quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Deputado Federal Aliel Machado e a reforma política

Conversei, hoje, com o Deputado Federal ALIEL MACHADO. Liguei para o gabinete e fui atendido pela assessora que me perguntou quem era e pediu um tempo. Voltou ao telefone e perguntou novamente. Respondi com nome e sobrenome. Na verdade, tenho sido crítico a alguns procedimentos de parlamentar, na hora pensei que ela me traria alguma desculpa para não responder. Quando forneci nome completo, ela me respondeu "o senhor aguarde um momento que o próprio lhe responderá". Passou o telefone para o Deputado. Eu não consegui gravar a voz do deputado e achei que era outro assessor, "é o Aliel mesmo, Acir".
Isso tudo para dizer que recebi um tratamento respeitoso e detalhado por parte do parlamentar que discorreu com profundidade a questão polêmica que levantei.
À tarde circulavam na internet, dois blogs (Esmael Morais e Fabio Campanha, o último ao que me consta assessor publicitário do Governador do Paraná, Campos Salles- 2015-2018 UDN) comentando a posição do Aliel em relação a reforma política. Esmael afirmava que Aliel votara a favor da reforma enquanto Campanha dizia que Aliel e um deputado petista do PR votaram contra a reforma.
Perguntei a Aliel se, afinal, ele votara favor ou contra a reforma política. O deputado me disse que não poderia ter votado nem a favor nem contra, pois a reforma política NÃO FOI VOTADA NA CÂMARA. O que aconteceu foi que o Presidente da Câmara, o fundamentalista recém eleito, se apressou para aprovar a ADMISSIBILIDADE DE SE DISCUTIR/APROVAR O PROJETO proposto pelo Deputado petista VACAREZZA (PT/São Paulo) que permite financiamento privado de campanha e que entidades que recebem recursos públicos (sindicatos, por exemplo) façam doações para campanhas políticas. Aliel Machado é contrário a esse projeto e não a reforma política.







sábado, 31 de janeiro de 2015

Meu Paraná: lições de Miguel

Sábado, 31 de janeiro de 2015 - Programa Meu Paraná RPCTV - Viagem de Dom Pedro II no Estado.


Estava almoçando numa lanchonete quando passava o Programa Meu Paraná. Sem recursos para anotação e sem sucesso em rever o programa pela internet formulo alguns apontamentos.

Não sei se é coisa dos signos, da providência divina ou das leis da natureza, mas a RPCTV e sua sucursal em Ponta Grossa tem mostrado os dois retratos de Ponta Grossa, incluindo um capítulo não intencional sobre a filosofia da educação superior em nossa região. Refiro-me aos programas onde foram entrevistados Miguel Sanches Neto e o Pró-Reitor de Graduação da universidade local. Duas filosofias antagônicas, dois modelos de ensino e produção de conhecimento excludentes, duas visões de mundo, dois tempos diferentes, o moderno e o retrógrado, o que representa o velho, arcaico e o que conjuga as forças do pensamento para transformar o mundo, qualificar a percepção de nossas consciências. Falaremos disso no momento oportuno. No "Meu Paraná" deste sábado Miguel Sanches Neto foi entrevistado para falar sobre a viagem do Imperador ao Paraná.

Deixo bem claro, mais do que Omo, que Dom Pedro II e sua viagem ao Paraná não tiveram importância histórica e política para o nosso povo. O programa apresentado pela RPCTV é romântico em todas suas edições, a começar pela música fúnebre de sua abertura. Mas, com certeza permitiu com que os monarquistas e em nossa região são numerosos, tenham entrado em êxtase. O regime monárquico foi uma desgraça para o nosso país. As velhas raposas que ainda dominam na República se criaram lá. O programa endeusou uma viagem de curiosidade e lazer do Imperador num fenômeno gigantesco, como a Revolução Francesa. É falsa a visão. Por isso, esquivou-se dos desapontamentos do próprio monarca, que em Ponta Grossa se impressionara com as bibliotecas fechadas.

É Miguel Sanches Neto e não os historiadores da cidade que falam sobre a visita ilustre do bom velhinho. a RPCTV deu uma rasteira da Academia Ponta-grossense de História. Mas acertou, fez melhor. O autor de Então você quer ser escritor? é um erudito de primeira.
Possui conhecimento nada modesto de cultura e história. É intelectual, fala com propriedade de História, letras e as viagens da existência, porque constituem seu cotidiano pessoal e profissional. Impressiona, entretanto, que o brilho do entrevistado, falando com propriedade, eloquência e didática, coisa própria de quem sabe ensinar, que possui bagagem rica de conteúdo mas não é pedante, exibicionista e encerado, seja sempre distinto da marca anti-cultural que marca as entranhas do nosso sistema universitário local. Uma figura que honra o campo acadêmico, científico e cultural, sobrevive no interior de um sistema burro, estúpido e emburrecedor.

Não é que a cidade de Ponta Grossa consegue a façanha de escolher o que menos corresponde ao progresso em tudo? em tudo... um bom nome para um livro. É que numa cidade estúpida, medíocre, o parâmetro não será, jamais, a inteligência e o serviço público de qualidade, mas como fatiar os benefícios públicos, como fazer parte do bando de idiotas titulados e em posições de relevo. Aqui os estúpidos mandam, administram, possuem maior numero de cargos, se dizem tudo sendo nada. Diante das câmeras suas falas se marcam pelo vazio, pela doença do mal caráter, mas até aqui, estes tem tido a vez, ainda que de assalto.



domingo, 4 de janeiro de 2015

Igreja do Rosário: a missa de 4 de janeiro de 2015

A Igreja dos Polacos e a Igreja do Rosário são próximas. Neste domingo ambas estavam lotadas. Na primeira o padre fala timidamente. Não diz nem afirma tanta coisa. É um saco. Na Paróquia do Rosário está o comunicativo Padre Edvino Sicuro. Já saiu de lá e para que a congregação não desandasse teve que voltar. O povo gosta mais do padre que de Deus.

O Padre é, sabidamente, uma das personalidades religiosas mais conservadoras que existem. São discutíveis seus posicionamentos sobre caridade com mendigos e agora, me parece, sobre política.

Na missa de hoje ele trouxe o livro autobiográfico de Mosab Hassan Yousef, ex-guerrilheiro do Hamás, convertido ao cristianismo e morando, atualmente, nos Estados Unidos. Depois que se tornou cristão, o autor concluiu que a causa palestina é uma farsa, que os palestinos são manipulados pelas lideranças, como sempre foram por Arafat. O remédio para os palestinos é não odiar os judeus e sim, cumprir aquilo que Jesus determinou, "amai vossos inimigos". A solução da crise do Oriente Médio é a adesão por judeus e palestinos ao princípio enunciado por Jesus "amar os vossos inimigos". E o Padre reforçou a tese de que o movimento palestino é uma farsa que coloca o povo como escudo de uma luta que é apenas de interesses particulares do grupo dirigente.

Na sua homília ficou claro que não deve combater o Estado judeu em nome da conversão ao Cristianismo. Lamentável. Faltou dar um grande viva as ditaduras monárquicas do Oriente Médio e as práticas genocidas do governo israelense. Há uma causa que tem justificativa sim, de um povo que historicamente foi expulso por todos os impérios de sua própria terra, o povo palestino. A velha prédica da conciliação e da resignação ante a violação de seus direitos só vale para os vencidos, para os humilhados e não escutados pela comunidade internacional.
Que padre, porcaria!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Jornal Estadual - 2ª edição - 1º de dezembro de 2014

Ponta Grossa é uma cidade que dá vergonha ao país, apesar de falso moralista, como ficou demonstrado pelo resultado das eleições presidenciais aqui.

Quem assistiu o Jornal Estadual, segunda edição, do primeiro dia de dezembro de 2014, pode calcular as façanhas dos oportunistas de nossa cidade, pseudo-cientistas:

1. A reportagem não percebeu, mas acertou em denominar "Hospital Regional" ao invés de "Hospital Universitário". A criação do hospital transitou entre o estelionato eleitoral do DEMO/UDN para a exacerbação vaidosa de pequenos dirigentes universitários, sedentos de cultuar suas próprias personalidades, o que não conseguiriam pela produção do pensamento filosófico ou da cultura impressa. Quem não tem idéia e destes o ensino superior dos campos gerais está cheio, precisa de placas de inauguração. São lidas mas não discutidas. Não circulam de mão em mão.

2. Todas as reportagens sobre o Ospital Regional exibem um número chamativo de "Diretores". Deve ter mais diretor que funcionários atendendo a população. Tem diretor de torneiras, diretor de vassouras, diretor de vacinas, diretor de injeções, diretor de doenças renais, diretor de doenças sexualmente transmissíveis, diretor de acendimento de lâmpadas fluorescentes, diretor de acendimento de lâmpadas externas, diretor técnico, diretor não técnico. Seria bom o Ministério Público pensar bem na utilidade de tantas direções. Me pergunto como estes diretores articulam a jornada de trabalho, já que alguns estão vinculados a outros afazeres. Quanto efetivamente cumprem em "benefício da saúde popular" e quanto em outros locais de trabalhos seus.

3. E o Ospital entra em férias coletivas.

4. Lugar de professor universitário é em sala de aula.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Vitória gigante do povo humilde


              Fabio Anibal Goiris

            O dia 26 de outubro de 2014 marca uma efeméride extraordinária para a democracia brasileira e para a luta do seu povo mais simples. Em noite apoteótica as massas populares saíram às ruas do imenso Brasil para enaltecer um Coração Valente: Dilma Rousseff foi reeleita Presidenta. Se doze anos atrás o Partido dos Trabalhadores teve de fazer campanha para que a esperança pudesse vencer o medo agora fez uma cruzada para que a esperança vença o ódio.

            Dilma Rousseff teve de enfrentar uma dupla e aterrorizante situação: no Primeiro Turno afrontou a desonestidade intelectual onde os programas econômicos e sociais eram impunemente distorcidos e, no Segundo Turno, a desonestidade moral, onde ataques pessoais encarnados pelos próprios meios de comunicação predominantes, revistas e rádios conservadores tentaram minar sua personalidade. Os ataques pessoais sobre Lula e Dilma foram desferidos, contudo, por donos de telhados de vidro. Inclusive pelos fascistas de gabinete da Internet que batem boca sem se levantar da cadeira. Daí que o povo passou a não acreditar mais nos Goebbels da direita brasileira.

            A verdade é que o povo incorporou no seu subconsciente o seguinte: o mal remediado cidadão (da desigual sociedade brasileira) quer proteção do Estado.  Ao mesmo tempo em que exige um salário digno e um equilíbrio nas condições de disputa do mercado de trabalho. O governo do PT vem caminhando em forma inflexível nessa direção. O povo incorporou este conceito teórico e colocou sobre ele bases práticas: o sufrágio universal depositado nas urnas eletrônicas.     

            Mas, para pensar assim (e para votar assim) o povo humilde, e os cidadãos sensíveis à democracia distributivista, tiveram de entender que no subsolo da vitória da esquerda brasileira estavam os programas sociais de grande alcance como o bolsa família e as realizações habitacionais. Mais ainda, compreenderam que foi um esforço gigantesco do governo do PT instituir e aumentar o financiamento federal do ensino básico, catapultar o Prouni e o crédito universitário, além de deslanchar o magnífico programa de ensino profissional, o Pronatec. Além disso, depois de 2002 mais de dezoito novas universidades federais foram inauguradas. Contrariamente, durante os oito anos do governo do PSDB de Aécio Neves o país não inaugurou nenhuma (há de se sublinhar nenhuma) universidade federal.

            Não há como dissuadir a ideia de que o governo de Dilma Rousseff vem combatendo as causas da desigualdade de renda. A luta contra a desigualdade no Brasil começou com Lula em 2003 onde a inclusão social virou política irrenunciável de Estado. Por estas razões, em 2003 começou a se acirrar também o ódio contra o PT vindo de uma classe média direitista e conservadora que não consegue se compadecer do drama social dos seus compatriotas empobrecidos. Diante disto a vitória de Dilma representou uma conquista daquele cidadão desprotegido que espera apreensivo o braço estendido do Estado. Por fim, já se disse que um grama de exemplos vale mais que uma tonelada de lamúrias inúteis.

                                               O autor é cientista político e professor da UEPG.

           

 

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Ponta Grossa e seus 191 anos: hipocrisia das comemorações de sempre

O barulho causado pela bateção de latas e de espécimes carnavalescas na Avenida Vicente Machado, neste 15 de setembro de 2014, perturbam o sossego. Os desfiles são totalmente destituídos de sentido em nossos dias, com exceção dos países e governos onde demonstram força militar e espírito nacionalista.
Tudo o que lermos nestes dias de feriado (edições e notícias de domingo passado a terça-feira) sobre o município é descartável, mentiroso, fantasioso, ideológico e sem qualquer correspondência com a realidade. É falsa a idéia paga de que somos uma cidade que progride a passos largos. Deixamos de crescer, perdemos os rumos da industrialização, do emprego digno, da valorização dos trabalhadores-cidadãos. As eras Ciro Martins e Jocelito Canto (Herculano Lisboa) se passaram depressa demais. A periferia da cidade está abandonada, entregue a miséria, as casas de papelão, ao narcotráfico, a estrada sem asfalto, as filas da saúde (apesar do vice-prefeito, candidato a deputado estadual, ser da área médica). Somos uma cidade com política de violência moral contra o povo humilde, contra a juventude que deseja transformações de alto nível, contra os pobres, negros e desempregados, expressa nas falas e pronunciamentos da ACIPG que nega cidadania ao povo pobre e menos escolarizado e que se empenha em negar o princípio de totalidade na politica, que rejeita o fato de que somos nação, povo, país e não um feudo, nas práticas milicianas da Guarda de Patrimônio Público criada pelos petistas, uma das mais ufanistas e autoritárias milícias do interior, fortalecida em seu comportamento reacionário pelos coronéis do pseudo socialismo pepessista. Somos uma sociedade violenta que estupra a população com programação radiofônica, televisiva e impressa de má, distorcida, enganosa e propositadamente ideológica programação.

Temos buracos mortais na educação, do ensino pré-escolar ao doutorado. Nossas escolas padecem de estruturas físicas, bibliotecas fechadas, salas de informáticas em desuso, por preguiça e falta de convicção; professores desincentivados, doentes, avessos aos estudos, porque nas licenciaturas aprenderam que o importante é receber o canudo, atravessaram longos quatro anos em salas de aula, sem ter construído uma boa biblioteca, sem escrito um artigo ou comentário que contribuísse para discussão e edificação do ensino e da educação nos Campos Gerais. A violência e as drogas adentram ao recinto das escolas sem que os professores consigam fazer alguma coisa. A escola está sendo um campus da atuação policial porque as famílias se desobrigaram de educar seus filhos.

O ensino universitário é uma pocilga. Oscila entre a mercantilização do conteúdo e do ensino facilitando a aquisição fácil e segura do diploma de curso superior, sem os pré-requisitos da leitura, da pesquisa universitária, da atividade de extensão séria e popular. Assim quem não obtém êxito na imbecilidade do vestibular em escola pública, entra com facilidade nas faculdades que se multiplicam como lojas de formação acadêmica. Do ensino universitário público não há mais, em 191 anos de nossa história o que esperar. Os concursos públicos contratam elementos para fazer tudo, menos ensinar. As políticas docentes obrigam e estimulam que o professor de menos aula, se prepare menos, leia quase nada e que atue em áreas para a qual não possui sequer a mínima competência, vejam o caso das licenciaturas e o quadro nefasto em que se encontra a escola pública em nossa região. Uma coisa comprova a outra. A universidade se tornou o feudo de tecnocratas, fracassados no campo da política e do serviço social e popular. Temos uma universidade com mais de 40 anos porém, destituída de expressão intelectual, seja em termos de quadro de pensadores, quanto em intervenção na cidade. Se tornou um grande centro que propicia lucros a uma centena de oportunistas que se assenhoreou da burocracia.

Portanto, uma cidade que fisicamente não é atraente. Está cheia de buracos, trânsito assassino, doentes abandonados, sem política de saúde mental pública e suficiente, sem fiscalização de trânsito, falta policiamento nas ruas e bem preparado. Nossas escolas estão com a aparência externa horrorosa que revela o quadro cadavérico em que se encontram internamente. Aqui nomeia-se para cargos administrativos, quem mais se destaca na burrice, caso da Prefeitura e da Universidade exemplificam isto. Quanto mais idiota a figura mais alto o posto.

Falta ao município políticas que incentivem o valor e o respeito dos trabalhadores. Nossos supermercados contratam um funcionário que é, ao mesmo tempo, açogueiro, limpador de chão e caixa. Nossa empresa de ônibus explora pessoal mesclando a função de motorista com a de cobrador. Portanto, uma cidade cruel. Milicianos existem, que ao invés de serem informados sobre as raízes sociais da pobreza e da marginalidade, se envaidecem por terem uma suposta missão de exterminar o que denominam "escórias da sociedade".

As eleições em Ponta Grossa para tudo são vencidas por homens e mulheres comprometidos com as forças mais atrasadas da história do país. O udenismo varre a cidade com violência, tanto em sua versão arenista ou petista, aquele mesmo que viabilizou a vitória da ofensiva reacionária no ensino universitário.

O que comemorar numa cidade em que a Biblioteca Pública tem livros descartados e não encontra quem os queira?



























domingo, 13 de julho de 2014

Copa ou eleição: qual a maior desilusão do brasileiro?


COPA OU ELEIÇÃO: QUAL A MAIOR DESILUSÃO DO BRASILEIRO?

 

A derrota catastrófica do Brasil numa semifinal de copa do mundo, em pleno território brasileiro, causou decepção generalizada a todos nós brasileiros. Jamais esperávamos um desfecho como esse. Se o objetivo de nossa seleção era entrar para a história, pode-se dizer que conseguiu. Sofreu um vexame histórico. A maior goleada até então aplicada à seleção brasileira em seus cem anos de existência. Contudo, minha esperança é a de que a desilusão de nosso povo resuma-se ao universo futebolístico.

A mídia, no último mês, apostou suas fichas na copa do mundo. Os demais acontecimentos foram relegados ao olvido. Todavia, nem só de futebol viverá o homem, mas prioritariamente de política, a qual influencia diretamente a vivência de cada um de nós. As vésperas das eleições um desapontamento muito maior do que aquele percebido na copa pode advir das urnas.

Não podemos mais ser derrotados por candidatos que nos vendam ilusões, que nos prometam mundos e fundos e que afirme em alto e bom tom ter a solução para todos os problemas da nação. A impressão que tenho, a mesma partilhada pelo teólogo Jacques Ellul em seu livro “Anarquia e Cristianismo”, é a de que a política não tem conseguido mudar nada de substancial em nossa sociedade e que o sistema de governo funciona exclusivamente em benefício da classe política. As melhorias, se é que elas existem, têm caminhado a passos de tartaruga.

Se nos debruçarmos sobre as origens da palavra “candidato” é bem possível que encontremos luz no fim do túnel. Do latim candidus refere-se a alguém sincero e puro. Todo candidato, a meu ver, necessita ter um comportamento absolutamente cândido. O que me faz pensar que eles deveriam ser suficientemente sinceros a ponto de não prometerem em campanha aquilo que de antemão, caso eleitos, não serão capazes de cumprir.

Destarte, escrevo a fim de sugerir que votemos em candidatos ética e ideologicamente preparados; não obstante, que nada prometam, pois quem assim age demonstra boa fé e sinceridade diante da complexidade do sistema e das dificuldades impostas pela triste realidade. O candidato ideal não é aquele que apresenta carisma e boa lábia, mas o sujeito que em sua humildade mostra-se comprometido com o bem-estar social.

Não suportaremos mais uma desilusão. Desta feita, quem necessita sagrar-se vitorioso não é o candidato “a”, “b” ou “c”, e, sim, o povo, a democracia, a saúde e a educação.

Nosso povo tão sofrido merece alegria maior do que a de ser campeão mundial de futebol.

 

 

André Jorge Catalan Casagrande é pastor presbiteriano, mestre em Ciências da Religião e autor do livro “Jesus na ótica da literatura”. - jorgecatalan@bol.com.br