terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

A piada da capital cívica do Paraná

Leio num perfil do facebook uma colocação das mais idiotas. Nelson Werneck Sodré escreveu que há relatos que permeiam-se de mentiras e verdades. Entre nós, nada melhor simboliza isso que a fantasia de que somos a capital cívica do Paraná, ainda bem que não do Brasil. A consciência de ser brasileira passa quilômetros distante daqui e é tão grande que nosso espaço mental não permite sua aterrizagem.

Um senhor com falsa paixão pela cidade, revelando-se inimigo da cidadania e arauto do obscurantismo postou um comentário mais ou menos assim "e a turma da UNE que se associou aos mensaleiros do PT", comentando foto histórica da cidade, postada sem finalidade política. Esse é espetáculo de uma cidade avessa às Ciências Sociais, que abjeta os estudos históricos, que desconhece ainda o Concílio Vaticano II e se respalda num conceito de democracia vesgo que tolhe minorias, pobres e trabalhadores. O cidadão representa de mala e cuia a mentalidade semifeudal, analfabeta, autoritária e o falso moralismo dos Campos Gerais. Mesmo Jesus Cristo descreveu essa nefasta espécie em Mateus, capítulo 23 inteiro.

Para essa raça pura, corrupção é só no Partido dos Trabalhadores. Eles são puros, honestos, sabem fazer análises isentas de impurezas conceituais, mesmo esquecendo de propósito, que a história do nosso país não dispensa capítulos específicos que falem do trensalão paulista, aécioportos mineiros, da participação dos segmentos udenistas (PSDB, DEMO) já constam das investigações feitas por autoridades judiciárias (http://www.revistaforum.com.br/blog/2013/05/tjmg-confirma-aecio-neves-e-reu-e-sera-julgado-por-desvio-de-r43-bilhoes-da-saude/) ou a participação do partido dos santos no escândalo da Petrobrás (http://br29.com.br/a-casa-vai-cair-pgr-ira-denunciar-tucanos-da-lava-jato-apos-o-carnaval/) ou o nascedoura do petroescândalo no governo udenista (http://www.msn.com/pt-br/noticias/brasil/ex-gerente-da-petrobr%C3%A1s-diz-ter-recebido-propina-desde-1997/ar-AA92jcF?ocid=BDT3DHP). Com que propósito os tolos que vendem empacotado a podre idéia de que somos a cidade cívica, com tamanha ignorância sendo disseminada de modo missionário e catequético, focando apenas num dos lados do escândalo, como se apenas o Governo Federal estivesse atolado nele e não os seus sumo-sacerdotes? Fariseus hipócritas! Sem justiça, sem encarar corretamente todos os lados, sem saber com honestidade o andar da carruagem, vendo de todos os ângulos possíveis é possível ser cívico, cidadão, brasileiro e íntegro nas formulações?

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Igreja do Rosário: missa de 15/02/2015

A Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, a Igreja dos Polacos, na Praça Barão de Guaraúna, tem missa, aos domingos, quase no mesmo horário que a Igreja do Rosário. Hoje, a missa foi celebrada ali por um padre de cabelos brancos, com sotaque de estadunidense. O tema foi a cura feita por Jesus Cristo de um leproso, o que deve ocorrer em todas as paróquias e missas. O povão que frequenta esta comunidade é mais simples, embora apareçam senhoras empiriquetadas e alguns senhores de bom terno. Era difícil entender o padre, pela qualidade do som emitido pelo microfone e pelo sotaque. Os mais inteligíveis eram os que faziam as leituras. A música também amadora, apenas com o violão.

Na Paróquia do Rosário, sempre, o Padre Edvino Sicuro. O homem possui uma empostação de voz, difícil de não ter escutada, entendida e atendida. É a voz de locutor de rádio e televisão. As músicas são interpretadas por uma excelente soprano, acompanhada por órgão eletrônico. Mas o que interessa mesmo é o conteúdo da homília.

Edvino Sicuro faz boa explanação quando contextualiza a discriminação que um leproso ou qualquer doença da pele sofria nos dias de Cristo. Compara com o ebola. Fala do papel que tem uma pessoa que se diz cristã, tanto quanto o homem curado pelo Senhor, espalhou o bem feito a todos quanto pode encontrar, assim o cristão deve compartilhar com o mundo os efeitos de sua fé, em termos práticos.

O problema foi quando o Padre Edvino que combinar a reflexão com o tema da Campanha da Fraternidade que é a participação do cristão na sociedade. As palavras nem saíram. Sintetizou tudo apenas na repetição do tema e em seguida rezou o credo. Evidentemente, o aspecto social, o engajamento, o comprometimento dos cristãos nas mudanças que o mundo, que os oprimidos carecem, a debelação das injustiças, não está no terreno de crença e atuação do paróco. O padre da Paróquia do Rosário e seus paroquianos são mesmo conservadores politica e religiosamente.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Deputado Federal Aliel Machado e a reforma política

Conversei, hoje, com o Deputado Federal ALIEL MACHADO. Liguei para o gabinete e fui atendido pela assessora que me perguntou quem era e pediu um tempo. Voltou ao telefone e perguntou novamente. Respondi com nome e sobrenome. Na verdade, tenho sido crítico a alguns procedimentos de parlamentar, na hora pensei que ela me traria alguma desculpa para não responder. Quando forneci nome completo, ela me respondeu "o senhor aguarde um momento que o próprio lhe responderá". Passou o telefone para o Deputado. Eu não consegui gravar a voz do deputado e achei que era outro assessor, "é o Aliel mesmo, Acir".
Isso tudo para dizer que recebi um tratamento respeitoso e detalhado por parte do parlamentar que discorreu com profundidade a questão polêmica que levantei.
À tarde circulavam na internet, dois blogs (Esmael Morais e Fabio Campanha, o último ao que me consta assessor publicitário do Governador do Paraná, Campos Salles- 2015-2018 UDN) comentando a posição do Aliel em relação a reforma política. Esmael afirmava que Aliel votara a favor da reforma enquanto Campanha dizia que Aliel e um deputado petista do PR votaram contra a reforma.
Perguntei a Aliel se, afinal, ele votara favor ou contra a reforma política. O deputado me disse que não poderia ter votado nem a favor nem contra, pois a reforma política NÃO FOI VOTADA NA CÂMARA. O que aconteceu foi que o Presidente da Câmara, o fundamentalista recém eleito, se apressou para aprovar a ADMISSIBILIDADE DE SE DISCUTIR/APROVAR O PROJETO proposto pelo Deputado petista VACAREZZA (PT/São Paulo) que permite financiamento privado de campanha e que entidades que recebem recursos públicos (sindicatos, por exemplo) façam doações para campanhas políticas. Aliel Machado é contrário a esse projeto e não a reforma política.







sábado, 31 de janeiro de 2015

Meu Paraná: lições de Miguel

Sábado, 31 de janeiro de 2015 - Programa Meu Paraná RPCTV - Viagem de Dom Pedro II no Estado.


Estava almoçando numa lanchonete quando passava o Programa Meu Paraná. Sem recursos para anotação e sem sucesso em rever o programa pela internet formulo alguns apontamentos.

Não sei se é coisa dos signos, da providência divina ou das leis da natureza, mas a RPCTV e sua sucursal em Ponta Grossa tem mostrado os dois retratos de Ponta Grossa, incluindo um capítulo não intencional sobre a filosofia da educação superior em nossa região. Refiro-me aos programas onde foram entrevistados Miguel Sanches Neto e o Pró-Reitor de Graduação da universidade local. Duas filosofias antagônicas, dois modelos de ensino e produção de conhecimento excludentes, duas visões de mundo, dois tempos diferentes, o moderno e o retrógrado, o que representa o velho, arcaico e o que conjuga as forças do pensamento para transformar o mundo, qualificar a percepção de nossas consciências. Falaremos disso no momento oportuno. No "Meu Paraná" deste sábado Miguel Sanches Neto foi entrevistado para falar sobre a viagem do Imperador ao Paraná.

Deixo bem claro, mais do que Omo, que Dom Pedro II e sua viagem ao Paraná não tiveram importância histórica e política para o nosso povo. O programa apresentado pela RPCTV é romântico em todas suas edições, a começar pela música fúnebre de sua abertura. Mas, com certeza permitiu com que os monarquistas e em nossa região são numerosos, tenham entrado em êxtase. O regime monárquico foi uma desgraça para o nosso país. As velhas raposas que ainda dominam na República se criaram lá. O programa endeusou uma viagem de curiosidade e lazer do Imperador num fenômeno gigantesco, como a Revolução Francesa. É falsa a visão. Por isso, esquivou-se dos desapontamentos do próprio monarca, que em Ponta Grossa se impressionara com as bibliotecas fechadas.

É Miguel Sanches Neto e não os historiadores da cidade que falam sobre a visita ilustre do bom velhinho. a RPCTV deu uma rasteira da Academia Ponta-grossense de História. Mas acertou, fez melhor. O autor de Então você quer ser escritor? é um erudito de primeira.
Possui conhecimento nada modesto de cultura e história. É intelectual, fala com propriedade de História, letras e as viagens da existência, porque constituem seu cotidiano pessoal e profissional. Impressiona, entretanto, que o brilho do entrevistado, falando com propriedade, eloquência e didática, coisa própria de quem sabe ensinar, que possui bagagem rica de conteúdo mas não é pedante, exibicionista e encerado, seja sempre distinto da marca anti-cultural que marca as entranhas do nosso sistema universitário local. Uma figura que honra o campo acadêmico, científico e cultural, sobrevive no interior de um sistema burro, estúpido e emburrecedor.

Não é que a cidade de Ponta Grossa consegue a façanha de escolher o que menos corresponde ao progresso em tudo? em tudo... um bom nome para um livro. É que numa cidade estúpida, medíocre, o parâmetro não será, jamais, a inteligência e o serviço público de qualidade, mas como fatiar os benefícios públicos, como fazer parte do bando de idiotas titulados e em posições de relevo. Aqui os estúpidos mandam, administram, possuem maior numero de cargos, se dizem tudo sendo nada. Diante das câmeras suas falas se marcam pelo vazio, pela doença do mal caráter, mas até aqui, estes tem tido a vez, ainda que de assalto.



domingo, 4 de janeiro de 2015

Igreja do Rosário: a missa de 4 de janeiro de 2015

A Igreja dos Polacos e a Igreja do Rosário são próximas. Neste domingo ambas estavam lotadas. Na primeira o padre fala timidamente. Não diz nem afirma tanta coisa. É um saco. Na Paróquia do Rosário está o comunicativo Padre Edvino Sicuro. Já saiu de lá e para que a congregação não desandasse teve que voltar. O povo gosta mais do padre que de Deus.

O Padre é, sabidamente, uma das personalidades religiosas mais conservadoras que existem. São discutíveis seus posicionamentos sobre caridade com mendigos e agora, me parece, sobre política.

Na missa de hoje ele trouxe o livro autobiográfico de Mosab Hassan Yousef, ex-guerrilheiro do Hamás, convertido ao cristianismo e morando, atualmente, nos Estados Unidos. Depois que se tornou cristão, o autor concluiu que a causa palestina é uma farsa, que os palestinos são manipulados pelas lideranças, como sempre foram por Arafat. O remédio para os palestinos é não odiar os judeus e sim, cumprir aquilo que Jesus determinou, "amai vossos inimigos". A solução da crise do Oriente Médio é a adesão por judeus e palestinos ao princípio enunciado por Jesus "amar os vossos inimigos". E o Padre reforçou a tese de que o movimento palestino é uma farsa que coloca o povo como escudo de uma luta que é apenas de interesses particulares do grupo dirigente.

Na sua homília ficou claro que não deve combater o Estado judeu em nome da conversão ao Cristianismo. Lamentável. Faltou dar um grande viva as ditaduras monárquicas do Oriente Médio e as práticas genocidas do governo israelense. Há uma causa que tem justificativa sim, de um povo que historicamente foi expulso por todos os impérios de sua própria terra, o povo palestino. A velha prédica da conciliação e da resignação ante a violação de seus direitos só vale para os vencidos, para os humilhados e não escutados pela comunidade internacional.
Que padre, porcaria!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Jornal Estadual - 2ª edição - 1º de dezembro de 2014

Ponta Grossa é uma cidade que dá vergonha ao país, apesar de falso moralista, como ficou demonstrado pelo resultado das eleições presidenciais aqui.

Quem assistiu o Jornal Estadual, segunda edição, do primeiro dia de dezembro de 2014, pode calcular as façanhas dos oportunistas de nossa cidade, pseudo-cientistas:

1. A reportagem não percebeu, mas acertou em denominar "Hospital Regional" ao invés de "Hospital Universitário". A criação do hospital transitou entre o estelionato eleitoral do DEMO/UDN para a exacerbação vaidosa de pequenos dirigentes universitários, sedentos de cultuar suas próprias personalidades, o que não conseguiriam pela produção do pensamento filosófico ou da cultura impressa. Quem não tem idéia e destes o ensino superior dos campos gerais está cheio, precisa de placas de inauguração. São lidas mas não discutidas. Não circulam de mão em mão.

2. Todas as reportagens sobre o Ospital Regional exibem um número chamativo de "Diretores". Deve ter mais diretor que funcionários atendendo a população. Tem diretor de torneiras, diretor de vassouras, diretor de vacinas, diretor de injeções, diretor de doenças renais, diretor de doenças sexualmente transmissíveis, diretor de acendimento de lâmpadas fluorescentes, diretor de acendimento de lâmpadas externas, diretor técnico, diretor não técnico. Seria bom o Ministério Público pensar bem na utilidade de tantas direções. Me pergunto como estes diretores articulam a jornada de trabalho, já que alguns estão vinculados a outros afazeres. Quanto efetivamente cumprem em "benefício da saúde popular" e quanto em outros locais de trabalhos seus.

3. E o Ospital entra em férias coletivas.

4. Lugar de professor universitário é em sala de aula.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Vitória gigante do povo humilde


              Fabio Anibal Goiris

            O dia 26 de outubro de 2014 marca uma efeméride extraordinária para a democracia brasileira e para a luta do seu povo mais simples. Em noite apoteótica as massas populares saíram às ruas do imenso Brasil para enaltecer um Coração Valente: Dilma Rousseff foi reeleita Presidenta. Se doze anos atrás o Partido dos Trabalhadores teve de fazer campanha para que a esperança pudesse vencer o medo agora fez uma cruzada para que a esperança vença o ódio.

            Dilma Rousseff teve de enfrentar uma dupla e aterrorizante situação: no Primeiro Turno afrontou a desonestidade intelectual onde os programas econômicos e sociais eram impunemente distorcidos e, no Segundo Turno, a desonestidade moral, onde ataques pessoais encarnados pelos próprios meios de comunicação predominantes, revistas e rádios conservadores tentaram minar sua personalidade. Os ataques pessoais sobre Lula e Dilma foram desferidos, contudo, por donos de telhados de vidro. Inclusive pelos fascistas de gabinete da Internet que batem boca sem se levantar da cadeira. Daí que o povo passou a não acreditar mais nos Goebbels da direita brasileira.

            A verdade é que o povo incorporou no seu subconsciente o seguinte: o mal remediado cidadão (da desigual sociedade brasileira) quer proteção do Estado.  Ao mesmo tempo em que exige um salário digno e um equilíbrio nas condições de disputa do mercado de trabalho. O governo do PT vem caminhando em forma inflexível nessa direção. O povo incorporou este conceito teórico e colocou sobre ele bases práticas: o sufrágio universal depositado nas urnas eletrônicas.     

            Mas, para pensar assim (e para votar assim) o povo humilde, e os cidadãos sensíveis à democracia distributivista, tiveram de entender que no subsolo da vitória da esquerda brasileira estavam os programas sociais de grande alcance como o bolsa família e as realizações habitacionais. Mais ainda, compreenderam que foi um esforço gigantesco do governo do PT instituir e aumentar o financiamento federal do ensino básico, catapultar o Prouni e o crédito universitário, além de deslanchar o magnífico programa de ensino profissional, o Pronatec. Além disso, depois de 2002 mais de dezoito novas universidades federais foram inauguradas. Contrariamente, durante os oito anos do governo do PSDB de Aécio Neves o país não inaugurou nenhuma (há de se sublinhar nenhuma) universidade federal.

            Não há como dissuadir a ideia de que o governo de Dilma Rousseff vem combatendo as causas da desigualdade de renda. A luta contra a desigualdade no Brasil começou com Lula em 2003 onde a inclusão social virou política irrenunciável de Estado. Por estas razões, em 2003 começou a se acirrar também o ódio contra o PT vindo de uma classe média direitista e conservadora que não consegue se compadecer do drama social dos seus compatriotas empobrecidos. Diante disto a vitória de Dilma representou uma conquista daquele cidadão desprotegido que espera apreensivo o braço estendido do Estado. Por fim, já se disse que um grama de exemplos vale mais que uma tonelada de lamúrias inúteis.

                                               O autor é cientista político e professor da UEPG.