quarta-feira, 9 de julho de 2014

Inocentes do vício

Agostinho Rocha
 
 
 
Agora me contem, será que esses meninos são culpados? Será que eles tem cara de meninos de rua? Voces acham, mas eu não! Se você sofre, eles também.
A maioria são analfabetos, não sabem um A.
Mas não é por isso que vamos abandoná-los, deixar eles nesse mundo do medo da marginalidade. Vamos lutar com garra!
São viciados, sim, claro são. Mas você não é, não? Ah é! E aquele cigarro que você fuma uma carteira por semana, aquele whisky que você é acostumado a tomar todo dia. Após o trabalho, aquela cerveja que você toma todos os domingos, aquele refrigerante que você toma 3x por semana, aquele adocil que você põe no café sem falar no café com leite que você não pode passar o dia sem tomar um golinho de manhã.
São vícios, por isso pense 10x antes de chamar qualquer um de viciado. Não os leve por trás e sim pela realidade que a vida trás, não são marginais são apenas um começo. Ah! mas ele assaltou minha loja. Sim, mas como eu falei, eles não passam de analfabetos, o jeito é roubar, pois é mais fácil.
Vamos acabar com isso, desde esse momento. Vamos lutar para que no futuro todos nós saiamos lucrados. E que esses meninos tenham casa, comida, escola, trabalho e direitos de liberdade, para que não passem de escravos. Enfim, tudo o que um jovem tem direito.
Esses meninos são vítimas da violência dos pais e da polícia, espancados e maltratados como se fossem cachorros, será que eles merecem isso? Não. Eles são seres humanos como nós.
Obrigado pela atenção de todos.
Agostinho A da Rocha - Ex-menino de rua
 
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Segue um comentário feito por alguém, que não assinou.
 
"No 1º encontro foi dado o título de "Vítimas ou culpados", eu até achei bom o texto mas acontece que vítimas e culpados somos todos nós. Eles são vítimas por não terem uma colocação para esses meninos, culpados por não arrumarem algo pra fazer mais difícil em vez de ficar por aí entrando na propriedade dos outros.
Nós somos vítimas por sermos assaltados por esses meninos, culpado por nós não arrumarmos casa para esses meninos, dizem que a SOMA vai sair, agora já deram o terreno, agora desculpa é que não tem verba, mas e para o Operário tem 50 milhões tem.
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Tenho a cópia original do texto do Agostinho, feito numa das aulas de datilografia do Projeto de Extensão Redescobrindo o Mundo, que envolvia meninos e meninas de rua. Esse projeto era coordenado pela Professora Carmencita de Holleben Mello Ditzel e foi uma das mais nobres realizações da UEPG. Tive o privilégio de participar junto com a acadêmica Edicleia Aparecida dos Santos, hoje, pedagoga da Prefeitura Municipal de Ponta Grossa. O Agostinho demonstra uma riqueza de idéias e sua caminhada demonstrou como se tornou vencedor num mundo hostil aos que sofrem. O texto dele e da pessoa que comentou vem dos anos de 1992.


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