A Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, a Igreja dos Polacos, na Praça Barão de Guaraúna, tem missa, aos domingos, quase no mesmo horário que a Igreja do Rosário. Hoje, a missa foi celebrada ali por um padre de cabelos brancos, com sotaque de estadunidense. O tema foi a cura feita por Jesus Cristo de um leproso, o que deve ocorrer em todas as paróquias e missas. O povão que frequenta esta comunidade é mais simples, embora apareçam senhoras empiriquetadas e alguns senhores de bom terno. Era difícil entender o padre, pela qualidade do som emitido pelo microfone e pelo sotaque. Os mais inteligíveis eram os que faziam as leituras. A música também amadora, apenas com o violão.
Na Paróquia do Rosário, sempre, o Padre Edvino Sicuro. O homem possui uma empostação de voz, difícil de não ter escutada, entendida e atendida. É a voz de locutor de rádio e televisão. As músicas são interpretadas por uma excelente soprano, acompanhada por órgão eletrônico. Mas o que interessa mesmo é o conteúdo da homília.
Edvino Sicuro faz boa explanação quando contextualiza a discriminação que um leproso ou qualquer doença da pele sofria nos dias de Cristo. Compara com o ebola. Fala do papel que tem uma pessoa que se diz cristã, tanto quanto o homem curado pelo Senhor, espalhou o bem feito a todos quanto pode encontrar, assim o cristão deve compartilhar com o mundo os efeitos de sua fé, em termos práticos.
O problema foi quando o Padre Edvino que combinar a reflexão com o tema da Campanha da Fraternidade que é a participação do cristão na sociedade. As palavras nem saíram. Sintetizou tudo apenas na repetição do tema e em seguida rezou o credo. Evidentemente, o aspecto social, o engajamento, o comprometimento dos cristãos nas mudanças que o mundo, que os oprimidos carecem, a debelação das injustiças, não está no terreno de crença e atuação do paróco. O padre da Paróquia do Rosário e seus paroquianos são mesmo conservadores politica e religiosamente.
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