domingo, 13 de julho de 2014

Copa ou eleição: qual a maior desilusão do brasileiro?


COPA OU ELEIÇÃO: QUAL A MAIOR DESILUSÃO DO BRASILEIRO?

 

A derrota catastrófica do Brasil numa semifinal de copa do mundo, em pleno território brasileiro, causou decepção generalizada a todos nós brasileiros. Jamais esperávamos um desfecho como esse. Se o objetivo de nossa seleção era entrar para a história, pode-se dizer que conseguiu. Sofreu um vexame histórico. A maior goleada até então aplicada à seleção brasileira em seus cem anos de existência. Contudo, minha esperança é a de que a desilusão de nosso povo resuma-se ao universo futebolístico.

A mídia, no último mês, apostou suas fichas na copa do mundo. Os demais acontecimentos foram relegados ao olvido. Todavia, nem só de futebol viverá o homem, mas prioritariamente de política, a qual influencia diretamente a vivência de cada um de nós. As vésperas das eleições um desapontamento muito maior do que aquele percebido na copa pode advir das urnas.

Não podemos mais ser derrotados por candidatos que nos vendam ilusões, que nos prometam mundos e fundos e que afirme em alto e bom tom ter a solução para todos os problemas da nação. A impressão que tenho, a mesma partilhada pelo teólogo Jacques Ellul em seu livro “Anarquia e Cristianismo”, é a de que a política não tem conseguido mudar nada de substancial em nossa sociedade e que o sistema de governo funciona exclusivamente em benefício da classe política. As melhorias, se é que elas existem, têm caminhado a passos de tartaruga.

Se nos debruçarmos sobre as origens da palavra “candidato” é bem possível que encontremos luz no fim do túnel. Do latim candidus refere-se a alguém sincero e puro. Todo candidato, a meu ver, necessita ter um comportamento absolutamente cândido. O que me faz pensar que eles deveriam ser suficientemente sinceros a ponto de não prometerem em campanha aquilo que de antemão, caso eleitos, não serão capazes de cumprir.

Destarte, escrevo a fim de sugerir que votemos em candidatos ética e ideologicamente preparados; não obstante, que nada prometam, pois quem assim age demonstra boa fé e sinceridade diante da complexidade do sistema e das dificuldades impostas pela triste realidade. O candidato ideal não é aquele que apresenta carisma e boa lábia, mas o sujeito que em sua humildade mostra-se comprometido com o bem-estar social.

Não suportaremos mais uma desilusão. Desta feita, quem necessita sagrar-se vitorioso não é o candidato “a”, “b” ou “c”, e, sim, o povo, a democracia, a saúde e a educação.

Nosso povo tão sofrido merece alegria maior do que a de ser campeão mundial de futebol.

 

 

André Jorge Catalan Casagrande é pastor presbiteriano, mestre em Ciências da Religião e autor do livro “Jesus na ótica da literatura”. - jorgecatalan@bol.com.br



quinta-feira, 10 de julho de 2014

Cotidiano de luta: 10/07/2014

Cresce o número de motoristas de Ponta Grossa são educados. Andando pelo centro os vejo parando antes da faixa de pedestre mesmo quando teriam a preferência e convidam o pedestre a atravessar em segurança. Pena que não posso anotar a placa e enviar-lhes os parabéns!


As ruas de Ponta Grossa hão de ser conhecidas como campeãs de buracos. As calçadas cheias de oscilações e desníveis, se tornam uma arapuca para idosos e desatenciosos. Temos que caminhar olhando para o chão. Um secretariado municipal que não circula pelo município, que abandona a infraestrutura da cidade e dos distritos. Mas aqui está tudo fora de lugar, tem farmacêutico que atua na área de Engenharia, humorista que se senta na cadeira de administrador público.


Uma das coisas belas que Ponta Grossa possui é o Calçadão da Coronel Cláudio. Aqueles vendedores ambulantes simbolizam o esforço para vencer o desemprego e o autoritarismo nas relações de trabalho, são sinônimo de alegria e de enfrentamento contra o comércio dos privilegiados que os combatem. Eles dão vida ao centro da cidade. Lamenta-se quando precisam sair correndo diante das invistidas da Vigilância Armada que o PT criou contra a população ou dos policiais, alguns, profundamente doentes da mente que derrubam tudo, agridem.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Inocentes do vício

Agostinho Rocha
 
 
 
Agora me contem, será que esses meninos são culpados? Será que eles tem cara de meninos de rua? Voces acham, mas eu não! Se você sofre, eles também.
A maioria são analfabetos, não sabem um A.
Mas não é por isso que vamos abandoná-los, deixar eles nesse mundo do medo da marginalidade. Vamos lutar com garra!
São viciados, sim, claro são. Mas você não é, não? Ah é! E aquele cigarro que você fuma uma carteira por semana, aquele whisky que você é acostumado a tomar todo dia. Após o trabalho, aquela cerveja que você toma todos os domingos, aquele refrigerante que você toma 3x por semana, aquele adocil que você põe no café sem falar no café com leite que você não pode passar o dia sem tomar um golinho de manhã.
São vícios, por isso pense 10x antes de chamar qualquer um de viciado. Não os leve por trás e sim pela realidade que a vida trás, não são marginais são apenas um começo. Ah! mas ele assaltou minha loja. Sim, mas como eu falei, eles não passam de analfabetos, o jeito é roubar, pois é mais fácil.
Vamos acabar com isso, desde esse momento. Vamos lutar para que no futuro todos nós saiamos lucrados. E que esses meninos tenham casa, comida, escola, trabalho e direitos de liberdade, para que não passem de escravos. Enfim, tudo o que um jovem tem direito.
Esses meninos são vítimas da violência dos pais e da polícia, espancados e maltratados como se fossem cachorros, será que eles merecem isso? Não. Eles são seres humanos como nós.
Obrigado pela atenção de todos.
Agostinho A da Rocha - Ex-menino de rua
 
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Segue um comentário feito por alguém, que não assinou.
 
"No 1º encontro foi dado o título de "Vítimas ou culpados", eu até achei bom o texto mas acontece que vítimas e culpados somos todos nós. Eles são vítimas por não terem uma colocação para esses meninos, culpados por não arrumarem algo pra fazer mais difícil em vez de ficar por aí entrando na propriedade dos outros.
Nós somos vítimas por sermos assaltados por esses meninos, culpado por nós não arrumarmos casa para esses meninos, dizem que a SOMA vai sair, agora já deram o terreno, agora desculpa é que não tem verba, mas e para o Operário tem 50 milhões tem.
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Tenho a cópia original do texto do Agostinho, feito numa das aulas de datilografia do Projeto de Extensão Redescobrindo o Mundo, que envolvia meninos e meninas de rua. Esse projeto era coordenado pela Professora Carmencita de Holleben Mello Ditzel e foi uma das mais nobres realizações da UEPG. Tive o privilégio de participar junto com a acadêmica Edicleia Aparecida dos Santos, hoje, pedagoga da Prefeitura Municipal de Ponta Grossa. O Agostinho demonstra uma riqueza de idéias e sua caminhada demonstrou como se tornou vencedor num mundo hostil aos que sofrem. O texto dele e da pessoa que comentou vem dos anos de 1992.