Nossa pobre biblioteca pública parece perseguida pela incapacidade, rolou durante décadas de um lado para o outro, mostrando que nenhum politico jamais se importou muito com seu destino. Depois foi vitima da inabilidade de seus funcionários isto no passado e atualmente, trinta e poucos mil livros perdidos, transformados ,no final em papel reciclado , só porque os meios jornalísticos denunciaram que seriam incinerados, como se isto fosse tirar a culpa pela falta de cuidado com eles, agora estão lá empacotados com todo cuidado porque estão contaminados, pena que não receberam este cuidado antes, se tivessem sido empacotados antes não estariam la jogados, mofados e esperando seu destino , o incrivel é que depois ouvimos volta e meia campanhas " doem livros para a biblioteca pública".E lá vão os bem intencionados levando seus liv...ros, para no final serem descartados em algum momento, por alguma justificativa espúria.Agora os livros estavam e continuarão a sofrer com o calor excessivo.Gostaria de saber quem projetou este prédio da biblioteca, deveria voltar para a universidade, como apaixonado por livros , sei de todos os males dos quais padecem, pois tenho que saber como cuidar deles, pois tenho algo raro hoje em dia, uma biblioteca particular, o calor é o pior inimigo dos livros, resseca as fibras de lignina, o termo técnico correto , do qual a polpa usada no fabrico das folhas é feita, a base de madeira, de dia o calor dilata as fibras , a noite elas se contraem, isto acarreta depois de algum tempo um papel frágil, pois as fibras vão se rompendo com o continuo " esticar" e "encolher", cortinas amenizam, claro o sol direto nos livros acelera o processo, mas o calor no ambiente faz o mesmo efeito, que nos humanos , afeta muito a saúde dos livros.
Enfim quem projetou a Biblioteca Pública de Ponta Grossa, jamais deve ter entrado em uma biblioteca, pois nem sequer uma pesquisa deve ter feito, para saber que ali seriam depositados dois materiais frágeis ao excessivo calor, livros e humanos, como foi concebido, está mais para um "banho turco" do que uma biblioteca. O calor não é o único inimigo dos livros , lembremos outro de igual malefício, que é hábito geral de hoje em dia, até em bibliotecas de alguns museus ,além das bibliotecas públicas, o "descarte" , parece ser um divertimento comum , não só de nossa cara biblioteca de Ponta Grossa, um professor de História contava-me um dia destes que até uma respeitada biblioteca da Capital do Paraná, faz o mesmo, em conversa com uma das funcionárias, soube que livros não muito requeridos são expurgados da estantes, expurgo este controlado pela clientela atual da biblioteca que tem um gosto literário cada vez mais obtuso, o professor indignado, disse que Odisséia de Homero era um dos muitos que iriam ser sacrificados no " altar da imbecilidade" que parece reger as bibliotecas de hoje, que justificam seu “livrocídio” com todas as desculpas possíveis a preferida “ falta de espaço” , acredito que muitas sofrem desse mal, mas ter seu acervo selecionado pelo gosto literário da população é a mais novo e aterrorizante modismo, que deve fazer os ossos dos antigos escritores , humanistas, cientistas, revirarem-se em suas tumbas, o lugar da guarda do saber , agora se comporta como uma empresa ,que segue o gosto dos consumidores, que os "céus nos acudam ", como diria minha avó, nada justifica jogar livros fora, aqui vemos novamente o dedo ossudo de nossos politicos, que colocam de tudo dentro das bibliotecas, pessoas tituladas na área, o que não quer dizer nada, ou pior cargos para pessoas que nada entendem de livros e bibliotecas. A alguns anos li uma noticia sobre uma biblioteca alemã que tinha acabado de ganhar um novo e moderno edifício ,do governo, pois estava a décadas em um prédio antigo e que não comportava mais o tamanho do acervo, na hora da mudança, começaram a debater sobre um dos itens do acervo, acreditem, uma coleção de calendários, coletados já havia mais de 100 anos, debateram, debateram, conclusão, levaram os calendários para a nova sede. O que é um povo culto , que conta com profissionais gabaritados.Aqui coleções, livros seja o que for que faz parte do acervo, são descartados porque o paladar literário mudou, para pior infelizmente, com a educação que recebemos não poderia ser de outra forma, grandes obras de escritores, do passado recente ou longínquo, como Victor Hugo, Homero, Ovidio, Camões, Fernando Pessoa, Euclides da Cunha, e muitos outros serão varridos das estantes, porque ninguém mais se interessa por eles? Triste constatação, uma era de "barbárie", se inicia neste novo século, a de que as antigas " guardiãs" do "saber" que na antiguidade salvaram o que puderam do conhecimento antigo, que caso contrário tudo teria se perdido, agora fazem o contrário, ao invés de preservar, são as "carrascas do conhecimento" , que dizem quem vai viver e quem vai desaparecer de suas estantes, tudo baseado , na vontade de um povo sem cultura literária, vitímas de um ensino agonizante, que criou um povo que não sabe escolher políticos, e que não tem o hábito da leitura, e os poucos que o tem , um gosto duvidoso.Me desculpem os leitores se pareço o dono da verdade ou certeza, mas uso algo que aprendi nos livros “lógica”, livros que já devem ter sido expurgados das bibliotecas, afinal quem vai ler sobre “lógica”, não deve ser sucesso de leitura, acho que a maioria das pessoas nem sequer sabe do que se trata.Pobres das crianças do futuro que não poderão ter em mãos um “livro” de Camões, ou de Virgílio, e muitos outros livros que terão sidos expulsos das bibliotecas, muitos dirão mas a obra existe , basta entrar na internet, e baixar o arquivo e ler, seria como dizer a um amante da arte, que ele não precisa se dar ao trabalho de ir a Capela Sistina, no Vaticano, para ver as pinturas de Michelangelo, basta baixar da internet, e olhar na tela, me desculpem, mas há coisas, que só podem ser apreciadas se você estiver junto a elas, não se ama a distancia.
Renoaldo Kaczmarech, historiador, educador das ciências e biólogo. Endereço: renokacz@hotmail.com
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