terça-feira, 6 de agosto de 2013

Massa doente no interior da universidade

A universidade é um ideal. Os adolescentes e jovens sonham com ela. Muita gente deseja entrar nela como aluno, funcionário ou professor. No seu interior crassa a maior neurose. Nela desembocam todos os nossos insucessos, frustrações pessoais, deficiências na construção amorosa da vida, desajuste emocional, insucesso num ou noutro aspecto e a forma escamoteada como, todos, desejamos esconder nossas derrotas íntimas. Verdadeira sala de psicoterapia, nossa sombra e projeções aparecem nos corredores da tão divinizada universidade.
Quem já não foi abordado num dos corredores da universidade por alguma pessoa possuída por algum espírito de ira, de proclamada justiça, prometendo tomar satisfações até com o bispo, porque não admitem istou ou aquilo, porque precisam mostrar sua bandeira de pessoas corretas, justas e acima de tudo, sinalizando que devem ser temidas? Por isso que adicionou de periculosidade deveria ser uma concessão generalizada para quem entram nos portões de uma dessas instituições. Os concursos públicos deveriam conter pontos a respeito de pedantismo, autoritárismo, egoísmo, estrelismo, vaidade e presunção. O resto é detalhe. Acredito que no futuro, teremos cursos de graduação e pos-graduação nessas áreas, extinguindo as que conhecemos. Algumas pessoas se consideram, exageradamente, justas, e tanto que só se sentirem tal, não as convence. Precisam gritar que são.

Um dado curioso salta aos olhos. Principal parte dessa espécie professa alguma religião que confessa caridade, solidariedade e amor como fundamento da evolução humana. O que significa que religião pode ser uma boa capa para transformar lobos em simpáticas ovelhas. Outra coisa, é que tais pessoas tem dificuldade de perceber que recebem, em pesada carga, de retorno do seu comportamento, desprezo, exclusão, inimizade, isolamento e desprestígio.

Existem seres humanos aranhas. Se colocados com seus semelhantes matam ou morrem. Tem dificuldade para a convivência harmoniosa. Precisam de algum escândalo, de alguma insatisfação, de caça aos erros como motivação de vida. Em geral, no perfil do inseguro e do legalista. Algumas coisas não se aprende na carreira acadêmica ou no desempenho profissional. Dessa árvore já assisti, por aí, frutos memoráveis. Uma vez um guarda-mirim quase levou um soco de uma descontrolada dessas. Outra vez, num movimento de greve, servidores foram chamados de vagabundos e quase foram atropelados. Tapetes são puxados pelas aranhas na surdina da noite. É a reciprocidade entre as feras.


Como colaborar para diminuir essa doença psicológica que algumas pessoas conseguem levam para a aposentadoria?  Incentivando as pessoas a dividirem espaços físicos, emocionais e culturais, para alguns a afetividade.  É bom para o ser humano dividir moradia, cama, fogão, fim de semana, atividades, sonhar juntos. Aprende-se a tolerância, a arte de ouvir, a necessidade de ceder, a política da boa convivência. É importante aprender a amar o outro, sem encerrar para esconder defeitos. Se enxergar no outro, aprender a arte de perdoar, de sentir a limitação que a individualidade traz, empurrando para a sadia dependência da outra pessoa. O valor do toque, da sensibilidade física, emocional, da cumplicidade. Considerar que é necessário compartilhar a vida. Viver a sexualidade do jeito que ela se apresenta para cada um, levando Freud e Jung a sério. Chegar em casa, ter alguém esperando, desejando, ou um recadinho, "estou com saudades de você, espero encontrar-lhe logo".

Os corredores das universidades serão melhores, mais sadios.














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