sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Campos Gerais: presbiterianismo em 2015

“Ao perdermos o verdadeiro sentido do Natal, perdemos o próprio Cristo”, afirma o pastor Marcos Aurelio Jensen dos Santos, da Primeira Igreja Presbiteriana de Ponta Grossa, que está completando 100 anos de existência



Uma das instituições religiosas mais tradicionais da cidade, a Primeira Igreja Presbiteriana de Ponta Grossa (PIPPG) completou 100 anos de existência em 2015, com uma série de comemorações dedicadas aos seus membros. Ao longo desse primeiro século de trajetória, a igreja, como não poderia deixar de ser, enfrentou muitos obstáculos, tais como problemas financeiros, crescimento numérico, início de outras comunidades presbiterianas, manutenção da unidade e coesão dos membros. “Um século de existência representa uma gama enorme e variada de desafios. O maior desafio, todavia, foi o de conservar a identidade e permanecer fiel às Sagradas Escrituras”, explica o pastor Marcos Aurelio Jensen dos Santos, 41, que está à frente da igreja há 18 anos. Na entrevista a seguir, o sacerdote aborda as múltiplas facetas da vida em igreja, comenta aspectos relacionados à sua tradição religiosa e aproveita para refletir sobre a fé e o nascimento de Jesus Cristo no mês do Natal.

A Primeira Igreja Presbiteriana de Ponta Grossa está completando 100 anos de existência, numa época em que muitas igrejas abrem e fecham. Na visão do senhor, qual é o segredo do crescimento e estabilidade da igreja?
Primeiramente, a misericórdia de Deus. Em segundo lugar, a tradição histórica da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), denominação a qual pertence. Em terceiro lugar, os membros fiéis que jamais desistiram e deram continuidade a essa história até o seu centenário.

Quais foram os momentos mais marcantes da trajetória da igreja?
A história da Primeira Igreja Presbiteriana de Ponta Grossa é repleta de momentos marcantes. Podemos destacar o momento de consolidação experimentado na década de 1920, sob o pastorado do Rev. Haroldo Cook; a época da expansão experimentada na década de 1950 e início dos anos 60 com o pastorado do Rev. Pascoal Pitta; e o período de renovação experimentado na década de 1990, sob o pastorado do Rev. José Vicente de Lima Filho.

E quais foram os maiores desafios que a igreja enfrentou ao longo desse um século?
Um século de existência representa uma gama enorme e variada de desafios. Podemos citar os desafios financeiros, crescimento numérico, início de outras comunidades presbiterianas na cidade, manutenção da unidade e coesão dos membros. Costumo dizer que cada segundo da história da nossa igreja se traduz num grande milagre de Deus. O maior desafio, todavia, foi o de conservar a identidade e permanecer fiel às Sagradas Escrituras.

Toda igreja está sujeita a uma série de conflitos entre os membros e até entre os ministros. Na opinião do senhor, que qualidades não podem faltar ao bom líder de um templo?
A igreja é composta de pessoas, e de pessoas imperfeitas, diga-se de passagem. É normal e até inevitável que os conflitos surjam. Tudo faz parte de um processo de amadurecimento das pessoas e da comunidade. Muita coisa poderia ser dita sobre o perfil de um líder cristão, no entanto, vou me ater a estas: paciência, seriedade, amor, humildade e perseverança.

Muitas pessoas não conhecem as diferenças entre os diversos ramos do protestantismo e do pentecostalismo. O que distingue o presbiterianismo nesse contexto?
Esse movimento teve origem na Reforma Protestante, deflagrada pelo monge alemão Martinho Lutero, no dia 31 de outubro de 1517. A partir dali surgiram vários movimentos que ficaram conhecidos como Igrejas Reformadas, cujos principais pilares são a soberania de Deus, inerrância da Bíblia, culto teocêntrico, foco na pregação da Palavra, ética vivencial e salvação somente pela graça. A Igreja Presbiteriana faz parte do bloco de igrejas chamadas conservadoras, que se distingue do movimento Pentecostal e Neo Pentecostal, que são muito mais recentes.

Na visão do senhor, quais são os maiores enganos que as pessoas cometem em relação ao protestantismo?
Na minha visão, o grande problema é o desconhecimento. Boa parte das pessoas não conhece a fundo e, por isso, tem sua visão construída a partir do referencial pejorativo exposto pela mídia de massa. O protestantismo, sobretudo, foi um movimento que lutou e continua lutando pela melhora das pessoas, da igreja e do mundo.


Para algumas pessoas, o cristianismo é associado ao obscurantismo, à ignorância. Que resposta o senhor daria a tais pessoas?
Não sou ingênuo a ponto de não reconhecer que há muita ignorância, crendice e superstição na prática de muitas igrejas na atualidade. Todavia, é preciso fazer uma justa distinção. Creio que, se as pessoas conhecessem mais a fundo, teriam a oportunidade de mudar de opinião sobre o cristianismo. Veriam a grande contribuição e influência do cristianismo na educação, na ascensão social das pessoas, na construção das sociedades democráticas, na liberdade de expressão, na promoção da justiça, na melhoria de vida dos cidadãos, na defesa da moral e na condição espiritual das pessoas. A transformação de vidas faz parte do currículo do cristianismo.

Estamos vivendo dezembro, mês do Natal, do nascimento de Jesus. Para o senhor, o que a humanidade perdeu quando perdeu o verdadeiro sentido do Natal?
Perdeu a capacidade de enxergar e usufruir do mais importante, o próprio Jesus. Quando colocamos o foco na dimensão horizontal do Natal, expresso na correria, sofisticação, consumismo e festividades, deixamos de lado o âmbito espiritual, caracterizado por introspecção, entrega, solidariedade, compaixão e, sobretudo, amor. Em resumo, arrumamos a casa, mas não atentamos para a Pessoa que nos visita.

O mundo de hoje parece estar mergulhado na descrença. Não acredita mais nem nas ideologias, nem nas religiões. Que mensagem relevante o senhor acha que o cristianismo ainda pode dar à humanidade nesse cenário tão turbulento?
O cristianismo puro e simples, tal qual expresso e exemplificado por Jesus, tem sim uma grande contribuição para o mundo e as pessoas. Isso porque sua mensagem é de compreensão, tolerância, entendimento, salvação eterna, equilíbrio, paz, esperança, felicidade e amor.

Na visão do senhor, quais são os maiores desafios que o cristão enfrenta na época atual?
O primeiro desafio é interno: permanecer puro sem se contaminar com as distorções vividas dentro do próprio cristianismo. O segundo desafio é externo: mostrar à sociedade que o jeito de viver ensinado por Jesus Cristo ainda é plenamente viável no mundo pós-moderno.

O cristianismo como um todo é muito focado na coesão familiar. Por que se insiste tanto nesse ponto?
Por causa da convicção de que a família é um projeto de Deus que não pode ser deturpado e abandonado pela sociedade atual. Na visão cristã, a família é a melhor forma de se organizar e construir a sociedade. Muitos problemas do mundo seriam resolvidos, se cada pai e mãe zelassem por sua família.

Muitos pais têm grandes dificuldades para levar os filhos à igreja. Que conselhos o senhor daria para aqueles que enfrentam situações assim?
Meu primeiro conselho é para as igrejas. Entendo que as comunidades precisam ter uma abordagem contextualizada, falar a linguagem dos diferentes públicos e desenvolver estratégias funcionais para atrair desde as crianças até os idosos. Para os pais, o meu conselho é que sejam firmes para conduzir seus filhos no caminho que vocês acreditam ser o melhor para eles, orem muito, sejam exemplo e peçam ajuda dos líderes eclesiásticos nessa tarefa.

O protestantismo é muito focado na Bíblia. Todos os livros dela são importantes, mas que livro da Bíblia o senhor acha que é mais necessário para os dias de hoje?
Resposta difícil. Mas já que me pediram para eu mencionar apenas um, então vamos lá. Vou sugerir o evangelho de Mateus. Este livro fala da missão de Cristo, da missão da igreja e da missão das pessoas. Mateus mostra o que Cristo fez por nós, como devemos viver como indivíduos e o que devemos fazer enquanto comunidade de fé. Mateus fala sobre o poder e o amor de Deus; sobre a fragilidade e o potencial humanos; sobre o chamado e o envio dos discípulos de Jesus. Fazer-nos entender o que Cristo fez por nós, como devemos viver e qual é o nosso papel no mundo é o grande propósito do evangelho de Mateus. Por isso, ele é tão importante e relevante para os nossos dias.

http://dpontaponta.com.br/2016/01/17/ser-cristao-hoje/

[História da Igreja, História do presbiterianismo, fundamentalismo em Ponta Grossa, Marcos Aurélio Jensen dos Santos, Primeira Igreja Presbiteriana de Ponta Grossa]

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Museu de Zoologia: tentativa de edificação

O reelaboração do projeto do Museu de Zoologia ou História Natural dos Campos Gerais foi realizado por uma equipe (2015), em diferentes participações. São eles:

Idealizadores ou que oportunizaram o contato profícuo:
Alberto Inácio da Silva
Ana Maria Gealh
Giovani Marino Fávero
Ivana de Freitas Barbola
Luiz Bertoldo Silva
Marli Lang de Oliveira
Renoaldo Kazcmarech
Roberto Ferreira Artoni

Coordenação:
Akemi Teramoto de Camargo

Concepção teórica revista:
Denilton Vidolin
Renoaldo Kaczmarech
Susete Wambier Christo


Primeira fase do Projeto Museu de Zoologia - 1990 - 2013

Professora e formadora do magistério do ensino básico, a Professora Ana Maria, muitas vezes com recursos pessoais reuniu um farto e crescente material de História Natural permitindo aulas práticas, estágios, pesquisas e atividades extensionistas em Zoologia. Até sua aposentadoria na Universidade, a professora não desistiu de reivindicar a construção ou consagração de um espaço maior que abrigasse as peças do Laboratório de  Zoologia, a ala mais visitada da área das Ciências Biológicas, tendo até uma planta do edifício. Seus esforços não tiveram êxito. Pouco antes de sua aposentadoria, o então Chefe do Departamento, Professor Giovani Marino Fávero retomou a idéia de construção ou a realocação do Laboratório, transformando-o em Museu de Zoologia e não deixou de fazer sondagens, discutir possibilidades, buscar opções de financiamento. Concluiu seu mandato sem êxito no processo o que não o impediu de com frequência rediscutir o tema com os envolvidos na área. Coube ao Professor Fávero manter acesa a chama e a esperança de construir na cidade um Museu de tamanha importância.
Nessa primeira fase, o projeto não alçou vôos e restringiu-se ao frutífero Laboratório de Zoologia, contando com a participação além da Professora Ana Maria, da Laboratorista Marli Lang de Oliveira que a acompanhava em longas e interestaduais viagens para trazer corpos de animais e diversos estagiários, entre eles, o atual professor temporário, Estevan Luiz da Silveira. A Professora Ivana de Freitas Barbola participou dela elaborando a parte que concerne à Entomologia. 

Segunda fase - 2015 - o projeto reelaborado

Esta fase brotou de uma articulação elaborada pelo espírito inclusivo, democrático e empreendor do Professor Roberto Ferreira Artoni envolvendo o autor destas linhas e o Professor Alberto Inácio da Silva. Sempre recebi convite do Professor Artoni para participar dos projetos que ele elaborava e apresentava no Governo Federal e no Congresso. Mais ou menos em setembro de 2015, o Vereador Luiz Bertoldo Silva procurou o Professor Roberto para comunicar que em Brasília, alguma verba poderia ser disponibilizada para universidade, e por que não, a única pública da cidade, na área de esportes. Artoni então indicou o nome consagrado nas pesquisas nacionais de esporte, Alberto Inácio da Silva, porém, sugerindo ao Vereador Bertoldo que fizesse contatos comigo para obter o endereço telefônico do pesquisador.
A primeira conversa com o Vereador foi extraordinária. Dono de uma atenção incomum, raciocínio e boa vontade, percepção da importância social de bons projetos, o pastor Luiz Bertoldo aceitou conversar com um grupo que ainda não tínhamos constituído, mas que tinha contato com o projeto anterior. Lembro-me que escrevi ao Vereador, se ele se prontificava em nos apoiar na construção de um Museu de História Natural, antigo sonho de professores, alunos e pesquisadores de Ciências Biológicas, apenas para nos ouvir e analisar depois, sem maiores compromissos, a idéia. Para surpresa, pelas quase onze horas da noite, o Vereador fez contatos comigo, prontificando-se a se reunir com o grupo à hora em que quiséssemos e no local que desejássemos. É preciso registrar que esta fase, não consta em nenhuma reunião departamental, não saiu de nenhuma voz especializada na área, não consta em ata alguma, portanto, nasce fora da universidade, fora do departamento, fora dos colegiados. Nasce da instrumentalidade providencial dos contatos de Roberto Artoni, Alberto Inácio e do Vereador Luiz Bertoldo.
Confirmada a disponibilidade generosa e entusiasmada do Vereador, fiz contatos com a Professora Akemi Teramoto de Camargo, não como coordenadora de curso, mas como professora com quem eu sempre pude trocar figurinhas, mais próxima para costurarmos conversas e lhe perguntei se aceitaria coordenar um grupo de professores, mediar contatos políticos, se responsabilizar por reunir e discutir informações e conceitos da área. A professora, também sonhadora com o Museu, aceitou. Repitamos, o grupo se reunia fora dos ditames burocráticos, como um grupo fora institucionalmente, embora em questão de aulas e atividades pedagógicas, ligados à universidade. Nossas reuniões eram por nossa conta. O autor destas linhas jamais usou o telefone da instituição para estes contatos. A idéia de conversar com político, conhecido pelo vínculo com um grupo que tem empreendido realizações de destaque na área de educação superior, nasceu quando o autor destas linhas estava deitado em sua cama olhando para o teto de seu quarto.

Então, inicialmente, pouco receosos, tementes de que alguma coisa pudesse dar errado, discretos, se reuniram, Akemi Teramoto de Camargo, Susete Wambier Christo, Denilton Vidolin e Renoaldo Kaczmarech. Os três primeiros docentes universitários, o último historiador e pesquisador em ciências biológicas, cuja trajetória cheia de idealismo, em relação à construção de um Museu de História Natural, de um Herbário Regional, foram sempre objetos de sua preocupação, paixão e de seu sofrimento, inclusive. As reuniões foram acontecendo. O texto do projeto responde a itens exigidos pelo Governo Federal para construção de prédios e de projetos de interesse público e social. Os pontos fundamentais estão na página do Ministério da Cultura.

Concluída a parte teórica pelo grupo, os professores Susete, Denilton se dirigiram à Pró-Reitoria de Planejamento e solicitaram a atualização de um orçamento, no que foram rapidamente atendidos. Aí, o texto completo e definitivo podia ser entregue ao Vereador.
O projeto, se vingar, será incorporado à Universidade, fiél depositária do interesse social, educacional e público de uma planta que terá ali todas as condições de servir a formação e a informação da comunidade paranaense, mas ele nasce e é gerado fora dela. Será um presente dado à instituição por pessoas que acreditam que a preservação da História Natural é uma forma de cidadania e de autoestima de um povo. Há muito caminho para ser percorrido. Não se sabe bem sobre as curvas e pedras. As circunstâncias e as curvas dos projetos governamentais mudam. Mas continuamos com a esperança.








terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

A piada da capital cívica do Paraná

Leio num perfil do facebook uma colocação das mais idiotas. Nelson Werneck Sodré escreveu que há relatos que permeiam-se de mentiras e verdades. Entre nós, nada melhor simboliza isso que a fantasia de que somos a capital cívica do Paraná, ainda bem que não do Brasil. A consciência de ser brasileira passa quilômetros distante daqui e é tão grande que nosso espaço mental não permite sua aterrizagem.

Um senhor com falsa paixão pela cidade, revelando-se inimigo da cidadania e arauto do obscurantismo postou um comentário mais ou menos assim "e a turma da UNE que se associou aos mensaleiros do PT", comentando foto histórica da cidade, postada sem finalidade política. Esse é espetáculo de uma cidade avessa às Ciências Sociais, que abjeta os estudos históricos, que desconhece ainda o Concílio Vaticano II e se respalda num conceito de democracia vesgo que tolhe minorias, pobres e trabalhadores. O cidadão representa de mala e cuia a mentalidade semifeudal, analfabeta, autoritária e o falso moralismo dos Campos Gerais. Mesmo Jesus Cristo descreveu essa nefasta espécie em Mateus, capítulo 23 inteiro.

Para essa raça pura, corrupção é só no Partido dos Trabalhadores. Eles são puros, honestos, sabem fazer análises isentas de impurezas conceituais, mesmo esquecendo de propósito, que a história do nosso país não dispensa capítulos específicos que falem do trensalão paulista, aécioportos mineiros, da participação dos segmentos udenistas (PSDB, DEMO) já constam das investigações feitas por autoridades judiciárias (http://www.revistaforum.com.br/blog/2013/05/tjmg-confirma-aecio-neves-e-reu-e-sera-julgado-por-desvio-de-r43-bilhoes-da-saude/) ou a participação do partido dos santos no escândalo da Petrobrás (http://br29.com.br/a-casa-vai-cair-pgr-ira-denunciar-tucanos-da-lava-jato-apos-o-carnaval/) ou o nascedoura do petroescândalo no governo udenista (http://www.msn.com/pt-br/noticias/brasil/ex-gerente-da-petrobr%C3%A1s-diz-ter-recebido-propina-desde-1997/ar-AA92jcF?ocid=BDT3DHP). Com que propósito os tolos que vendem empacotado a podre idéia de que somos a cidade cívica, com tamanha ignorância sendo disseminada de modo missionário e catequético, focando apenas num dos lados do escândalo, como se apenas o Governo Federal estivesse atolado nele e não os seus sumo-sacerdotes? Fariseus hipócritas! Sem justiça, sem encarar corretamente todos os lados, sem saber com honestidade o andar da carruagem, vendo de todos os ângulos possíveis é possível ser cívico, cidadão, brasileiro e íntegro nas formulações?

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Igreja do Rosário: missa de 15/02/2015

A Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, a Igreja dos Polacos, na Praça Barão de Guaraúna, tem missa, aos domingos, quase no mesmo horário que a Igreja do Rosário. Hoje, a missa foi celebrada ali por um padre de cabelos brancos, com sotaque de estadunidense. O tema foi a cura feita por Jesus Cristo de um leproso, o que deve ocorrer em todas as paróquias e missas. O povão que frequenta esta comunidade é mais simples, embora apareçam senhoras empiriquetadas e alguns senhores de bom terno. Era difícil entender o padre, pela qualidade do som emitido pelo microfone e pelo sotaque. Os mais inteligíveis eram os que faziam as leituras. A música também amadora, apenas com o violão.

Na Paróquia do Rosário, sempre, o Padre Edvino Sicuro. O homem possui uma empostação de voz, difícil de não ter escutada, entendida e atendida. É a voz de locutor de rádio e televisão. As músicas são interpretadas por uma excelente soprano, acompanhada por órgão eletrônico. Mas o que interessa mesmo é o conteúdo da homília.

Edvino Sicuro faz boa explanação quando contextualiza a discriminação que um leproso ou qualquer doença da pele sofria nos dias de Cristo. Compara com o ebola. Fala do papel que tem uma pessoa que se diz cristã, tanto quanto o homem curado pelo Senhor, espalhou o bem feito a todos quanto pode encontrar, assim o cristão deve compartilhar com o mundo os efeitos de sua fé, em termos práticos.

O problema foi quando o Padre Edvino que combinar a reflexão com o tema da Campanha da Fraternidade que é a participação do cristão na sociedade. As palavras nem saíram. Sintetizou tudo apenas na repetição do tema e em seguida rezou o credo. Evidentemente, o aspecto social, o engajamento, o comprometimento dos cristãos nas mudanças que o mundo, que os oprimidos carecem, a debelação das injustiças, não está no terreno de crença e atuação do paróco. O padre da Paróquia do Rosário e seus paroquianos são mesmo conservadores politica e religiosamente.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Deputado Federal Aliel Machado e a reforma política

Conversei, hoje, com o Deputado Federal ALIEL MACHADO. Liguei para o gabinete e fui atendido pela assessora que me perguntou quem era e pediu um tempo. Voltou ao telefone e perguntou novamente. Respondi com nome e sobrenome. Na verdade, tenho sido crítico a alguns procedimentos de parlamentar, na hora pensei que ela me traria alguma desculpa para não responder. Quando forneci nome completo, ela me respondeu "o senhor aguarde um momento que o próprio lhe responderá". Passou o telefone para o Deputado. Eu não consegui gravar a voz do deputado e achei que era outro assessor, "é o Aliel mesmo, Acir".
Isso tudo para dizer que recebi um tratamento respeitoso e detalhado por parte do parlamentar que discorreu com profundidade a questão polêmica que levantei.
À tarde circulavam na internet, dois blogs (Esmael Morais e Fabio Campanha, o último ao que me consta assessor publicitário do Governador do Paraná, Campos Salles- 2015-2018 UDN) comentando a posição do Aliel em relação a reforma política. Esmael afirmava que Aliel votara a favor da reforma enquanto Campanha dizia que Aliel e um deputado petista do PR votaram contra a reforma.
Perguntei a Aliel se, afinal, ele votara favor ou contra a reforma política. O deputado me disse que não poderia ter votado nem a favor nem contra, pois a reforma política NÃO FOI VOTADA NA CÂMARA. O que aconteceu foi que o Presidente da Câmara, o fundamentalista recém eleito, se apressou para aprovar a ADMISSIBILIDADE DE SE DISCUTIR/APROVAR O PROJETO proposto pelo Deputado petista VACAREZZA (PT/São Paulo) que permite financiamento privado de campanha e que entidades que recebem recursos públicos (sindicatos, por exemplo) façam doações para campanhas políticas. Aliel Machado é contrário a esse projeto e não a reforma política.







sábado, 31 de janeiro de 2015

Meu Paraná: lições de Miguel

Sábado, 31 de janeiro de 2015 - Programa Meu Paraná RPCTV - Viagem de Dom Pedro II no Estado.


Estava almoçando numa lanchonete quando passava o Programa Meu Paraná. Sem recursos para anotação e sem sucesso em rever o programa pela internet formulo alguns apontamentos.

Não sei se é coisa dos signos, da providência divina ou das leis da natureza, mas a RPCTV e sua sucursal em Ponta Grossa tem mostrado os dois retratos de Ponta Grossa, incluindo um capítulo não intencional sobre a filosofia da educação superior em nossa região. Refiro-me aos programas onde foram entrevistados Miguel Sanches Neto e o Pró-Reitor de Graduação da universidade local. Duas filosofias antagônicas, dois modelos de ensino e produção de conhecimento excludentes, duas visões de mundo, dois tempos diferentes, o moderno e o retrógrado, o que representa o velho, arcaico e o que conjuga as forças do pensamento para transformar o mundo, qualificar a percepção de nossas consciências. Falaremos disso no momento oportuno. No "Meu Paraná" deste sábado Miguel Sanches Neto foi entrevistado para falar sobre a viagem do Imperador ao Paraná.

Deixo bem claro, mais do que Omo, que Dom Pedro II e sua viagem ao Paraná não tiveram importância histórica e política para o nosso povo. O programa apresentado pela RPCTV é romântico em todas suas edições, a começar pela música fúnebre de sua abertura. Mas, com certeza permitiu com que os monarquistas e em nossa região são numerosos, tenham entrado em êxtase. O regime monárquico foi uma desgraça para o nosso país. As velhas raposas que ainda dominam na República se criaram lá. O programa endeusou uma viagem de curiosidade e lazer do Imperador num fenômeno gigantesco, como a Revolução Francesa. É falsa a visão. Por isso, esquivou-se dos desapontamentos do próprio monarca, que em Ponta Grossa se impressionara com as bibliotecas fechadas.

É Miguel Sanches Neto e não os historiadores da cidade que falam sobre a visita ilustre do bom velhinho. a RPCTV deu uma rasteira da Academia Ponta-grossense de História. Mas acertou, fez melhor. O autor de Então você quer ser escritor? é um erudito de primeira.
Possui conhecimento nada modesto de cultura e história. É intelectual, fala com propriedade de História, letras e as viagens da existência, porque constituem seu cotidiano pessoal e profissional. Impressiona, entretanto, que o brilho do entrevistado, falando com propriedade, eloquência e didática, coisa própria de quem sabe ensinar, que possui bagagem rica de conteúdo mas não é pedante, exibicionista e encerado, seja sempre distinto da marca anti-cultural que marca as entranhas do nosso sistema universitário local. Uma figura que honra o campo acadêmico, científico e cultural, sobrevive no interior de um sistema burro, estúpido e emburrecedor.

Não é que a cidade de Ponta Grossa consegue a façanha de escolher o que menos corresponde ao progresso em tudo? em tudo... um bom nome para um livro. É que numa cidade estúpida, medíocre, o parâmetro não será, jamais, a inteligência e o serviço público de qualidade, mas como fatiar os benefícios públicos, como fazer parte do bando de idiotas titulados e em posições de relevo. Aqui os estúpidos mandam, administram, possuem maior numero de cargos, se dizem tudo sendo nada. Diante das câmeras suas falas se marcam pelo vazio, pela doença do mal caráter, mas até aqui, estes tem tido a vez, ainda que de assalto.



domingo, 4 de janeiro de 2015

Igreja do Rosário: a missa de 4 de janeiro de 2015

A Igreja dos Polacos e a Igreja do Rosário são próximas. Neste domingo ambas estavam lotadas. Na primeira o padre fala timidamente. Não diz nem afirma tanta coisa. É um saco. Na Paróquia do Rosário está o comunicativo Padre Edvino Sicuro. Já saiu de lá e para que a congregação não desandasse teve que voltar. O povo gosta mais do padre que de Deus.

O Padre é, sabidamente, uma das personalidades religiosas mais conservadoras que existem. São discutíveis seus posicionamentos sobre caridade com mendigos e agora, me parece, sobre política.

Na missa de hoje ele trouxe o livro autobiográfico de Mosab Hassan Yousef, ex-guerrilheiro do Hamás, convertido ao cristianismo e morando, atualmente, nos Estados Unidos. Depois que se tornou cristão, o autor concluiu que a causa palestina é uma farsa, que os palestinos são manipulados pelas lideranças, como sempre foram por Arafat. O remédio para os palestinos é não odiar os judeus e sim, cumprir aquilo que Jesus determinou, "amai vossos inimigos". A solução da crise do Oriente Médio é a adesão por judeus e palestinos ao princípio enunciado por Jesus "amar os vossos inimigos". E o Padre reforçou a tese de que o movimento palestino é uma farsa que coloca o povo como escudo de uma luta que é apenas de interesses particulares do grupo dirigente.

Na sua homília ficou claro que não deve combater o Estado judeu em nome da conversão ao Cristianismo. Lamentável. Faltou dar um grande viva as ditaduras monárquicas do Oriente Médio e as práticas genocidas do governo israelense. Há uma causa que tem justificativa sim, de um povo que historicamente foi expulso por todos os impérios de sua própria terra, o povo palestino. A velha prédica da conciliação e da resignação ante a violação de seus direitos só vale para os vencidos, para os humilhados e não escutados pela comunidade internacional.
Que padre, porcaria!