domingo, 27 de abril de 2014

Poetas pontagrossenses - 1ª parte


            Poetas de Ponta Grossa: uma interpretação (Parte I)

            Fabio Anibal Goiris

            O jornal Diário dos Campos estampou na sua capa do dia domingo 16 de março uma justa e bela homenagem a todos os poetas da cidade. Entrevistando quatro poetas pontagrossenses  de diferentes estilos e tendências – Amália Max, Sérgio Monteiro Zan, Kleber Bordinhão e Luis Fernando Cheres – o jornal prestou sua homenagem ao ‘Dia Nacional da Poesia’, que se comemora a cada 14 de março.

            Do ponto de vista das Ciências Sociais e Políticas a poesia é uma das expressões artísticas mais populares, embora sujeita também a interpretações ideológicas. A poesia desconhece classes sociais (pode nascer em qualquer contexto), fazendo parte, sobretudo, da cultura popular. Permeada por seu lirismo característico, arrebata leitores de todos os níveis e penetra em diferentes contextos sociais e econômicos. Mesmo temas reais e pragmáticos, como as guerras e revoluções, podem originar um poema e comover pessoas.

             O Brasil é prodigo em poetas. Castro Alves, por exemplo, que nasceu em 1847 na Bahia, talvez tenha sido o mais brilhante e genuíno representante do romantismo que, em alguns poemas, incorpora uma preocupação social. Em ‘O navio negreiro’, por exemplo, Castro Alves descreve assim este quadro social:

            São os filhos do deserto, onde a terra esposa a luz.

            São os guerreiros ousados que com os tigres mosqueados combatem na solidão.

            Ontem simples, fortes, bravos. Hoje míseros escravos. Sem luz, sem ar, sem razão...

            Não é por acaso que Carlos Drummond de Andrade no seu poema ‘De mãos dadas’ escreve sobre o valor da poesia, na forma de um signo, que combina o conceito (significado) e a imagem acústica (significante), como um paradigma do presente:

            Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.

            Assim, os poetas da cidade de Ponta Grossa cantaram (e cantam) o presente e certamente apontam para o futuro. Por exemplo, Anita Philipovsky (1886-1976), poetisa pontagrossense deixou em ‘Os poentes da minha terra’, uma das mais belas expresão liricas dedicadas à cidade:

            Os poentes da minha terra

            São belos,

            Tão belos,

            Mas tão belos

            Como nunca ninguém viu fora daqui.

            Uns são roxos... outros amarelos...

            Outros de bronze com pedrinhas de rubi...

           

            A poetisa Amália Max, descendente de imigrantes do Volga, nasceu em Ponta Grossa em 1929 e fez emergir sua obra na condição de trova (integrou a obra Antologia de Trovadores no Paraná, publicado em 1984). Aliás, a antiga trova era cantada pelo trovador ou vate (isto é válido também para a cultura espanhola) e hoje é composta geralmente de um poema de quatro versos. Amália Max ganhou centenas de prêmios em concursos de trovas chamados de ‘Jogos florais’. Na Antiguidade Clássica as competições literárias eram feitas em homenagem à deusa Flora: os vencedores ganhavam pedras preciosas com formato de flores.  A obra de Amália Max, segundo a própria autora, é permeada pela saudade, um dos temas mais presentes nas suas trovas. Assim, sob o impacto do realismo, mas, com elementos marcantes do romantismo a autora descreveu em verso o arco-íris:

 

                        O arco-íris tão bonito

                        e de tão finos arranjos

                        é só o varal do infinito

                        secando a roupa dos anjos!

                        Amália Max mostra sua sensibilidade e feminilidade num poema que demonstra todo seu talento para descrever o seu tema favorito, a saudade:

                        Meus olhos azuis se embaçam,

                        acabando por chorar,

                        quando meus braços se abraçam

                        por não ter quem abraçar.

                                    O autor é cientista político e professor da Uepg. Endereço: fgoiris@hotmail.com

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

           

Nenhum comentário:

Postar um comentário