O barulho causado pela bateção de latas e de espécimes carnavalescas na Avenida Vicente Machado, neste 15 de setembro de 2014, perturbam o sossego. Os desfiles são totalmente destituídos de sentido em nossos dias, com exceção dos países e governos onde demonstram força militar e espírito nacionalista.
Tudo o que lermos nestes dias de feriado (edições e notícias de domingo passado a terça-feira) sobre o município é descartável, mentiroso, fantasioso, ideológico e sem qualquer correspondência com a realidade. É falsa a idéia paga de que somos uma cidade que progride a passos largos. Deixamos de crescer, perdemos os rumos da industrialização, do emprego digno, da valorização dos trabalhadores-cidadãos. As eras Ciro Martins e Jocelito Canto (Herculano Lisboa) se passaram depressa demais. A periferia da cidade está abandonada, entregue a miséria, as casas de papelão, ao narcotráfico, a estrada sem asfalto, as filas da saúde (apesar do vice-prefeito, candidato a deputado estadual, ser da área médica). Somos uma cidade com política de violência moral contra o povo humilde, contra a juventude que deseja transformações de alto nível, contra os pobres, negros e desempregados, expressa nas falas e pronunciamentos da ACIPG que nega cidadania ao povo pobre e menos escolarizado e que se empenha em negar o princípio de totalidade na politica, que rejeita o fato de que somos nação, povo, país e não um feudo, nas práticas milicianas da Guarda de Patrimônio Público criada pelos petistas, uma das mais ufanistas e autoritárias milícias do interior, fortalecida em seu comportamento reacionário pelos coronéis do pseudo socialismo pepessista. Somos uma sociedade violenta que estupra a população com programação radiofônica, televisiva e impressa de má, distorcida, enganosa e propositadamente ideológica programação.
Temos buracos mortais na educação, do ensino pré-escolar ao doutorado. Nossas escolas padecem de estruturas físicas, bibliotecas fechadas, salas de informáticas em desuso, por preguiça e falta de convicção; professores desincentivados, doentes, avessos aos estudos, porque nas licenciaturas aprenderam que o importante é receber o canudo, atravessaram longos quatro anos em salas de aula, sem ter construído uma boa biblioteca, sem escrito um artigo ou comentário que contribuísse para discussão e edificação do ensino e da educação nos Campos Gerais. A violência e as drogas adentram ao recinto das escolas sem que os professores consigam fazer alguma coisa. A escola está sendo um campus da atuação policial porque as famílias se desobrigaram de educar seus filhos.
O ensino universitário é uma pocilga. Oscila entre a mercantilização do conteúdo e do ensino facilitando a aquisição fácil e segura do diploma de curso superior, sem os pré-requisitos da leitura, da pesquisa universitária, da atividade de extensão séria e popular. Assim quem não obtém êxito na imbecilidade do vestibular em escola pública, entra com facilidade nas faculdades que se multiplicam como lojas de formação acadêmica. Do ensino universitário público não há mais, em 191 anos de nossa história o que esperar. Os concursos públicos contratam elementos para fazer tudo, menos ensinar. As políticas docentes obrigam e estimulam que o professor de menos aula, se prepare menos, leia quase nada e que atue em áreas para a qual não possui sequer a mínima competência, vejam o caso das licenciaturas e o quadro nefasto em que se encontra a escola pública em nossa região. Uma coisa comprova a outra. A universidade se tornou o feudo de tecnocratas, fracassados no campo da política e do serviço social e popular. Temos uma universidade com mais de 40 anos porém, destituída de expressão intelectual, seja em termos de quadro de pensadores, quanto em intervenção na cidade. Se tornou um grande centro que propicia lucros a uma centena de oportunistas que se assenhoreou da burocracia.
Portanto, uma cidade que fisicamente não é atraente. Está cheia de buracos, trânsito assassino, doentes abandonados, sem política de saúde mental pública e suficiente, sem fiscalização de trânsito, falta policiamento nas ruas e bem preparado. Nossas escolas estão com a aparência externa horrorosa que revela o quadro cadavérico em que se encontram internamente. Aqui nomeia-se para cargos administrativos, quem mais se destaca na burrice, caso da Prefeitura e da Universidade exemplificam isto. Quanto mais idiota a figura mais alto o posto.
Falta ao município políticas que incentivem o valor e o respeito dos trabalhadores. Nossos supermercados contratam um funcionário que é, ao mesmo tempo, açogueiro, limpador de chão e caixa. Nossa empresa de ônibus explora pessoal mesclando a função de motorista com a de cobrador. Portanto, uma cidade cruel. Milicianos existem, que ao invés de serem informados sobre as raízes sociais da pobreza e da marginalidade, se envaidecem por terem uma suposta missão de exterminar o que denominam "escórias da sociedade".
As eleições em Ponta Grossa para tudo são vencidas por homens e mulheres comprometidos com as forças mais atrasadas da história do país. O udenismo varre a cidade com violência, tanto em sua versão arenista ou petista, aquele mesmo que viabilizou a vitória da ofensiva reacionária no ensino universitário.
O que comemorar numa cidade em que a Biblioteca Pública tem livros descartados e não encontra quem os queira?