente o reflexo de nossa educação e de nossa cultura. Digo educação e cultura porque enquanto nossos educandos continuarem a ser “enxotados” das escolas sem as mínimas condições para que exerçam uma profissão com um mínimo de qualidade e o tal jeitinho brasileiro continuar existindo fatos como estes sempre existirão, infelizmente.
De meses em meses ocorre uma catástrofe: queda de avião, deslizamentos de solos em encostas onde não deveria haver nenhum tipo de residência, explosões em restaurantes, shopping alocado em área de antigo aterro, dentre outros. Se analisarmos friamente as causas, veremos que, aspectos técnicos envolvem a origem destas catástrofes. E os aspectos técnicos deveriam começar a ser trabalhados onde? Primeiramente nas escolas, onde os professores deveriam desenvolver suas atividades a contento e os alunos e pais levarem a sério a educação. Uma relação de reciprocidade entre educandos, educadores, pais, alunos e comunidades escolares em busca de QUALIDADE. Isto certamente geraria um efeito dominó: boas aulas em escolas sérias, alunos aprendendo de verdade, e, conseqüentemente tendo a continuidade de seus estudos de uma forma honesta e digna com boa formação, seja ela técnica ou acadêmica.
A sociedade está cansada de incompetência e todas as pessoas, com um mínimo de bom senso clamam para que legislações sejam realmente efetivadas. De nada adianta termos boas leis (na teoria) se na prática não temos estrutura física e corpo técnico devidamente qualificado para aliar teórica e prática de forma adequada.
Solicito aos nossos gestores (vereadores, prefeitos, deputados e senadores) que abram seus olhos para a verdadeira mazela brasileira, estadual e pontagrossense: um processo educacional falho atrelado ao jeitinho brasileiro são as causas das principais degraças brasileiras.
A moda agora é fechar as baladas irregulares. Mas até quando este procedimento louvável continuará a ocorrer? Passam-se algumas semanas e tudo volta na mesma, incompetência e vistas grossas para os erros.
Isonel Sandino Meneguzzo - imeneguzzo@hotmail.com
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Ponta Grossa: 190 anos
Fabio
Anibal Goiris, fgoiris@hotmail.com
Se
existe algo sobre o qual é difícil emitir um juízo de valor é a perspectiva
futura da cidade de Ponta Grossa, que hoje chega a seus 190 anos. O que dizer
objetivamente sobre uma cidade de quase 200 anos de idade que tem 335.000
habitantes enquanto cidades do mesmo Estado com pouco mais de 70 anos como
Londrina com sua região metropolitana já se aproximam de um milhão de habitantes?.
Sociólogos, historiadores, antropólogos, cientistas políticos e economistas se
debruçam tentando achar uma explicação científica para essa defasagem. Outro exemplo: a renda ‘per capita’ de Ponta
Grossa em 2010 era de 19.012 enquanto que a de Maringá no mesmo ano chegou a
23.140.
A
pergunta é: o que levou a ocorrer discrepâncias tão significativas?. Uma das
explicações mais convincentes aponta para o fato de que a infraestrutura
econômica (ou base material) que se instalou em Ponta Grossa determinou um
atraso na mudança social. Esta infraestrutura econômica incluiu: a) os meios de
produção, b) os objetos de trabalho (terras e matérias primas) e c) as relações
de produção (claramente de exploração capitalista), que atuaram em conjunto
dentro de um sistema escravagista e de servidão. Isto redundou no monopólio
privado da terra e na exploração da mão de obra gerando uma massa de miseráveis
no campo, que, finalmente, se deslocaram para as regiões empobrecidas e
periféricas da cidade. O sistema de Sesmarias (1704-1822) e os processos
latifundiários subsequentes (1823-1889) contribuíram enormemente para a
materialização daquela infraestrutura.
Por
seu lado, a consolidação ideológica e superestrutural desse processo ocorreu
mediante a ação facilitadora do próprio Estado oligárquico (e seus Aparelhos
Privados de Hegemonia) aliado a ideias conservadoras e patrimonialistas que
incluem o positivismo de Augusto Comte, o integralismo de Plínio Salgado, o
nazismo, o militarismo e, sobretudo, a clássica cultura política não
democrática.
Todo
este histórico processo – que inclui aspectos materiais e ideológicos - não se
observou em Londrina, em Maringá, em Cascavel e tampouco em Foz do Iguaçu.
Ponta Grossa atravessou, pois, numa viagem sui generis, um longo e tortuoso
caminho a partir do semi-feudalismo até o surgimento do capitalismo moderno. A
cidade de Ponta Grossa viveu 66 anos da sua história sob o penoso regime
monárquico; depois conviveu durante 95 anos (a partir de 1889 e até 1984) com
uma república de lógica liberal e práxis autoritária, na qual o povo foi
sistematicamente mantido à margem de qualquer possibilidade de participação.
Somente a partir de 1984 com a Campanha das Diretas, numa forma de Segunda
Proclamação da República, conheceu a democracia que permanece até hoje sem
rupturas.
O
que fazer para compensar este longo e demorado processo que ficou conhecido
como ‘modernização conservadora’?. Em primeiro lugar é preciso democratizar a
Sociedade Civil: depurar os fenômenos sociais e antropológicos tão atávicos
quanto adversos como o patrimonialismo, o utilitarismo e o conservadorismo. Em
segundo lugar, melhorar a política social e a política partidária. A política
social auferiu nos últimos 10 anos os positivos apoios federais sustentados nas
políticas públicas dos governos de Lula e Dilma. A política partidária
princesina, por seu lado, afastando-se da visão autoritária da política recebeu
a injeção de ânimo do pluralismo ideológico (leia-se vereadores do PT, do PC do
B, do PSB, etc) e da inovação política e ideológica representada principalmente
por Péricles (PT), os irmãos Sandro Alex e Marcelo Rangel (PPS) e Márcio
Pauliki (PDT). Além disso, a recente nomeação de um Secretário de Estado
princesino como o Doutor João Carlos Gomes veio mitigar um antigo defeito relacionado
às relações políticas da cidade.
Ainda
assim: o que mais pode ser feito para desenvolver o progresso da cidade?. A
resposta seria: apoiar o grande processo de incorporação de novas indústrias na
cidade como a norte-americana Paccar que pretende investir R$ 200 milhões e a
Companhia de Bebidas Ambev que ambiciona investir mais de R$ 250 milhões. Mais
ainda: o próprio Estado do Paraná parece aderir à ideia de impulsionar novos
tempos em Ponta Grossa. Aprovou a Lei de Inovação uma forma de diálogo – até
então inexistente - do público com o privado e de realizar a duplicação da BR
376, a ‘Rodovia do Café’, cujo trafego diário chega a 10 mil veículos.
Por
fim, de um passado oligárquico profundamente conservador, Ponta Grossa passa por
um positivo processo de desconstrução. Esta palavra, expressada por Jacques
Derrida, significa uma real transformação a partir de condições de atavismo.
Lutando contra os resquícios de uma estrutura social e econômica de tipo
verticalista que deixou como herança uma maiúscula desigualdade social, a
Sociedade Civil tenta se desvencilhar dos seus fantasmas e reinventar um novo
contrato social, de inspiração rousseauniana, que traga uma combinação de
democracia na área social e republicanismo na vida política.
O
autor é cientista político e autor do livro ‘Estado e Política: a história de Ponta Grossa, Pr.’, publicado em
2013.
terça-feira, 10 de setembro de 2013
adoecimento moral e espiritual da universidade
A universidade vista de fora é um prédio potentoso e pertencer a ela, seja na categoria que for, motivo de envaidecimento. No seu interior, esse distante do povo e das pessoas, todos se preocupam em parecer trabalhadores sociais, mestres, estudiosos, pesquisadores ou estudantes dedicados. O que ninguém pode enxergar é a degenerência moral e espiritual que só precisa de curtos três anos para se revelar. Um relato deste dia.
Em determinado segmento da mesma está um jovem professor a quem são atribuidas aulas, cargos e a carreira da pesquisa comuns aos ingressos na profissão. Ser novo de casa, ainda que passado o estágio probatório a tempos, novo na idade, já lhe é atribuido como pecado pelas viuvas clericais. A universidade pertence as ratazanas mais velhas, alegadamente mais experientes de vida e de profissão. São elas que devem dizer quem e quando as pessoas devem ascender política e profissionalmente na instituição. Estamos diante de um quadro psicótico acadêmico para o qual é preciso atender.
Segundo o catecismo do grupo psicótico que recebeu incumbência divina para patrulhar e estabelecer os critérios pelos quais as pessoas devem ter direito de manifestar opinião, ocupar cargos, está o da idade cronológica e o da submissão aos veteranos. Bem, o tal jovem professor, tem outro inconveniente, o de possuir mestrado e doutorado na USP. Imaginem, pode a USP produzir coisa boa? Merece crédito quem se posgradua naquela instituição? Uma universidade qualquer, de fundinho de quintal. Eles não cursaram nada lá e se orgulham de passar longe dos portais uspianos.
Longa introdução para registrar uma indignação que se percebe no cotidiano do ensino e da política superior. Há uma figura preocupada em solapar a carreira do colega. Tem a oportunidade de se candidatar aos mesmos cargos mas tem medo de perder. Fica na estrada de chão paralela a semelhança das ienas, tentando por os leões a correr. Agora teme que o colega se torne reitor, vice-reitor ou diretor.
Acusa colegas de tendenciosidade. Mas é preciso espernear, tentar intimidar para que pessoas que não conhece pessoalmente, não ingressem no sagrado sacerdócio do saber e o serviço público. Não admite que pessoas do outro grupo estejam sujeitos a ingressem na carreira docente pelo simples pecado de serem amigos de quem são amigos. É preciso minar a suposta influência de grupos em crescimento nas instituições públicos. Se os do lado de lá não podem entrar, os seus devem ter a chance.
Essa é a forma como pensam e se tratam professores de nível superior, não todos, mas os poucos que nessa missão diabólica ingressam são suficientes para torpedear a paz entre as pessoas.
Em determinado segmento da mesma está um jovem professor a quem são atribuidas aulas, cargos e a carreira da pesquisa comuns aos ingressos na profissão. Ser novo de casa, ainda que passado o estágio probatório a tempos, novo na idade, já lhe é atribuido como pecado pelas viuvas clericais. A universidade pertence as ratazanas mais velhas, alegadamente mais experientes de vida e de profissão. São elas que devem dizer quem e quando as pessoas devem ascender política e profissionalmente na instituição. Estamos diante de um quadro psicótico acadêmico para o qual é preciso atender.
Segundo o catecismo do grupo psicótico que recebeu incumbência divina para patrulhar e estabelecer os critérios pelos quais as pessoas devem ter direito de manifestar opinião, ocupar cargos, está o da idade cronológica e o da submissão aos veteranos. Bem, o tal jovem professor, tem outro inconveniente, o de possuir mestrado e doutorado na USP. Imaginem, pode a USP produzir coisa boa? Merece crédito quem se posgradua naquela instituição? Uma universidade qualquer, de fundinho de quintal. Eles não cursaram nada lá e se orgulham de passar longe dos portais uspianos.
Longa introdução para registrar uma indignação que se percebe no cotidiano do ensino e da política superior. Há uma figura preocupada em solapar a carreira do colega. Tem a oportunidade de se candidatar aos mesmos cargos mas tem medo de perder. Fica na estrada de chão paralela a semelhança das ienas, tentando por os leões a correr. Agora teme que o colega se torne reitor, vice-reitor ou diretor.
Acusa colegas de tendenciosidade. Mas é preciso espernear, tentar intimidar para que pessoas que não conhece pessoalmente, não ingressem no sagrado sacerdócio do saber e o serviço público. Não admite que pessoas do outro grupo estejam sujeitos a ingressem na carreira docente pelo simples pecado de serem amigos de quem são amigos. É preciso minar a suposta influência de grupos em crescimento nas instituições públicos. Se os do lado de lá não podem entrar, os seus devem ter a chance.
Essa é a forma como pensam e se tratam professores de nível superior, não todos, mas os poucos que nessa missão diabólica ingressam são suficientes para torpedear a paz entre as pessoas.
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